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08/03/2004 - 10h16

Núcleo Temp alia ativismo, arte e música eletrônica

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GUILHERME WERNECK
da Folha de S.Paulo

Arte, música extrema, ativismo e diversão. Essa é a combinação que une DJs, VJs, artistas e ativistas no núcleo Temp, cuja expressão mais bem acabada são as festas como a que acontece no próximo sábado.

A articulação do núcleo Temp começou há dois anos, com o encontro de Daniel Gonzales, 24, e Bruno Tozzini, 20.

"Fui estudar cinema na Espanha e acabei convivendo com os movimentos antiglobalização e de squat parties [festas clandestinas de música eletrônica que, geralmente, acontecem em prédios ocupados]. Quando voltei a São Paulo, conheci o Bruno, que estava em contato com uma série de selos de música eletrônica, que, mais do que meros selos, eram organizações políticas e núcleos de festas", diz Gonzales.

Desse encontro nasceu a primeira festa Temp, no Orbital, que já agregava à música eletrônica intervenções em vídeo e performances.

Em um primeiro momento, as festas Temp usavam a definição do manifesto T.A.Z., do escritor e ativista Hakim Bey, que definiu as T.A.Z. (zonas autônomas temporárias, em português) como "realidades paralelas", existentes no mundo virtual e no real, que tornam possíveis insurreições psicológicas, políticas e de atitude.

"Com o desenvolvimento do Temp, o conceito de T.A.Z. ficou pequeno para nós", afirma Tozzini, citando intervenções realizadas pelo grupo na cidade. Entre elas, estavam a criação de uma oficina de grafite e de uma estação de rádio em um prédio ocupado pelo MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro) e a atuação do grupo durante o Buy Nothing Day (dia de não comprar nada), promovido pela organização Ad Busters, que critica e satiriza a publicidade.

"No Buy Nothing Day, fizemos intervenções como colar adesivos com o desenho de uma granada na vitrine da loja H. Stern nos Jardins e em telas de caixas eletrônicos do Bradesco", diz Gonzales.

Mesmo reunindo artistas, DJs e VJs, o Temp não se considera um coletivo, figura que voltou à moda entre artistas plásticos e músicos nos últimos anos. "Na verdade, não participamos dessa avalanche de coletivos, somos um núcleo de articulação, não somos coesos. Nossos aliados atuam de forma descentralizada. O Spetto, por exemplo, é o VJ institucionalizado, a galera da Radioatividade faz antiespetáculo [performances] e o SHN é o nosso braço para arte urbana", explica.

Mas qual é o cimento político que cola as idéias do Temp?

"Somos totalmente a favor do software livre, temos a intenção de combater organizações como o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio, mas não temos um foco centralizado, porque hoje em dia o inimigo não está centralizado. Não seguimos nenhuma cartilha política. Na verdade, o Temp é uma anarquia niilista", diz Gonzales, que enfatiza que, nas festas, a diversão é bem mais importante do que a política.

"Sabe a música do Beastie Boys que diz "lute pelo seu direito de se divertir?" O que a gente busca é a inversão dessa frase: divirta-se pelo direito de lutar."

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