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23/08/2003 - 08h42

Heleny Guariba é homenageada em "Revolta da Chibata"

VALMIR SANTOS
da Folha de S.Paulo

Ela estudou teatro na França e na Alemanha, onde frequentou o lendário teatro do dramaturgo e teórico Bertolt Brecht (1898-1956), o Berliner Ensemble; trabalhou com o diretor Augusto Boal; deu aulas no seminário de dramaturgia do Teatro de Arena; fundou o grupo Teatro da Cidade, em Santo André (SP); e desapareceu após passar por sessões de tortura durante o regime militar, no início dos anos 70.

A diretora teatral Heleny Ferreira Telles Guariba (1941-1971?) terá sua trajetória lembrada hoje, no Centro Cultural São Paulo (CCSP), numa homenagem (pronunciamentos de amigos e familiares) que precederá a apresentação do espetáculo "João Cândido do Brasil - A Revolta da Chibata", com o grupo Teatro Popular União e Olho Vivo, 37.

"Nada mais apropriado do que homenagear Heleny com a história de outro perseguido político brasileiro", afirma o diretor e autor César Vieira, 65.

A peça é baseada na vida do gaúcho João Cândido Felisberto (1880-1969), que liderou uma revolta de marujos em 1910, no Rio, contra os maus-tratos à base de chicotadas.

Como nas peças anteriores, o União e Olho Vivo criou o texto e a encenação a partir do processo coletivo --César Vieira arrematou a dramaturgia.

Estréia

A primeira montagem do Teatro da Cidade, "Jorge Dandin, o Marido Traído" (1968), do dramaturgo francês Molière, foi vista por cerca de 7.000 pessoas.

Faziam parte do elenco os jovens Antônio Petrin (atualmente em cartaz com "Um Merlin") e Sônia Braga, entre outros.

No ano seguinte, Guariba também montou "A Ópera dos Três Vinténs", do alemão Brecht, um dos seus autores preferidos.

A diretora foi casada com Ulysses Telles Guariba, hoje professor universitário em Assis (SP), onde também vive o filho mais velho do casal, Francisco, 40; o caçula João Vicente, 36, mora em Presidente Prudente (SP).

Heleny Guariba era ligada à organização Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Foi presa em março de 1971, em São Paulo, pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops).

Sofreu tortura por dois meses. Solta, foi detida novamente em julho daquele ano e enviada ao Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), no Rio de Janeiro.

Segundo testemunhas, ela foi torturada por três dias na "casa da morte", um dos aparelhos clandestinos da repressão, em Petrópolis (RJ).

"Toda lembrança é importante, principalmente para nós que praticamente não convivemos com a minha mãe, éramos pequenos. Convivemos, sim, com toda a história de luta dela", afirma João Vicente.

JOÃO CÂNDIDO DO BRASIL - A REVOLTA DA CHIBATA
Texto e direção:
César Vieira
Com: Teatro Popular União e Olho Vivo
Onde: Centro Cultural São Paulo - sala Jardel Filho (r. Vergueiro, 1.000, Paraíso, tel. 3277-3611)
Quando: hoje, às 21h30, e amanhã, às 21h
Quanto: entrada franca
 

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