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21/11/2003 - 03h26

Com surf music, Los Pirata lança CD de estréia

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LÚCIO RIBEIRO
colunista da Folha

Se o cineasta Quentin Tarantino conhecesse a banda, ela provavelmente faria parte da trilha de um de seus filmes. Se o badalado White Stripes já tivesse visto Paco Garcia, Loco Sosa e Jesús Sanchez em ação, poderia ser que a abertura dos shows dos heróis de Detroit ficasse a cargo do trio brasileiro.

A cena independente paulistana forja uma de suas mais interessantes bandas em muitos anos. De show explosivo, formação esquisita, músicas explosivas e esquisitas, perfil hispânico e com a mistura exata de excelência musical e alma indie, o Los Pirata lança agora seu suado CD de estréia.

"En una Onda Neo-Punque", o disco, lançamento do pequeno selo Volume 1, é uma avalanche de surf music, blues rasgado, country de raiz, rock dos anos 50 e um caldo muito, muito pop.

Para onde quer que se olhe, o Los Pirata é uma banda única. E vale descrever uma apresentação do grupo para entender a transformação de três amigos bem paulistanos nessa entidade que nem lembra direito porque canta em "portunhol", deve seu nome ao Didi Mocó. E conquistou ao vivo o direito de ser parente do eternamente adorado e seminal grupo americano Pixies.

O Los Pirata é formado por um careca (o baixista Jesús), um barbudo (o guitarrista Paco) e um barbudo cabeludo (o baterista Loco), e só o visual já puxa toda a atenção. Uma assuntada atenta na hora em que um show deles vai começar e é impossível não perceber que o som a ser produzido sairá de um duelo de uma guitarra Fender com uma bateria infantil. A mais divina das guitarras com uma bateria de brinquedo.

"Tirando o fato de que o Loco é um animal tocando e com uma bateria normal abafaria voz, baixo e guitarra, tem o lado da praticidade punk dentro do esquema independente", justifica Paco Garcia. "Como na maioria dos lugares em que tocamos não se faz passagem do som e não temos roadie, tornamos um show do Los Pirata muito fácil. A bateria é rápida de montar e carregar. A gente chega, pluga guitarra, baixo e mandamos ver."

Paco é a persona por trás de João Erbetta. Ele, Marcelo Effori (Loco) e Sérgio Villaça (Jesús), todos amigos trintões, mas com o "teen spirit" em dia, são "ratos" de estúdio e músicos requisitados para integrar turnê de artistas como Arnaldo Antunes, Moisés Santana e Lu Horta.
Mas quando incorporam os chicanos do Los Pirata a idade do trio diminui pela metade e a referência musical migra veloz e furiosa para o surf-punk, o country-rock, o citado Pixies e até Beatles.

E o que tem a ver o Didi Mocó e o portunhol? "Não sei direito como começou, para falar a verdade", (não) lembra Erbetta, ou Paco. "Quanto formamos a banda, lá por 2000, a idéia era fazer um som rápido, rockão que tivesse country, tipo power trio, e essa história de nome espanhol, letras em espanhol, apareceu em algum momento no meio disso."

"Quando o propósito da banda começou a ficar sério, as bobagens foram aumentando. E lembramos um quadro dos "Trapalhões" em que o Didi falava com a concordância própria dele que "os pirata" estavam chegando e resolvemos ser os tais piratas. Mas o Los Pirata, porque somos chicanos, claro", diz o guitarrista, que toca desde os 12 anos, tem 15 guitarras e já chegou a possuir 30.

O CD "En una Onda Neo-Punque" é formado por 14 músicas, um punhado de vinhetas e prelúdios e uma feliz inspiração punk pop de chacoalhar a cena e garantir um lugar dentre as poucas bandas independentes que não promovem o barulho pelo barulho, canta de modo inteligível, não debruça sobre a onda emo etc.

A faixa de abertura, "Nada", cuja letra é a repetição mil vezes da palavra do título até a frase-refrão pronunciada em coro ("en mi corazón"), é seguida de uma viagem surf da guitarra de Paco que aproxima o Los Pirata da trilha de "Pulp Fiction". A música é parte de um todo de canções ótimas com nomes engraçados: "Batechica", "No Sei", "Shirley Sala 3", "Si Pero No Mucho", "Xa La La".

"Nada" tem ainda um clipe com uma história impagável. O vídeo (a banda se espremendo diante de uma dessas câmeras de segurança do estúdio onde Jesús trabalha) foi deixado em cópia VHS na portaria da MTV, em 2001. Dois dias depois ligaram da emissora dizendo que o clipe ia ao ar no quadro "Os Piores Clipes". Dez dias depois, em novo telefonema da MTV, a informação era a de que "Nada" ia concorrer em duas categorias na premiação do VMB: a dos piores e a dos democlipes.

"En una Onda Neo-Punque" chega num momento em que o Los Pirata começa a despontar em festivais independentes e até a tocar em rádio. O caprichado site (www.lospirata.com.br) conta onde o CD pode ser comprado.

Surf music, Beatles, Hendrix, country, Pixies, neo-punk, letras em espanhol, bateria de criança, guitarra Fender, "Nada", Tarantino, "No Sei", barbudos, careca, tudo amassado em históricos 50 minutos. Tome tento.

EN UNA ONDE NEO-PUNQUE
Artista:
Los Pirata
Lançamento: Volume 1
Quanto: R$ 15 (www.lospirata.com.br)
 

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