Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
01/10/2004 - 09h39

Para o Brasil, oferta européia é um "retrocesso"

Publicidade

ANDRÉ SOLIANI
da Folha de S.Paulo, em Brasília

"Ruim" e "um verdadeiro retrocesso" foram adjetivos que o principal negociador brasileiro com a União Européia, Regis Arslanian, usou para qualificar a proposta que os europeus entregaram ao Mercosul para a criação de uma área de livre comércio. Segundo Arslanian, a avaliação ainda é preliminar.

"A oferta deles é ruim porque volta atrás. É um verdadeiro retrocesso", disse Arslanian. O retrocesso, diz o embaixador, se deve ao fato de os europeus terem oferecido uma abertura para o setor agrícola menor do que eles mesmo haviam indicado verbalmente na última reunião com o Mercosul, em Bruxelas.

Os europeus, por sua vez, afirmam que a sua oferta é apenas um reflexo das propostas que o Mercosul apresentou na semana passada. A única conclusão possível é que as negociações chegaram a um impasse num momento delicado --o prazo estabelecido para um acordo acaba no fim deste mês. Se as negociações fracassarem --o cenário mais provável no momento--, as conversas recomeçariam no próximo ano.

Arslanian, no entanto, não quer jogar ainda a toalha no chão. "Se houver disposição política de parte a parte, ainda se pode concluir [o acordo dentro do prazo]."

Para descrever o atual estágio das negociações, ele inventou um neologismo. "O combinado é que as ofertas seriam "pré-finais". Elas podem ser melhoradas", disse ele.

Apesar das declarações dos negociadores sobre o interesse de ter um acordo, parece que não existe disposição política para concluir as negociações dentro do prazo.

Os dois lados afirmam que deixaram muito claro quais são as condições indispensáveis impostas pelas partes para se chegar a um entendimento.

Mesmo assim, as ofertas trocadas estão longe de serem satisfatórias, de acordo com os negociadores da Europa e do Mercosul.

"Aquelas condições essenciais e indispensáveis não foram atendidas", afirmou Arslanian. Segundo ele, a proposta européia não garante que o volume atual de exportações agrícolas vá crescer.

Cotas de exportação agrícola

A oferta entregue anteontem ao Mercosul também inclui o parcelamento em dez anos das cotas de exportação agrícola que os europeus estão dispostos a dar. Foi justamente esse ponto que levou o Mercosul a suspender negociações em meados deste ano.

"Depois de termos suspenso uma reunião, eles voltaram a incluir o mesmo ponto na oferta", reclama o diplomata brasileiro.

Dentro do Brasil, o setor privado está dividido com relação à atuação do Itamaraty.

A indústria, representada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), apóia os negociadores. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) acusa os diplomatas brasileiros de terem "má vontade" em negociar com a Europa.

O Itamaraty se reunirá com representantes do setor privado na terça para avaliar os detalhes da atual proposta européia. Haverá, no mesmo dia, encontro intragovernamental para discutir o tema.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre blocos comerciais
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


    Voltar ao topo da página