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03/11/2005 - 10h36

Apesar de proibida, pacientes recorrem à vacina do sapo

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TATIANA DINIZ
da Folha de S.Paulo

Os índios katukinas, no Acre, são os detentores do conhecimento tradicional da vacina do sapo, o kambô. A palavra é usada tanto para se referir ao anfíbio Phylomedusa bicolor quanto ao etnofármaco obtido da secreção desse animal.

"Para os índios, o kambô é um remédio que tira a "panema", o estado de espírito negativo que causa doenças", comenta Bruno Filizola, coordenador técnico do Programa Brasileiro de Bioprospecção do Ministério do Meio Ambiente.

O programa concentra esforços para chegar à regulamentação do uso da vacina do sapo, hoje aplicada indevidamente em capitais brasileiras.

No mês passado, a digitadora S.F., 28, fez uma aplicação da substância em Brasília. "Soube que um índio do Acre estava na cidade e fui procurá-lo", conta. "O índio recomendou que eu tomasse quatro copos de água e fez cinco furinhos na batata da minha perna direita. Com a ponta de um canivete, passou a secreção do sapo em cada furinho e me mandou sentar numa cadeira num gramado. Comecei a sentir uma pressão muito grande na cabeça. Meus olhos se encheram de lágrimas e meu nariz começou a escorrer. Senti um mal-estar horrível. Na hora, cheguei a me arrepender de ter feito aquilo. Vomitei várias vezes durante aproximadamente 20 minutos. Depois estava me sentindo muito bem. Saí de lá mais leve e hoje, duas semanas depois, tenho muito mais disposição para fazer tudo que preciso", diz.

Embora já bastante difundido nos centros urbanos do país, o uso do kambô é proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). E, enquanto o Ministério do Meio Ambiente busca desenvolver pesquisas para o desenvolvimento de remédios a partir da secreção do sapo, mais de 20 pedidos de patente da substância já foram feitos por laboratórios estrangeiros. Há rumores que, em 2004, um laboratório norte-americano chegou a vender a vacina pela internet.

"Estamos buscando uma forma justa, ética e segura de transformar o kambô em algo sustentável. Qualquer remédio que apareça baseado no conhecimento tradicional deve levar à repartição de benefícios com a comunidade detentora desse conhecimento", ressalta Bruno Filizola.

Também é do coração do Acre que vêm os florais da Amazônia, cuja pesquisa é liderada pela terapeuta floral Maria Alice Campos Freire, da ONG Centro Medicina da Floresta. "Os florais já estão no mercado", diz Maria Alice. "São essências de um poder impressionante porque recorrem à força original da floresta intocada. Nos últimos dois anos, a procura vem aumentando bastante", relata Lizete de Paula, proprietária da Florescentia Essências Florais, que comercializa os florais no Rio de Janeiro. O assunto estará em pauta durante o 2º Conflor - Congresso Brasileiro de Florais Nacionais (de 12/11 a 15/11, no Rio).

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