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21/08/2000 - 12h33

Guimarães Rosa vira "Schindler" em SP

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CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo

Aos 92 anos, Aracy Moebius de Carvalho, viúva de João Guimarães Rosa, passeia calmamente pelo apartamento de seu filho, em São Paulo. Dona Aracy, como é chamada, já perdeu toda a sua memória. Mas uma parte marcante de sua vida será lembrada hoje, na inauguração de uma exposição em São Paulo.

Aracy conheceu Rosa em 1937. Ela trabalhava no consulado brasileiro em Hamburgo, na Alemanha, de onde o escritor de "Grande Sertão: Veredas" era cônsul-adjunto. Aracy era responsável pela preparação dos documentos para emissão de vistos para o Brasil. Rosa assinava as permissões na ausência do cônsul.

Juntos, eles ajudaram cerca de uma centena de judeus a sair da Alemanha entre 1937, quando judeus já eram perseguidos pelos nazistas, e 1942, ano em que Aracy e Rosa deixaram o país.

"Além de dar vistos para os judeus, ela emprestava o carro dela, que tinha chapa diplomática, e até distribuía alimento, já que a comida era muito racionada para os judeus", recorda o advogado Eduardo Tess, filho de Aracy.

Ele lembra que, por conta dos atos heróicos, o nome do casal foi incluído em 1985 pelo governo de Israel em um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém. Aracy está igualmente homenageada no Museu do Holocausto, em Washington.

A partir de hoje, o nome dos dois estará também numa casa na avenida Paulista com sobrenome quase igual ao do escritor.

"Ninguém conhece essa história de heroísmo do Rosa e principalmente de dona Aracy. É absurdo. Os "schindleres" brasileiros são nosso James Joyce e sua mulher", brinca José Roberto Aguilar, diretor do museu Casa das Rosas.

Segundo Aguilar, a homenagem à faceta "Oskar Schindler" (polonês tido como um responsável por salvar a vida de mais de mil judeus durante a 2ª Guerra Mundial) nasceu por acaso. Em meio às pesquisas para uma exposição sobre o universo poético de Rosa, ele topou com a história heróica do casal e resolveu relembrá-la.

Uma placa comemorativa será inaugurada hoje durante a abertura da mostra "Rosas Rosa - Emblemas e Movimento".

"A exposição pretende mostrar que Rosa não é somente um escritor. Ele criou um universo", explica Ana Teixeira, coordenadora de pesquisas da Casa das Rosas. Para tanto, foram convidados nove artistas e nove videoartistas, que trabalharam em duplas.

A artista Shirley Paes Leme e o videomaker Walter Silveira, por exemplo, fizeram um trabalho conjunto. Baseados no conto "Sanga Puytã", eles prepararam uma instalação em que a sala é toda vedada por gravetos. No centro do ambiente, está projetado o olho de uma vaca.

Já a dupla Caetano de Almeida e Tadeu Jungle trabalhou com obras diferentes, mas que dialogam. O videoartista Jungle criou um boneco em cujo rosto é feita a projeção de um ator lendo escritos de Rosa. Almeida fez um objeto e uma pintura que têm relação com os textos usados por Jungle.


Exposição: Rosas Rosa
Onde: Casa das Rosas (av. Paulista, 37, tel. 0/xx/11/251-5271, São Paulo)
Quando: hoje, às 20h; terça a domingo, das 12h às 20h; até 17 de setembro


 

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