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16/09/2005 - 10h19

Joel Zito Araújo, de "Filhas do Vento", defende cota para negros

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LÚCIA VALENTIM RODRIGUES
da Folha de S.Paulo

Uma história pessoal fez Joel Zito Araújo, 50, voltar a suas próprias raízes. Com "Filhas do Vento", o diretor mergulha em sua Minas Gerais natal para contar as mágoas entre duas irmãs, separadas por 45 anos por conta de um mal-entendido, que se reencontram após a morte do pai.

"O filme surgiu das experiências das atrizes. Apesar de parecer uma antítese de 'A Negação do Brasil' [seu longa anterior, de 99], não foi algo pensado. A princípio, imaginei a biografia da atriz Ruth de Souza, mas, conforme conversava com o elenco, levantei boas histórias e enveredei pela ficção. É como se fosse um misto da vida da Ruth com a da minha mãe."

Uma mulher sonhadora, que sai de casa contra a vontade do pai para tentar ganhar a vida como atriz, se contrapõe a outra, que fica no interior, "cria raiz" e cuida de vários filhos. São três gerações de mulheres permeadas por reviravoltas e surgimento dos filhos.

Com um elenco majoritariamente negro, o cineasta --também negro-- diz que não quis fazer um filme panfletário. "Minha intenção foi fazer uma história de amor numa família negra, já que metade das famílias brasileiras é constituída por negros. O lado mais político é trabalhar uma história negra fora do estereótipo. Não é discussão racial. Quis apenas mexer com o imaginário de brancos e negros. Afinal, tenho de refletir sobre a realidade racial."

Para ele, é "absolutamente necessário" um sistema de cotas na sociedade, "porque a anormalidade das relações raciais no Brasil faz com que todo mundo esteja acostumado a ver o ator branco como representação da beleza e, até pior que isso, como representação do ser humano comum".

"Brinco com a imagem de uma vara torta. Só existe um jeito de estabelecer o equilíbrio: entortando para o outro lado. Se você só puxá-la ao centro, não volta ao normal. É essa a transformação que a gente tem de fazer."

"Filhas do Vento" ganhou oito prêmios em Gramado em 2004: diretor, atriz (Ruth de Souza e Léa Garcia), ator (Milton Gonçalves), ator coadjuvante (Rocco Pitanga), crítica e atriz coadjuvante (Thalma de Freitas e Taís Araujo).

"Louco para voltar a um set de filmagem", Araújo já tem dois novos projetos. Em fase de roteiro, "Rita" se inspira na canção de Chico Buarque para falar de dois amigos da velha-guarda da Vai-Vai (Milton Gonçalves e Jorge Coutinho), que descobrem uma possível filha. O segundo filme vai se passar em Salvador, com o turismo sexual como pano de fundo. "Esse é mais mais político e crítico. Devo experimentar mais."

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