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01/06/2001 - 04h37

Zeca Baleiro faz show depois do "susto"

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DEMETRIUS CAESAR
da Folha de S.Paulo

O cantor e compositor Zeca Baleiro, 35, fica, pela primeira vez, um mês inteiro em cartaz com um show, no palco do Tuca. O espetáculo "Líricas", cujo nome é o mesmo do CD, estreou nacionalmente em São Paulo, em novembro do ano passado, e já percorreu parte do país. Mas a prova de fogo para o artista vai ser agora.

É um desafio e o cantor não está com medo, apenas um pouco
receoso. "Deve ser interessante tocar uma semana e poder voltar para o mesmo lugar depois. Não sei o que é isso. Das outras vezes, ficava no máximo três dias em uma cidade", afirma.

Zeca diz que agora é um bom momento para o show de "Líricas", disco recebido com muita estranheza à época de seu lançamento. Afinal, o cantor acabara de vender 100 mil cópias de "Vô Imbolá" (1999), tornando-se conhecido em todo o Brasil e, por isso, compositor requisitado -Wanderléa e Elba Ramalho foram as últimas beneficiadas da lavra de Zeca.

O show desse álbum era uma "quizomba", como ele o define, caótico e bastante animado pelas interferências eletrônicas que orientaram o trabalho.

O primeiro trabalho, "Por Onde Andará Stephen Fry?", de 1997, também deu disco de ouro (100 mil cópias vendidas) ao cantor.

Mas "Líricas" é o oposto. Só com violões e cordas, sem nenhum efeito de estúdio, o CD é introspectivo e melancólico. As maiores influências vieram do universo folk e do blues. "Foi um susto", como ele diz.

"Muita gente me perguntou se eu estava triste. Na verdade, com a correria toda de "Vô Imbolá", fiquei sem tempo para mim, sem vida pessoal. Ao final de um ano, passei a me questionar sobre várias coisas, e o disco foi uma forma de eu conseguir uma certa introspecção".

O show, consequentemente, vai pelo mesmo caminho. As músicas dos trabalhos anteriores foram adaptadas ao clima intimista. Foram abolidas até mesmo as percussões, e o cenário lembra um quarto de apartamento.

Depois do impacto inicial, as músicas de "Líricas" começaram a tocar no rádio, uma delas entrou para trilha de novela, um clipe ("Proibida pra Mim") rodou na MTV e, com o pé na estrada, Zeca já fez mais cem shows, assistidos por quase 50 mil pessoas.

Resultado: 90 mil cópias, quase a mesma quantidade do disco anterior, que lhe galgou ao sucesso.

"Desagradar o público, conservador por natureza, é saudável", brinca hoje o cantor. "Há muita gente abusando da pegada eletrônica nas novas gravações. Fazer um CD quase acústico é como se fosse um brado de liberdade".

Barítono intuitivo, Zeca diz que respira muito mal e, por isso, canta muito mal -é a opinião dele. Nunca tomou aulas de canto, nem de nenhum instrumento musical. É auditodidata completo.

Para compor, leva sempre um pequeno gravador, no qual deixa suas idéias para letras ou mesmo cantarola uma melodia para uma música. "De vez em quando, começo tudo no violão, mas preciso deixar gravado", conta. Tem a ajuda de uma fonoaudióloga, e só.

No palco, o maranhense Zeca (voz, violões de náilon, aço e baixo) -que assina também direção musical-, e só mais três músicos: Tuco Marcondes (violões de 6 e 12 cordas, dobro, gaita, baixo e vocais), Rogério Delayon (violão, bandolim, gaita, baixo e vocais) e Lui Coimbra (celo, charango, rabeca, baixo e vocais); um paulista, um mineiro e um carioca.

Convidados

Entre as novidades dessa temporada de "Líricas" estão as aberturas dos shows, sempre com um artista que tem alguma afinidade com Baleiro, apresentando quatro músicas (voz e violão).

Quem faz a estréia é a violonista e cantora mineira Ceumar, cujo CD de estréia, "Dindinha", foi produzido por Zeca e tem quatro músicas, inclusive a que dá nome ao trabalho.

As atrações de abertura dos próximos finais de semana serão o parceiro e conterrâneo de Baleiro, Nosly (de 8 a 10), que recentemente lançou o CD "Teu Lugar" pela gravadora Dabliú, a cantora Míriam Maria (de 15 a 17), o cantor e compositor Renato Braz (de 22 a 24) e, para encerrar a temporada (29 a 1º/7), a cantora Vange Miliet.

"Imaginei tudo como um recital, um concerto, um espetáculo para teatro mesmo, para escutar com a cabeça, mas nada chato", explica Baleiro.

Seu próximo projeto, que já lhe tomou quase um ano, é um CD com músicas baseadas nos poemas de Hilda Hilst, para vender em banca de jornal. Quer chamar um time de cantoras para interpretar suas músicas. Verônica Sabino já topou, e ele está atrás, agora, de Nana Caymmi e Ná Ozzetti, além de um patrocinador.

Show: Zeca Baleiro e Ceumar
Onde: Tuca (r. Monte Alegre, 1.024, Perdizes, tel. 3670-8453)
Quando: hoje; sextas-feiras e sábados, às 21h, e aos domingos, às 20h; até 1º/7
Quanto: de R$ 15 a R$ 30
 

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