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12/12/2007 - 09h26

Material antigo não empolga mais, diz baterista do Radiohead

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THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

O Radiohead de canções pop, que existia na época de discos como "The Bends" (1995) e "OK Computer" (1997), não volta mais. E, por mais que tentasse, a banda ainda não é capaz de se libertar das engrenagens da indústria fonográfica.

De Oxford, em entrevista por telefone, o baterista do Radiohead, Phil Selway, 40 anos, conversou com a Folha sobre as mudanças ocorridas no Radiohead e sobre as mudanças proporcionadas pelo Radiohead.

A última delas modificou paradigmas da indústria da música. Em 1º de outubro, o Radiohead anunciou a chegada de "In Rainbows", o sétimo álbum de estúdio. No dia 10 de outubro, o álbum era oferecido por download -pelo preço que o fã desejasse pagar.

Foi a primeira vez que uma banda grande (23 milhões de álbuns vendidos no mundo) protagonizou uma ação tão fora dos padrões tradicionais. Mas o passo não significa que Thom Yorke (39, vocal), Jonny Greenwood (36, guitarra, efeitos sonoros), Ed O'Brien (39, guitarra), Colin Greenwood (38, baixo) e Selway tenham desistido do formato CD.

"In Rainbows", que segue as experimentações iniciadas em "Kid A" (2000) e "Amnesiac" (2001), será lançado em disquinho no Brasil no início de janeiro. Se lá fora a distribuição do álbum ficou por conta das indies XL (Europa) e TBD (Estados Unidos), por aqui o disco sai pela nova gravadora Flamil.

*

Folha- O Radiohead anunciou o disco "In Rainbows" em um dia e, pouco depois, o conteúdo já era colocado para download. Como aconteceu esse processo tão rápido?

Phil Selway - Na verdade, ocorreu um contraste entre o período de gravação, que foi demorado, difícil, e o de divulgação do disco. Queríamos mostrar o trabalho ao público o mais rapidamente possível, e de uma maneira que achávamos que seria interessante. E o álbum reflete a situação da banda: estávamos sem contrato, voltamos a ser independentes e conseguimos uma forma de comunicação direta com as pessoas que estavam interessadas. Após "Hail to the Thief" [penúltimo disco, de 2003], saímos em turnê e, depois, tiramos um tempo de folga. Voltamos com algumas idéias de canções, ensaiamos e levamos algum tempo para encontrar algo que nos estimulassse novamente, que fosse relevante. Levou um tempo grande para acharmos esse caminho. Trabalhamos com algumas pessoas, tocamos ao vivo... Estávamos meio acomodados, e trabalhar novamente com Nigel [Godrich, produtor dos últimos discos do Radiohead] foi uma das melhores coisas que fizemos. Ele nos ajudou a ter foco.

Folha - Vocês lançaram "In Rainbows" por download, sem intermediação de gravadora. Mas agora vão lançar o disco no formato tradicional, com o apoio de gravadoras. Não dava para o Radiohead escapar desse formato tradicional?

Selway - Se não lançarmos "In Rainbows" em CD, muita gente não conseguirá ouvir o disco. O processo de lançar primeiramente por download foi uma surpresa agradável, mas para esse outro lançamento precisamos de uma gravadora. Lançar o CD em grande escala não seria possível sem uma gravadora. Para entrar nesse negócio, teríamos que fazer do Radiohead uma gravadora; e aí não faríamos mais músicas, desistiríamos das turnês... É uma operação muito maior. Quando lançamos por download, esse sistema repercutiu de forma positiva entre os fãs e a imprensa, e é aquilo que reflete a forma como trabalhamos.

Folha - A iniciativa de deixar para os fãs decidirem quanto eles queriam pagar pelo disco "In Rainbows" foi criticada por algumas pessoas, que dizem que esse sistema seria prejudicial para bandas que não possuem tantos fãs. Você concorda com essa visão?

Selway - Chegamos a essa decisão de acordo com as músicas que tínhamos e com o que a banda representava naquele momento. Achamos que seria o apropriado. Não é que estamos tentando mudar o mundo da indústria da música, apenas lançamos do jeito mais efetivo e excitante que encontramos.

Folha - No futuro, vocês consideram fazer com canções o que fizeram com "In Rainbows": compor uma música e em seguida colocá-la na internet?

Selway - Sim, com certeza. Trazer uma espontaneidade que não teríamos se tivermos que esperar a criação de um disco. Será ótimo gravar uma música e colocá-la para down-load. Provavelmente faremos isso no futuro.

Folha - Você costuma fazer o download de canções de outros artistas?

Selway - Hã... Sim, sim. Faço muitos downloads pelo iTunes. Não consigo me entender com BitTorrent. Então utilizo basicamente o iTunes.

Folha - Qual o último álbum que você fez o download?

Selway - O disco de uma banda chamada Iron & Wine, "The Shepherd's Dog".

Folha - O Radiohead não é mais considerado uma banda pop ou de rock tradicional, mas uma banda "difícil", que faz experimentações. A decisão de mudar de direção após "OK Computer" foi consciente?

Selway - Vejo nossos álbuns sempre como uma reação ao disco anterior. Antes esse contexto era outro, afinal tínhamos contrato com a EMI. Neste novo disco, muito dele vem de nossa relação com Nigel. Essas coisas têm mais a ver com mudanças naturais do que com algo calculado. Não queremos cortar a forma como trabalhávamos antes apenas por mudar.

Folha - O Radiohead ainda tem muitos fãs que sentem falta de discos mais pop, como "The Bends" e "OK Computer". Aquele Radiohead nunca mais voltará?

Selway - Bem, não faria sentido ficarmos repetindo aquele tipo de canções, não é? Não sei se aquele material ainda pode nos empolgar como antes. Mas ainda tocamos algumas canções desses discos nos shows. Não as abandonamos completamente.

Folha - Ed O'Brien [guitarrista da banda] disse em entrevista à Radio 1 [emissora da rede britânica BBC] que o Radiohead poderia fazer shows no Brasil em 2008...

Selway - Ainda estamos trabalhando na turnê. Não temos nenhuma data confirmada para a América do Sul, mas queremos levar a turnê desse disco ao Brasil e a outros países daí.

 

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