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11/10/2000 - 04h49

Fim do Superstation acaba com estilo diferenciado

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NELSON HOINEFF, da Folha de S.Paulo

A partir de novembro, um novo canal de documentários do National Geographic Society estará ocupando um slot (espaço de programação) dos operadores de TV por assinatura no Brasil. Essa é a boa notícia. A má notícia é que, com o National Geographic, desaparece o Superstation, um dos primeiros canais brasileiros de TV paga e, até hoje, o único independente.

O Superstation construiu sua grade com base nos programas jornalísticos e talk-shows que constituem a essência da TV aberta americana e muito possivelmente do específico linguístico do veículo. É talvez a única instância no mundo em que o espectador pode ver no mesmo dia o "Late Show", com David Letterman, e o "Tonight Show", com Jay Leno, que concorrem ferozmente no mesmo horário. Durante muito tempo, foi possível ver sequencialmente também os três mais importantes telejornais das concorrentes CBS, ABC e NBC (o único que ainda permanece).

A rede nunca chegou a produzir no Brasil, mas empacotou criativamente a melhor programação da televisão aberta americana. Começou na TVA e foi expulsa de lá para dar lugar ao medíocre canal Mundo. Agora deixa a grade da Net, na qual convive com 80 outras redes em nome da fragmentação, que substituiu a segmentação no ideário da TV por assinatura no Brasil.

O que isso representa emblematicamente consegue ser muito pior que o desaparecimento de um conteúdo tão rico. O processo de implantação das plataformas de TV por assinatura nos EUA, na década de 80, deu-se por meio da formação de redes de televisão cujos sinais encorajavam a criação de uma infinidade de operadores locais. As operadoras existiam para isso: distribuir a programação pluralista que se formava. Em menos de oito anos, quase 350 redes de televisão foram criadas, a maioria esmagadora independente. É útil lembrar que alguns dos maiores gigantes internacionais da TV por assinatura hoje -CNN, Discovery, Cartoon, ESPN, entre eles- têm apenas 20 anos e, em muitos casos, foram montados com menos de US$ 1 milhão.

No Brasil, a partir de 1991, quando começa a história da TV por assinatura no país, virtualmente nenhuma rede independente chegou a ser criada. A Superstation era a única, se excetuarmos os canais religiosos e os que contam com grandes instituições por trás. As poucas redes brasileiras que se formaram vieram a reboque das empresas que já mantinham operadoras. As da Abril (Bravo Brasil, ESPN Brasil, o natimorto CNA) ficaram no meio do caminho. Mantiveram-se as da Globo e a história, mais uma vez, se repetiu.

O irônico é que essa é a melhor parte da história. Das cerca de 250 redes que transitam por satélites sobre o Brasil, mais de 230 são empacotadas no exterior. O assinante brasileiro tem um bom painel das maiores redes de TV por assinatura que existem no planeta, mas nunca ficou sabendo o que é programação segmentada, muito menos que é possível fazer televisão no país fora dos padrões hegemônicos.

Com a morte da Superstation, enterra-se a única janela não-linear para a televisão aberta que se fazia fora do Brasil, o que é completamente diferente do que é produzido especialmente para a TV por assinatura. O extenso menu oferecido ao assinante brasileiro fica mais pobre em diversificação e, sobretudo, na exposição das possibilidades narrativas do veículo (que são bem mais visíveis em Letterman e Leno, por exemplo, do que em séries e documentários tão corretos quanto frios). Grades de 80 a 150 canais mostram-se incapazes de abrigar uma ou duas redes nem sequer desvinculadas das grandes corporações que, controlando o tráfego de sinais, exercem na prática o controle sobre o seu conteúdo.

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