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13/12/2003 - 08h40

Dicionário "Aurélio" muda para Curitiba

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CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo

Depois de 28 anos, o dicionário "Aurélio" está mudando de casa pela primeira vez. A obra mais tradicional de referência sobre a língua portuguesa, que era publicada pela editora Nova Fronteira, agora é do Grupo Positivo, holding paranaense centralizado na área de educação.

O negócio foi fechado silenciosamente, com valores trancados a sete cadeados, na semana passada, na casa da viúva de Aurélio Buarque de Hollanda, a também dicionarista Marina Baird, 81, no Rio de Janeiro.

A empresa de Curitiba adquiriu todos os formatos da obra, lançada em 1975 e que, segundo a Nova Fronteira, já teria vendido 40 milhões de exemplares desde então.
O primeiro título a aparecer no mercado com o selo Positivo, ainda não utilizado para livros em geral, deve ser o "Mini Aurélio", já em janeiro.

Quem garante é o diretor administrativo e comercial do grupo, Giem Guimarães, que coordenou a transação. Segundo o executivo, o Positivo, que produz material educacional para 600 mil alunos em todo o Brasil, estaria coroando com a compra do dicionário mais tradicional do país uma estratégia de investimento pesado nas vendas governamentais.

As primeiras cartadas da empresa nesse segmento, especialmente usando o selo editorial Nova Didática, teriam rendido, segundo ele, a venda de 3 milhões de livros para o governo.

"Comprar o único dicionário do país aprovado com distinção é o investimento que fazemos para realizar o nosso sonho de trabalhar a escola pública", afirma. Empresa criada há 31 anos, a Positivo trabalha historicamente com a venda de um "sistema de ensino" para colégios privados.

Os dicionários serão incorporados em uma nova estratégia do grupo, que também tem destaque nos setores tecnológicos e gráficos (com a maior gráfica do país). Um software "Aurélio" deverá fazer parte do EPC, computador voltado para a educação que o Positivo lançou neste mês em parceria com a Microsoft e a Intel.

As novidades não devem ficar só nas telas do computador. O diretor do grupo paranaense promete edições revisadas, atualizadas e com novos projetos gráficos do "Aurélio".

A responsável por essas mudanças, Marina Baird, não quis comentar a venda do dicionário à Folha. A viúva de Buarque de Hollanda, e sua assessora por mais de 40 anos, esteve envolvida em diversas especulações desde julho deste ano, quando o contrato com a editora Nova Fronteira não foi renovado.

Carlos Augusto Lacerda, presidente da editora, sintetiza o final do "casamento de 28 anos" entre a Nova Fronteira e o dicionário da seguinte forma. "Passamos da fase do meu bem, para a fase de meus bens."

Lacerda diz que a detentora dos direitos autorais da obra estava pedindo quantias inviáveis pela renovação do dicionário. "A prova disso é que nenhuma das grandes editoras, que se especulou que comprariam o 'Aurélio', acabou bancando", sustenta.

Segundo ele, a migração do trabalho para o "universo dos cursinhos" é um mistério. "Só o tempo vai dizer se foi uma decisão acertada ou não."
Lacerda diz que a editora Nova Fronteira já trabalha "a todo vapor" na criação de um novo dicionário, a partir das experiências acumuladas com o "Aurélio".
 

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