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22/07/2004 - 11h00

Equipe brasileira de taekwondo vai a Atenas desfalcada de "guru"

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FÁBIO FLEURY
da Folha Online

A equipe brasileira de taekwondo vai a Atenas sem seu mestre. Depois de treinarem durante quase três meses na Coréia do Sul sob os olhares do técnico Pan San Jan, Diogo Silva, Marcel Wenceslau e Natália Falavigna disputarão sua primeira Olimpíada sem poder contar com os conselhos e o o respaldo de bastidores do treinador e guru.

Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, não houve tempo hábil para conseguir credenciais para o sul-coreano. Na opinião de Diogo Silva, que nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, no ano passado, conquistou a medalha de bronze na categoria até 68 kg, a ausência de Pan San Jan será sentida pelos atletas em diversos aspectos na Grécia.

"A gente não sabe com quem falar para saber o que aconteceu. Ficamos chateados, porque ele era uma peça muito importante e isso pesa. Mas não vamos ficar abalados, porque temos condições de disputar medalhar em Atenas", afirma Diogo Silva.

O atleta, ao lado de Wenceslau, Natália e do técnico José Palermo Júnior, o Tilico, foi à Coréia do Sul em abril. A princípio, os quatro passariam apenas um mês em Seul, treinando. Apesar das regras e da disciplina rígida, Diogo e Marcel decidiram permanecer mais dois meses.

"O regime lá era militar, tínhamos que estar de pé às seis da manhã, todos os dias, e até que bater continência. Os treinos eram muito puxados. Mas o que aprendemos lá valeu a pena. Ficamos fazendo muito trabalho tático e, em termos de correção de golpes e táticas de combate, melhoramos muito. Não fomos lá aprender a técnica, porque o golpe é universal, mas para corrigir os movimentos. Na hora do combate, os erros fazem toda a diferença", avalia o atleta.

Durante a estadia na Coréia, os brasileiros ficaram alojados em uma escola em Seul, treinando com Pan, considerado um dos principais técnicos do país que criou o taekwondo. "É muito raro, por exemplo, um técnico comandar a equipe coreana mais de um ano. Ele foi o único que ficou três anos no cargo", conta Diogo Silva. Pan San Jan trabalha com a equipe brasileira desde o ano passado, antes dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo.

Segundo o atleta, a falta do treinador pode pesar, inclusive, nas decisões dos juízes das lutas. "No taekwondo, respeita-se muito a hierarquia, e o Pan é o treinador mais velho. De todos os países que vão para a Olimpíada, de 80 a 90% têm técnicos coreanos. Quando há um empate, por exemplo, a decisão dos juízes pode ser baseada nessa hierarquia, na política."

Para Silva, a dedicação dos coreanos ao taekwondo é comparável à relação entre os brasileiros e o futebol. "Lá, o taekwondo é matéria escolar, consta do currículo, é como se fosse uma escolinha de futebol. O trabalho de base é feito nas escolas, as crianças têm treinos táticos e técnicos bastante pesados a partir dos 12 anos. É muita repetição, cansa. Por isso, é comum que o lutador, depois que sai da faculdade, pare de treinar", relata.

Em Seul, os atletas brasileiros conviveram com outros lutadores de diversos países que também estarão nas Olimpíadas, mas treinaram apenas com os coreanos. "Não treinamos com os lutadores de outros países, mas acho que estaremos bem preparados em Atenas. O taekwondo brasileiro tem condições de ficar entre os quatro melhores nos Jogos."

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