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05/04/2001 - 04h33

"Mira!" apresenta Cuba pelo olhar do cidadão comum

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SILVANA ARANTES, da Folha de S.Paulo

Pôr-do-sol na praça da Revolução, fim-de-semana na praia, Varadero. Por temer que as imagens de seu mosaico sobre Cuba pudessem estacionar na polícia de fronteira, os seis jovens realizadores de "Mira!", documentário que o festival É Tudo Verdade exibe hoje, na competição internacional (veja arte nesta página), colaram nas fitas com que deixaram a ilha etiquetas que faziam supor um conteúdo bem distinto do que realmente traziam.

Dois meses antes da partida, em dezembro de 1998, véspera do 40º aniversário da revolução, Sérgio Borges, 25, Leandro HBL, 23, Eva Queiroz, 22, Pablo Lobato, 24, João Flávio Flores, 25, e Filipe FCMC, 25, haviam desembarcado em Havana com a "desculpa" de acompanhar o festival de cinema da cidade -em que curtas de Borges ("Sonhos") e Lobato ("Macarrão com Cachaça") seriam apresentados.

Tinham também a intenção de produzir um filme sobre a realidade do país. E a negativa do governo cubano ao objetivo.

"Havíamos pedido autorização para filmar, e eles disseram que em razão da quantidade de jornalistas presentes ao festival não teriam como nos acompanhar bem. Decidimos viajar com câmeras digitais e super-8, mesmo correndo o risco de ter os equipamentos retidos", diz Borges.

A fiscalização não era tão rígida quanto os cineastas brasileiros podiam supor, e eles passaram 60 dias registrando conversas com cidadãos comuns e outros nem tanto, mas todos perfeitamente anônimos.

Encontrar seus "personagens" foi uma decorrência previsível do tipo de "turismo" adotado pelo grupo. "Como bancamos a viagem com pouca grana, nós nos hospedamos em casas de cubanos e só comíamos em restaurantes que aceitavam a moeda do país. Acabamos fazendo contatos com as pessoas", diz Borges.

Os "contatos" muitas vezes contradisseram "uma visão romântica de Cuba", presente no início da viagem. "Fomos muito surpreendidos, mas acho que conseguimos fazer um filme sincero a respeito dessa passagem", afirma.

O método de trabalho "a seis e sem hierarquia de funções" foi adotado desde a captação de imagens até a ilha de edição. "Foi uma experiência
intensa e riquíssima. Aprendemos a fazer e ouvir críticas", diz Borges. Tão rica e tão intensa que pede pausa. "Cada um de nós está cuidando de fazer um trabalho individual ou com a colaboração de mais um da equipe".
 

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