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05/07/2004 - 10h10

Exposição com 500 peças rascunha história da escrita

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ALEXANDRA MORAES
da Folha de S.Paulo

Juntas sob o vago critério da escrita, cerca de 500 peças formam "A Escrita da Memória". De uma pedra gravada no Saara em 5.000 a.C. a um projeto de 2003 de Oscar Niemeyer para o museu que leva seu nome, em Curitiba, a mostra percorre em ziguezague exemplos do que a escrita humana foi capaz de produzir, entre tinteiro do mar Morto, pincéis chineses e canetas esferográficas.

Um excerto dos 10 mil itens que compõem a Cid Collection, fomentada pelo dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, as peças que estão em exposição vêm de paragens e tempos tão distintos quanto o mosaico bizantino do século 3, o livro de adivinhação indonésio do século 19 feito em casca de árvore ou a carta do compositor Sergei Rachmaninoff pedindo "sopa de espinafre com torta de requeijão" a seus anfitriões na Seattle do século 20.

No samba do crioulo doido que é a reunião de documentos pelo mero critério da escrita, a curadoria do diretor do departamento de história da Unicamp, Leandro Karnal, se empenhou em aglutinar épocas, lugares e assuntos que, se não têm relação direta, pelo menos se aproximam ligeiramente, dentro das divisões "O Berço da Escrita", "Arte e Ciência" e "Poder e Cotidiano". "A mostra pode ser lida como história da arte, do poder ou da memória, que é como gostaríamos que fosse interpretada", diz o curador.

Em qualquer uma das leituras, uma miríade de documentos históricos ou curiosidades triviais se fazem notar. Numa enorme seqüência de documentos, aparece um exemplar do jornal francês "L'Aurore" publicado em 13 de janeiro de 1898, com a imensa manchete "J'Accuse...!" (Eu Acuso), da histórica carta aberta de Émile Zola ao presidente da França, sobre a condenação injusta do capitão do Exército francês Alfred Dreyfus, judeu, por traição.

Algumas vitrines adiante, há uma regulamentação expedida por Adolf Hitler sobre os uniformes dos oficiais nazistas, em 1936, e o artigo manuscrito "Pirro Socialista", do líder fascista Benito Mussolini, de 1921.

Os manuscritos são responsáveis pelas melhores surpresas da mostra. É difícil não encontrar ao menos um literato, compositor, cientista ou pintor digno da admiração do visitante e se deliciar com um pedaço em papel de seu cotidiano. O escritor russo Leon Tolstói, por exemplo, responde a um editor, em 1904: "Toda obra acabada perde para mim o interesse, mormente agora, quando estou ocupado com assuntos que me parecem mais importantes".

Manuel Bandeira escreve pedindo exemplares da "História da Literatura Argentina", de Ricardo Rojas, já que lhe faltavam quatro dos oito tomos. Jorge Luis Borges, num bilhete, reprova que as palavras "criollas" venham em itálico "como se as diferenciasse das outras, irreparavelmente". Monteiro Lobato escreve a Assis Chateaubriand sobre um de seus assuntos/obsessões favoritos: petróleo.

Já a princesa Isabel escreve ao seu pai, dom Pedro 2º, em 1866, quando se desenrolava a Guerra do Paraguai (1864-70), contando sobre um show de mágica a que havia assistido. "Se o Hermann pudesse fazer desaparecer o [Solano] López, seria a melhor pelotica que agora nos poderia fazer."

A ESCRITA DA MEMÓRIA. Inauguração para convidados hoje. Aberta ao público a partir de quarta-feira, dia 7. De ter. a sex.: das 10h às 17h30. Sáb. e dom.: das 10h às 16h30. Onde: espaço expositivo do Banco Santos (r. Hungria, 1.000, Jardim Paulistano, tel. 3818-9591). Quanto: entrada franca.
 

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