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09/07/2006 - 17h42

Itália supera tabu, vence França nos pênaltis e é tetracampeã do mundo

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THIAGO BARROS RIBEIRO
da Folha Online

Demorou 24 anos, mas, enfim, os italianos podem novamente soltar o grito de "campeão mundial de futebol". Na final da Copa do Mundo de 2006, em Berlim, neste domingo, a Itália venceu a França por 5 a 3 nos pênaltis, depois de um 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e se tornou a segunda seleção do mundo a conseguir quatro títulos mundiais.

Esta foi a primeira vez em que a Itália conseguiu sair vencedora de uma decisão por pênaltis numa Copa do Mundo. A seleção acumulava uma série de três eliminações neste tipo de disputa: 1990, contra a Argentina, 1994, diante do Brasil e 1998, para a própria França. Nada melhor que um dia especial como o de hoje para superar um tabu tão indigesto.

O jogo mais importante do futebol italiano desde 1982 começou muito movimentado e, antes dos 20 minutos, já estava empatado em 1 a 1. Com um pênalti discutível, aos 7min, Zidane, cheio de categoria, abriu o placar e se tornou o quarto jogador a marcar gols em duas finais de Copas --os outros são Vavá, Pelé e o alemão Breitner. Aos 19min, o mesmo Materazzi que participara do lance do pênalti, aproveitou um escanteio para empatar, com uma potente cabeçada, e definir o placar do primeiro tempo.

A França criou as as melhores jogadas da etapa final, enquanto a Itália ameaçou apenas em cruzamentos à área. O gol, contudo, não saiu e o jogo seguiu à prorrogação, em que os franceses continuaram mais próximos de marcar, mas não conseguiram e acabaram decidindo o título com os italianos nos pênaltis.

Nas cobranças, Pirlo fez o primeiro da Itália e Wiltord empatou. Em seguida, Materazzi fez e Trezeguet mandou no travessão, deixando a Itália na frente. De Rossi e Abidal aproveitaram seus tiros, assim como Del Piero e Sagnol. No pênalti decisivo, Grosso bateu bem, no canto esquerdo de Barthez e deu o tetra aos italianos.

Com o triunfo, a Itália iguala o feito do Brasil em 1994, quando, após um jejum de 24 anos, a seleção de Carlos Alberto Parreira superou a própria Itália na final, redimindo-se do fiasco de quatro anos antes, quando fora eliminada nas oitavas-de-final, pela Argentina. Exatamente como a Itália, que, em 2002, sucumbiu, na mesma fase, diante da Coréia do Sul.

Mais do que isso, a conquista acaba por dar razão àqueles que, antes do início do Mundial, usavam a Copa de 1982, em que os italianos conquistaram o tri, para motivar a "Azzurra". Entre outras semelhanças, assim como naquele ano a delegação italiana chegou à Alemanha em meio a um ambiente conturbado por um escândalo interno de manipulação de resultados em seu campeonato nacional.

No banco italiano, Marcello Lippi entrou definitivamente para a história do futebol, tornando-se o primeiro treinador a ser campeão mundial por um clube --Juventus, em 1996-- e por uma seleção.

Agora, a Itália só enxerga o pentacampeão Brasil à sua frente em número de conquistas, ultrapassando a tricampeã Alemanha, os bicampeões Argentina e Uruguai, e França e Inglaterra, que ganharam uma Copa do Mundo cada uma.

Do lado derrotado, a França não conseguiu repetir, fora de casa, o feito de oito anos atrás, quando venceu um Mundial pela única vez. Entre os remanescentes daquela conquista, Zidane, o mais famoso e talentoso atleta francês, despediu-se dos gramados sem a glória que desejava. Ao contrário, foi expulso aos 5min do segundo tempo da prorrogação, após cabeçada em Materazzi.

O jogo

Logo no início da partida, Henry e Cannavaro se chocaram no meio do campo e o francês causou preocupação antes de conseguir voltar ao jogo.

Aos 5min, na primeira jogada de ataque da França, Malouda invadiu a área e se chocou com o italiano Materazzi. O árbitro argentino Horacio Elizondo viu pênalti no polêmico lance. Na cobrança, aos 7min, Zidane abusou da categoria e deu um leve toque por baixo da bola, que subiu, tocou no travessão e bateu dentro do gol, antes de voltar ao travessão: 1 a 0.

Com 9min, a França chegou outra vez, num cruzamento pela direita que Materazzi desviou e assustou Buffon. A Itália chegou pela primeira vez aos 14min, quando Thuram mandou para escanteio uma falta lançada à área por Pirlo.

Autor do pênalti, Materazzi se recuperou plenamente aos 19min. Pirlo bateu escanteio pela direita do ataque, o zagueiro subiu muito, ganhou do francês Vieira e cabeceou firme para o gol, superando Barthez, que ameaçou sair mas ficou no meio do caminho, e empatando a partida.

O jogo era mais movimentado do que o previsto, porém perdeu um pouco de seu ritmo veloz depois dos 20 minutos. Apenas aos 35min, a Itália chegou de novo. Luca Toni recebeu na área e foi travado pela defesa francesa ao concluir. No escanteio subseqüente, o mesmo Toni subiu bem e mandou no travessão de Barthez, quase virando o placar.

Até o fim da etapa inicial, a Itália foi melhor, ficando maior tempo com a bola e chegando ao ataque com mais freqüência. Entretanto, o placar permaneceu 1 a 1.

No segundo tempo, a Itália continuou se utilizando de escanteios para criar os lances de maior perigo para a França, como aos 4min. A França, porém, tinha em campo Zidane e Henry, dois jogadores que poderiam decidir o jogo a qualquer momento.

Aos 8min, Malouda invadiu a área pela esquerda e foi combatido por Zambrotta. Outro lance polêmico, mas dessa vez Horacio Elizondo não apitou o pênalti. Assim como no início do jogo, os times protagonizavam, a essa altura, um duelo com seguidas oportunidades, e a França chegava mais.

Aos 16min, a Itália conseguiu balançar as redes novamente. Mas Luca Toni, que concluiu um cruzamento de Grosso, estava impedido e o gol foi bem anulado pelo trio argentino. No minuto seguinte, Henry recebeu na entrada da área, avançou e bateu de direita, para boa defesa de Buffon.

Depois de um período sem chances, a Itália chegou numa cobrança de falta de Pirlo, da intermediária, que passou à direita do gol de Barthez, aos 32min.

A França continuou no ataque nos minutos finais, mas não conseguiu ameaçar seriamente a meta italiana e o empate levou o jogo à prorrogação.

Aos 9min, a França construiu sua jogada mais perigosa. Ribéry tabelou com Malouda e chutou cruzado, da entrada da área. A bola passou por Buffon e saiu muito próxima da trave esquerda. Aos 13min, Zidane tocou para Sagnol e foi para a área, completar o cruzamento do lateral. Buffon espalmou para escanteio.

O segundo tempo extra ficou marcado por uma cabeçada de Zidane em Materazzi, após uma discussão entre ambos, aos 5min. Horacio Elizondo, ajudado por seu auxiliar, expulsou com muita justiça o francês, num lance que manchou a atuação do atleta em sua despedida dos gramados.

Nas cobranças, Pirlo fez o primeiro da Itália e Wiltord empatou. Em seguida, Materazzi fez e Trezeguet mandou no travessão, deixando a Itália na frente. De Rossi e Abidal aproveitaram seus tiros, assim como Del Piero e Sagnol. No pênalti decisivo, Grosso bateu bem, no canto esquerdo de Barthez e deu o tetra aos italianos.

Especial
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