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28/02/2005 - 10h27

Com casa lotada, Sinfonia Cultura faz seu concerto final

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TEREZA NOVAES
da Folha de S. Paulo

"Muito obrigado e até o próximo concerto." Após quase cinco minutos de aplausos, o maestro Lutero Rodrigues encerrou com tom esperançoso a apresentação da extinta Sinfonia Cultura, ontem no Sesc Belenzinho, região leste da cidade de São Paulo.

Os músicos realizaram um concerto de agradecimento ao público ontem pela manhã. Desde 1999, a orquestra realizava apresentações aos domingos no teatro da unidade do Sesc.

A Fundação Padre Anchieta, que também administra a TV Cultura, decidiu acabar com a Sinfonia Cultura por falta de recursos. Neste ano, segundo a fundação, o orçamento necessário seria de R$ 3,2 milhões.

Agora, há uma mobilização para encontrar um novo mantenedor para a orquestra, provavelmente uma empresa privada. "Nós não queríamos que hoje fosse uma manifestação política, está na hora de pensar no futuro", diz o maestro Lutero.

"É muito importante para a região, isso é algo que não existe na zona leste", afirma Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc-SP, que esteve no concerto de ontem. Ele não descartou que a entidade continue a ceder espaço para a orquestra, desde que haja o suporte de outros apoiadores.

Nos cinco anos em que tocou no local, a Sinfonia Cultura arrebanhou fãs das redondezas e de outras regiões da cidade. Ontem, o clima entre seus admiradores era de pesar.

Ao chegar, o público era convidado a participar do abaixo-assinado pedindo a manutenção do grupo, organizado pelos próprios ouvintes. O teatro, com capacidade para 300 espectadores, ganhou 50 cadeiras extras e algumas pessoas assistiram em pé ao concerto de 1h30.

"A gente não veio para se despedir, mas para dar uma força para eles ficarem", disse, entre lágrimas, Kioko Miragliotta, 60, pouco antes da apresentação.

Ao lado do marido, Calogero, 68, Kioko carregava um ramalhete de flores para entregar a Lutero, que foi professor de seu filho, também maestro. "O maior sonho de Deus é que as pessoas se comuniquem, e a música é isso, é o sonho do nosso Pai", afirmou Calogero, bastante emocionado.

"Aqui, houve a divulgação da música brasileira clássica, um trabalho que em nenhum outro lugar foi feito", elogiou.

Composições nacionais

Na despedida, não faltaram canções brasileiras --de Carlos Gomes (1836-96) a compositores contemporâneos, como Villani Côrtes. O concerto teve a participação das cantoras Luciana Bueno e Céline Imbert, que subiram ao palco sem cobrar cachê, assim como os demais músicos.

"Não tenho formação musical. Tudo o que sei, foi através dos concertos, que são muito didáticos", contou a aposentada Léa Márcia de Abreu Silva, 53, freqüentadora assídua.

Moradora da região, Léa aprendeu a gostar de música clássica assistindo à Sinfonia Cultura. "Antes não identificava nem o som dos instrumentos. Agora, assino a revista "Concerto" e me atrevi até a fazer uma assinatura da Sala São Paulo", contou.

Para presentear o maestro, Léa organizou uma caixa com todos os programas que guardou nos anos em que acompanhou a orquestra. "Quero que fique com ele, tudo o que aprendi com os músicos já está comigo."

"Depois que comecei a vir, as minhas segundas-feiras mudaram. A semana tinha outro sabor. Minha alma gosta disso, vou sentir muita falta", lamentou Léa.

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