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01/01/2007 - 10h32

Prefeitura vai desapropriar ex-moradia da Poli/USP

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JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
da Folha de S.Paulo

A Prefeitura de São Paulo deu início à desapropriação da Casa do Politécnico, a "Cadopô" da USP, um dos berços do movimento cultural e político da cidade nos anos 50 e 60 --quando o governador José Serra (PSDB) usava suas dependências para articular o movimento estudantil que o levou à presidência da UNE (União Nacional dos Estudantes) durante o regime militar.

O prédio de oito andares, no Bom Retiro (centro de SP), será um anexo do Arquivo Histórico Municipal, sob protestos do Grêmio da Poli, atual dono do imóvel, que defende a criação de um centro cultural na casa.

O arquivo mantém hoje 4,5 milhões de documentos que datam de 1555 a 1921. Por falta de espaço, há documentos guardados provisoriamente. A Cadopô deve receber registros históricos de 1922 a 1970.

Em dezembro, o prefeito Gilberto Kassab (PFL) publicou decreto que torna a área de utilidade pública, primeiro passo da desapropriação. Em seguida, fará uma avaliação do valor do imóvel para fixar uma proposta de indenização ao grêmio.

A diretora eleita da entidade, Haydée Svab, afirmou que a diretoria vai discutir se tentará impedir a desapropriação na Justiça. ""Nossa proposta é que um centro cultural seja incorporado ao projeto, não algo que ficará fechado, morto."

História

A Cadopô foi construída na década de 1950 para abrigar estudantes carentes que vinham a São Paulo cursar a Escola Politécnica da USP, que funcionava ao lado do terreno da casa.

O local recebeu moradores como o secretário de Estado da Cultura, o cineasta João Batista de Andrade, expulso da casa e da Poli pelo regime militar em 1964. Ele era militante do PCB.

"A casa tem uma história fantástica. O sétimo era o andar vermelho, por causa da atividade política dos grupos de esquerda. O Serra não morava, mas vivia lá fazendo reuniões. O Almino Afonso [ex-ministro] sempre ia dar palestras", diz.

A Cadopô foi usada como moradia estudantil até os anos 1970. Foi caindo em desuso com o tempo e sofreu invasões até 12 anos atrás, quando o grêmio obteve a reintegração de posse do imóvel na Justiça.

O imóvel acumulou dívidas e hoje há cerca de R$ 250 mil em pendências de IPTU, o que será descontado da desapropriação.

Especial
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