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03/06/2003 - 03h14

William Gibson reajusta foco de sua literatura ciberpunk

DIEGO ASSIS
da Folha de S.Paulo

Há 20 anos, seu passatempo preferido era prever o futuro. Representante máximo da literatura ciberpunk, subgênero hi-tech e esfumaçado da ficção-científica dos anos 80, o escritor americano William Gibson, 55, decidiu reajustar o foco em seu novo romance, "Pattern Recognition", lançado em abril no mercado de língua inglesa. Sua missão, agora, é entender o passado.

"[O livro] É ambientado em um passado recente, na verdade. Um passado quase inimaginável, bem mais desafiador do que qualquer coisa que eu pudesse ter inventado", afirmou por e-mail à Folha o cunhador do termo ciberespaço. Escrito em 1984, seu "Neuromancer", vencedor dos prêmios Hugo, Phillip K. Dick e Nebula, é reconhecidamente o primeiro texto a prever os contornos da internet.

"A realidade virtual alcançada hoje por meio de óculos e luvas de imersão é só a reinterpretação de um mito muito mais simples, poderoso e penetrante, que ainda estamos perseguindo", teoriza.

Mais difícil, sugere o autor em "Pattern Recognition" (que se traduz como "reconhecimento de padrões"), é assimilar os atentados de 11 de setembro de 2001, que têm presença significativa na história, e a evolução das táticas do capitalismo mundial, personalizadas na "cool hunter" (caçadora de tendências) Cayce Pollard.

"Pensei que estivesse inventando também as técnicas de guerrilha de marketing que cito no livro. Mas, depois que ele ficou pronto, descobri que todas as minhas técnicas "imaginárias" já vinham sendo testadas", disse o escritor, que "quase nunca lê ficção científica" e que, pelo jeito, está devendo uma visitinha ao Brasil.

Em determinado momento de "Pattern Recognition", abusando do estigma terceiro-mundista, Gibson solta: "Lá no Brasil, (...) as pessoas não distinguem muito entre a TV e a net"; ou então: "Esse povo iletrado, mas consumidor ávido de vídeo"... e por aí vai.

"Sempre me interessei em assitir ao impacto das novas tecnologias nos países que não aqueles que geram essas mesmas tecnologias. É o melhor jeito de constatar o que elas realmente fazem conosco", sugere o ciberpunk, cujo legado estende-se até hoje na tão comentada trilogia de "Matrix".

"Eles devem muito mais a Phillip K. Dick do que a mim. "Matrix" é como uma novela de Dick com um guarda-roupas de William Gibson", pondera o velho conhecido de Keanu Reeves, que viveu "Johnny Mnemonic" -baseado em um conto de Gibson de 1981- nos cinemas em 1995.

Embora "Pattern Recognition" esteja ainda sem previsão de lançamento no Brasil -até agora apenas dois de seus romances têm versão nacional: "Neuromancer", pela Aleph, e "Idoru", via Conrad-, a antologia intitulada "Futuro Proibido" trará uma boa amostra do Gibson contista.

Publicado na revista "Semiotext(e)", em 1989, o paranóico "Parasita Cerebral do Chapéu Hippie" explicita as influências em sua obra do beat William Burroughs (também presente na coletânea com "O Repórter da CIA" e "O Garoto Novo"). Completam a obra textos de J.G. Ballard, Bruce Sterling, Colin Wilson, Sol Yurick, Ruddy Rucker, entre outros.


PATTERN RECOGNITION
Autor: William Gibson
Editora: Penguin
Quanto: R$ 93,28 (416 págs.)
Onde encomendar: Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, SP, tel. 0/xx/11/ 3170-4033)

FUTURO PROIBIDO
Autores: Bruce Sterling, J.G. Ballard, William Gibson, William Burroughs e outros.
Editora: Conrad
Quanto: R$ 29 (224 págs.)
 

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