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12/03/2010 - 10h51

Futuro da educação é mistura de presencial com virtual, diz especialista

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CRISTIANE CAPUCHINHO
Colaboração para a Folha de S.Paulo

A expansão da educação a distância e a chegada de cursos dessa modalidade em universidades públicas enseja a discussão sobre o preconceito em relação ao ensino que não é presencial. Romero Tori, pesquisador do tema encampa a luta contra o título a distância e questiona a sensação de presença. "Existem alunos em um presencial que estão muito mais distantes do que no virtual", diz.

Em seu novo livro, "Educação sem Distância" (Editora Senac), TORI defende a integração dos dois modelos educacionais para atingir uma nova geração de alunos e prepará-los para o ensino continuado durante toda a vida.

Leia, a seguir, trechos da entrevista.

FOLHA - Por que o senhor questiona o termo "a distância"?
ROMERO TORI - O preconceito contra a EAD (educação a distância) vem da cultura arraigada de que para haver uma boa educação é importante que todos estejam presentes. Existe um erro na definição desse conceito porque o que se faz numa educação virtual é tentar eliminar a distância. O que é essa sensação de presença? Existem alunos em um presencial que estão muito mais distantes do que no virtual.

A nova geração já não sente mais da mesma maneira a diferença do presencial físico e do virtual. Eles estão no MSN, nas redes sociais.

FOLHA - Como o modelo presencial e o a distância se completam?
TORI - No presencial, o que há de melhor é a sensação de presença e a motivação que isso proporciona. Mas existem muitos professores que se acomodaram por ter os alunos como reféns em sua sala e deixam de criar atividades interessantes. O improviso não funciona no modelo a distância, pois o aluno está a um clique de se dispersar. Por outro lado, no modelo virtual já se percebeu a importância de encontros.

Proponho que tudo o que foi desenvolvido para melhorar o curso a distância seja usado no presencial, considerada a adequação ao objetivo da atividade. O ideal é aproveitar o encontro presencial para usar a possibilidade de interação em debates ou laboraTORIos.

FOLHA - Desde 2001 o MEC prevê que 20% das disciplinas de graduação possam ser virtuais, mas isso não é ser aplicado com frequência. A que o senhor atribui esse descompasso?
TORI - Ao preconceito e a uma visão errada do que é ensino virtual. Existe na cultura dos próprios alunos e dos professores a ideia de que EAD é não ter aula. Ela tem que ser vista como ferramenta.

Os estudantes que nasceram com internet não terão mais paciência para ouvir um professor à moda antiga, então o professor terá de ter um papel completamente diferente. Ele terá de usar a sua experiência e não seu conteúdo, já que com uma simples busca na internet qualquer estudante pode se tornar um expert no assunto de interesse. Os alunos têm de aprender a filtrar esse conteúdo, e os professores terão que ensiná-los a aprender.

FOLHA - Ainda se questiona a qualidade do conteúdo on-line. Como o senhor vê a avaliação qualitativa nessa mistura de modelos?

TORI - Muitas vezes a qualidade é medida pela quantidade de conhecimento jogada aos alunos, e não por quanto eles aprenderam. Acho que a mudança deve vir com o foco na avaliação e na aprendizagem, e não na quantidade de conteúdo. Já é comprovado que o aprendizado melhora com a participação do estudante e com sua motivação. O que não interessa é apagado da memória em seguida.

Deve se investir em verificar como está sendo o envolvimento do aluno, sua postura, sua motivação durante o curso. Depois pode-se calibrar o curso e direcioná-lo para ir atrás das informações que precisa.

 

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