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08/01/2004 - 08h39

"Ele foi um resistente", diz intérprete de Cartola

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free-lance para a Folha

A imagem do mundo como um moinho que tritura sonhos retomada pelo samba-enredo de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho encerra certo pendor melancólico característico da obra de Cartola.

Angenor de Oliveira (de)cantou como poucos a vida prosaica e os infortúnios do coração, em clássicos da música popular como "As Rosas Não Falam", "Alegria", "Alvorada" e "O Mundo é um Moinho".

"Ele foi um grande resistente", avalia Flávio Bauraqui, que vem de montagens como "Elis, Estrela do Brasil" (em que interpretava Jair Rodrigues), "Clara - Brasil Mestiço" e "Atlântida - O Reino da Chanchada", todos musicais, embora negue qualquer predileção pelo gênero.

"O Cartola era muito determinado e tinha grande talento", diz o ator. Cartola concluiu só o curso primário. Abandonou os estudos após a morte da mãe, aos 15 anos. "Ele lia muito; daí vem o lado refinado e poético de sua obra."

Embora tão associado à Mangueira (escola que ajudou a fundar em 1929, a partir da união de vários blocos existentes no morro, entre os quais o dos Arengueiros, criado com Carlos Cachaça, seu constante parceiro), Cartola nasceu no bairro do Catete e morou por três anos nas Laranjeiras.

"Obrigado, Cartola!" refaz a trilha ora ascendente ora errante do compositor, iniciado no mundo da música pelo pai, ao cavaquinho, e carimbado com a alcunha que o acompanhou pela vida por conta do chapéu que usava na juventude para proteger-lhe a cabeça, quando pedreiro.

"A relação dele com a Mangueira é uma espécie de comissão de frente, um abre-alas para o enredo", diz o diretor, Vicente Maiolino, 49. "Há um tom naïf no texto identificável com o espírito da Mangueira mais antiga e ingênua", conta. "Mas sem deixar de lado certa sujeira cênica que o aproxima da vida."

A duplicidade de personagens a cargo de Bauraqui é resolvida com figurinos e recursos vocais. "Bento tem uma voz e Cartola, outra", diz o diretor. "Mesmo com tons diferentes, Flávio busca uma aproximação; o resultado, emocionalmente, é impressionante."

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