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30/08/2005 - 09h21

Procuradora veta ofensa a índia na novela "A Lua me Disse"

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da Folha Online

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio recomendou à Globo, no último dia 29 de julho, que a "que não sejam mais transmitidas na novela 'A Lua me Disse' [19h] cenas que exponham a personagem Índia a situações constrangedoras ou degradantes". A informação é publicada hoje pelo colunista da Folha Daniel Castro.

Divulgação
Índia é empregada na casa de Ademilde
Índia é empregada na casa de Ademilde
Interpretada por Bumba, 73, a personagem Índia é empregada na casa de Ademilde (Arlete Salles). Ela ra constantemente humilhada pelas irmãs da patroa. A Globo, por sua vez, respondeu que a novela é uma obra de ficção e que já estava prevista uma reviravolta na história da personagem.

O MPF, segundo o colunista, considerou a resposta da Globo insatisfatória e estuda entrar com ação. De acordo com o órgão, as cenas exibidas com Índia "correspondem ao horário livre [das 19h]".

Bumba estreou na Globo em 2000, em "A Muralha", após ser descoberta por um produtor de cinema norte-americano.

Protesto

A Folha Online já havia registrado o protesto do movimento indígena contra os abusos sofridos pela personagem Índia. A produção da Rede Globo, assinada por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, foi acusada de difundir preconceitos contra os índios. Uma nota de repúdio foi até enviada ao Congresso Nacional.

Para o índio Olívio Jekupé, filósofo e escritor de uma comunidade próxima a Parelheiros, em São Paulo, a personagem ajuda a desmoralizar ainda mais a imagem do índio.

"Ela [a empregada da novela] está sempre sendo humilhada, é tratada como animal. O nosso povo já é visto erroneamente como atrasado, e a novela piora a situação. Acho que os autores da novela não têm noção do que estão escrevendo", reclamou.

"Ela é tratada de forma exótica, como se fosse um bicho. Ela é muito maltratada. E isso acaba sendo multiplicado, pois a TV tem uma grande capacidade de difundir imagens sintéticas nas mentes das pessoas. Esse não é o papel da televisão", afirma por sua vez o antropólogo Aloir Pacini, professor da Universidade do Mato Grosso e supervisor do Museu Rondon.

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