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26/05/2003 - 02h31

Para Domenico De Masi, Brasil possui "cultura do equilíbrio"

GIOVANA MOLLONA
free-lance para a Folha Online, no Rio

O escritor Domenico De Masi, 65, é mais conhecido como pai do "ócio criativo", expressão que deu nome ao seu livro mais famoso --publicado aqui no Brasil pela Editora Sextante. De ócio, no entanto, a agenda do escritor não tem nada. Convidado da 11ª Bienal Internacional do Livro, De Masi chegou domingo (25) ao Rio e, do aeroporto, foi direto para o Riocentro, onde falou na palestra "O Futuro do Trabalho", tema de seu livro homônimo publicado pela editora José Olympo.

De Masi falou sobre o conceito que o trabalho tem hoje e de como ele é tão valorizado pelas pessoas, mesmo ocupando tão pouco tempo na vida de cada um de nós. "Digamos que uma pessoa viva até os 80 e trabalhe durante 40 anos. Nesta conta, o trabalho ocupa apenas 1/7 da vida adulta. Mesmo que se adote a dupla jornada, o tempo vago é ainda três vezes maior do que aquele gasto trabalhando. Ora, o que fazer com tanto ócio?", perguntou De Masi à platéia, completando que, mesmo assim, a família e a escola preparam o jovem somente para este 1/7 de sua vida adulta.

Já em relação ao conceito do trabalho, o escritor disse haver uma convenção social para classificá-lo que não leva em conta o seu conteúdo. "Considera-se que uma dona-de-casa que cuida dos filhos não trabalha. Agora, se ela for para uma creche cuidar dos filhos dos outros, aí ela está trabalhando", afirmou.

Equilíbrio

De Masi classificou em três os modelos de civilização encontrados hoje no mundo. Um deles é o modelo norte-americano e seu "fundamentalismo do consumo", como o próprio escritor definiu. O outro é o fundamentalismo árabe e sua exagerada devoção à religião. O escritor localizou ambos em extremos: enquanto o primeiro modelo é rico em recursos, o outro vive na mais completa
miséria. Porém, para De Masi, eles possuem um ponto em comum ao serem sistemas machistas, que diminuem o papel da mulher na sociedade.

O terceiro modelo, chamado de greco-latino, é considerado por De Masi o melhor deles e, de acordo com o escritor, o Brasil faz parte deste sistema. "Este modelo exalta a comunicação entre as pessoas, a alegria e a sensualidade. É a cultura do equilíbrio."

Mas não são somente os tipos de civilizações que chamam a atenção do escritor. Um dos pontos centrais de sua palestra foi mostrar como a organização do trabalho não está conseguindo acompanhar o desenvolvimento tecnológico, gerando assim o desemprego. "A tecnologia nos permite a cada dia trabalharmos menos e produzirmos mais. Para reverter o desemprego, a solução é reduzir drasticamente a carga horária de modo que todos trabalhem um pouco", disse De Masi.

Criatividade

Além da mudança na carga horária do trabalhador, De Masi ainda apontou a mudança da natureza do trabalho, que deixa de ser braçal e mecânico para cada vez mais ser em função da criatividade.
Neste caso, ele vê uma solução. "Hoje creio ser possível atingir um nível de atividades que misturem diversão, trabalho e estudo ao mesmo tempo. É o ócio criativo!", e completou: "Para mim, é uma boa notícia saber que hoje trabalhamos menos e produzimos mais. Sou napolitano e, como tal, muito parecido com os brasileiros", disse.

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