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08/12/2003 - 10h07

Capixabas do Dead Fish lançam disco ao vivo e assinam contrato

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RICARDO TIBIU
Free-lance para a Folha de S.Paulo

A banda capixaba Dead Fish lançou recentemente pelo seu próprio selo, Terceiro Mundo, o tão aguardado disco "Ao Vivo". O público do hardcore já estava esperando. Afinal de contas, 12 anos se passaram e, com eles, duas demos, três CDs, um EP e um 4-way-split. Sem contar as participações em inúmeras coletâneas, e até mesmo o Peixe Morto, um projeto paralelo quase secreto que pariu um CD, "Metrofire".

O show foi gravado em 14 de dezembro do ano passado no Hangar 110, em São Paulo. O DF aquele dia foi: Rodrigo (voz), Alyand (baixo), Nô (bateria) e, nas guitarras, Murilo e Xande. Ao todo, a banda gravou 23 músicas, abrangendo suas diversas fases.

De "Sirva-se", de 98, veio o hardcore rasgado, adicionando melodias caóticas com temáticas mais politizadas, como "MST" e a controversa "Anarquia Corporation".

De "Sonho Médio", de 99, juntaram-se as bases mais elaboradas e letras vigorosas e conflitantes, como a faixa-título e "Mulheres Negras" --em que os instrumentos de cordas se calam e só resta a interação entre público e bateria.

Antes de executar "Por Paz", Rodrigo pede à platéia que repita uma ofensa à banda, semelhante àquela com que as torcidas adversárias do Vasco "saúdam" o cartola Eurico Miranda. Em uníssono, os presentes atendem ao inusitado pedido.

"Já não acredito tanto naquela letra, mudei de idéia sobre algumas coisas que escrevi", explica Rodrigo. "As pessoas não devem nos levar tão a sério, nem eu me levo mais. Pensei naquilo e foi divertido", conclui.

No meio da frenética "Afasia", faixa que dá nome ao terceiro CD, Rodrigo cita um trecho de "Sossego", do mestre Tim Maia.

"A letra [de "Afasia'] fala sobre não ser racional, sobre acreditar mais na loucura que na economia de mercado. Como gosto do Tim, achei legal colocar aquela música, que é completamente incoerente para o momento. Pensei que as pessoas ficariam insultadas, mas elas gostaram", explica o incrédulo Rodrigo.

Em meio ao hardcore, o DF encontra espaço para duas semibaladas rockers, "Noite" e "Me Ensina".

A apresentação termina com uma atormentada versão da negativa "Iceberg", com citação de "Blueprint", dos anti-heróis do Fugazi.

O DF prepara-se para dar um grande passo. Eles acabam de assinar um contrato com a Deck Disc, responsável por, entre outras coisas, revelar a roqueira Pitty.

O flerte com a gravadora é antigo, e, no começo deste ano, a banda chegou a participar da coletânea "Surf Rock", lançada pela Deck. O DF já tem oito sons inéditos gravados e, ao que tudo indica, o CD novo, ainda sem título, sai no primeiro semestre de 2004.

Os guitarristas se foram, por motivos pessoais. Chegaram o mineiro Philippe (ex-Reffer), que já havia feito uma breve passagem pelo grupo, e, de São Paulo, Tiago "Hóspede", do Aditive.

É com essa formação que eles pretendem atravessar a fronteira entre o underground e o grande público. No que depender da força acumulada ao longo desses anos, eles, sem dúvida, vão nadar e não vão morrer na beira da praia.
 

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