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27/06/2004 - 06h55

Programas mostram fãs que fazem plástica para parecer celebridades

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BRUNO YUTAKA SAITO
da Folha de S.Paulo
THIAGO STIVALETTI
Free-lance para a Folha de S.Paulo

Eles bem que tentaram. O sonho dos moços era ter o rosto do cobiçadíssimo Brad Pitt. Conseguiram? A julgar pelo resultado, pode-se dizer que a cirurgia plástica ainda não é tão eficiente quanto a imaginação de seus adeptos. A dupla pode não despertar os sonhos de fãs, mas alimenta o circo de aberrações do mundo dos "reality shows".

Com a estréia de "I Want a Famous Face" (MTV), dos "irmãos Brad Pitt", sobe para três o número de atrações no ar que mostram cenas explícitas de intervenções cirúrgicas, na maior naturalidade. Completam o quadro "Extreme Makeover" (Sony) e a novela "Metamorphoses" (Record).

"São pessoas que vivem num mundo de fantasias. Às vezes, aparecem clientes assim no meu consultório, pedindo para ficar parecidos com famosos", diz o cirurgião plástico Sérgio Aluani, 43.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil só perde para os EUA em números de operações --50% são estéticas, e 50%, reparadoras.

Profissionais da área dizem que os americanos ultrapassam mais os limites na hora de usar a moda das plásticas nos programas de entretenimento. "Se alguma emissora tentasse lançar um "reality" como "Famous" por aqui, teria uma grande dor de cabeça com a comunidade médica e a sociedade", diz Álvaro Mesquita, diretor da clínica Perfect, que trabalha com plásticas há 15 anos. Opinião semelhante tem o também cirurgião Ewaldo Bolivar, um dos idealizadores de "Metamorphoses".

O diferencial de "Famous" é o fato de levar às últimas conseqüências a lógica dos "reality shows": nele, não há pudores. Produzido pela MTV americana, o programa funciona como um documentário sobre pessoas que já tinham operações marcadas.

Cris Lobo, diretora de produção da MTV Brasil, diz que "Famous" foi a fórmula que a matriz americana encontrou para adaptar um formato de programa muito em voga ao seu público cativo. Mas diz que não produziria uma versão nacional. "A MTV Brasil não é tão radical assim e prefere apostar em fórmulas mais seguras e que privilegiam o bom humor."

Fórmula nem tão segura, mas que tem chamado a atenção pelos bastidores, é "Metamorphoses". Agora um "reality show" assumido sobre plásticas, a produção fez o concurso "Garota Metamorphoses". A contemplada, Tânia de Oliveira, 25, recebeu como prêmios uma participação no programa e uma cirurgia plástica. "Penso em ter seios parecidos com os de Scheila Carvalho."

Aqui, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a influência de personalidades públicas é o terceiro motivo que leva alguém a uma clínica. Isso explica o surgimento de "frankensteins" locais, como confirmam os profissionais entrevistados pela Folha. "São comuns clientes que desejam certas partes da anatomia de celebridades em seus próprios corpos", diz Farid Hakme, 63.

Entram na lista de "pedidos" os seios de Gisele Bündchen, Syang e o "clássico turbinado" de Pamela Anderson; o bumbum de Scheila Carvalho e o nariz de Xuxa. O ranking segue, portanto, quem está na moda. "Há uns três anos, todas as mulheres que vinham aqui queriam ter os seios da Danielle Winits. Hoje ela está meio caidinha, então todas pedem os seios da Deborah Secco." Na esteira de "Celebridade", o bumbum de Juliana Paes tem lugar de honra.

Um dado que espanta os cirurgiões é o aumento de homens nos consultórios. Há dez anos, eles representavam cerca de 5% do total de clientes. Hoje, já são cerca de 30%. A faixa etária diminui cada vez mais, e eles também têm seus referenciais: o queixo e o nariz de Luciano Szafir e Reynaldo Gianecchini, o rosto de Marcello Antony e os hollywoodianos de sempre, Tom Cruise e Brad Pitt.

"As pessoas que me procuram nunca admitem que querem ficar parecidas com alguma celebridade, costumam trazer uma revista, que tenha a foto de algum famoso, e dizem que desejam um nariz daquele tipo", diz o cirurgião Ovídio Costa Ramos, 58.

Quem não tem vergonha não se acanha. O dr. Bolivar relata o caso de uma cliente que chegou com um desejo nada modesto: ficar igual a Vera Fischer. "Era uma moça baixinha, com rosto redondo e nariz de passarinho. Fiz uma simulação no computador. Conclusão: era mais fácil ela nascer de novo." Bolivar afirma que, quando acontecem situações assim, ele conta a verdade ao paciente. "Desempenho o papel de psicólogo", diz. Não são poucas pessoas que se revoltam com o diagnóstico. "Imagino que esses indivíduos vão, em seguida, procurar médicos picaretas, que prometem milagres, já que, às vezes, recebo pessoas que sofreram as conseqüências de operações malsucedidas."

Já o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional de São Paulo, Ithamar Stocchero, 53, diz que um profissional ético nunca faz uma operação do tipo. "Esses indivíduos jamais vão encontrar a felicidade, já que o sonho delas é ser outra pessoa, e isso elas nunca vão conseguir", diz. "Veja só esse rapaz, o Michael Jackson. Ele fez tantas operações que se tornou uma pessoa extremamente desagradável."

I WANT A FAMOUS FACE. Quando: hoje, às 23h, na MTV.
 

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