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06/01/2006 - 10h36

Renato Aragão diz ser "vietcongue contra americanos"

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GABRIELA ROMEU
Colaboração para a Folha de S.Paulo

Um encontro de gerações marca o novo filme de Renato Aragão, "Didi, o Caçador de Tesouros", que estréia hoje. No longa-metragem, de época, o roteiro volta ao ano de 1945 para resgatar uma história familiar.

O elenco está também em família. Aragão contracena com a filha caçula, Lívian Taranto Aragão, 6, tão careteira quanto o pai. Em cena, o ator-mirim Mussunzinho é uma vaga lembrança do trapalhão Mussum. E os atores Cecil e Miguel Thiré (Samuel e Lucas Walker, respectivamente) invertem papéis de pai e filho.

Mas Aragão acredita que o reencontro do longa será com as gerações que assistiam aos filmes de "Os Trapalhões" nos anos 70 e 80, época áurea do grupo. "Eu queria dar um pouquinho a mais para eles [fãs dessa época] e não descontentar as crianças", afirma.

No filme, Didi Mocó, seu personagem de 45 anos, é um mordomo. Sem os antigos parceiros trapalhões, Didi divide as cenas de tombos, piadas e trocadilhos com o menino Pedro (João Paulo Bienemann), que quer provar que seu avô Lucas Walker é um herói, e não um desertor da Segunda Guerra Mundial.

A seguir, trechos da entrevista com o comediante, que, aos 70 anos e em seu 45º filme, fala sobre a carreira, afirma que a crítica está do seu lado e, incomodado ao ser questionado sobre a relação com Dedé Santana, diz que tenta retomar a parceria com o ex-colega.

Folha - Seu novo filme é um encontro de diferentes gerações...

Renato Aragão - Você já disse tudo, nem vou falar mais [risos].

Folha - Além de o roteiro falar do encontro de três gerações, o elenco reúne o senhor e sua filha, a família Thiré, o Mussunzinho. Esse roteiro tem uma razão especial?

Aragão - Não, sempre que faço o roteiro, penso em dar um pouco para os adultos e muito para as crianças. Neste, tentei um equilíbrio. Quando você falou em encontro de gerações, pensei em algo diferente. Minha intenção era agradar aos adultos que foram fãs dos meus filmes na época de "Os Trapalhões". Eu queira dar um pouquinho a mais para eles e não descontentar as crianças.

Folha - Então está aí uma tentativa de resgatar "Os Trapalhões" dos anos 70 e 80?

Aragão - Exatamente.

Folha - E como surgiu a idéia de sua filha caçula atuar no filme?

Aragão - Sou até contra, acho que ainda é cedo. Ela já tinha feito figuração, mas nesse filme veio me pedir: "Papai, quero entrar no filme completo". Perguntei: "O que é completo?". "Quero entrar no começo, no meio e no fim." Aí consenti, contanto que ela filmasse só na sexta, no sábado e no domingo, para não perder o colégio. Sabe, ela deu o recado bonitinho. Como pai, era um sacrifício vê-la filmar até às duas da manhã.

Folha - Mas o sr. já trabalhou com várias crianças, não?

Aragão - Pois é, o pai devia sofrer igual a mim hoje. Mas, se ela nasceu para isso, não tem como fugir.

Folha - O sr. está com 70 anos...

Aragão - Não levanta essa lebre, não, menina.

Folha - E o seu personagem Didi...

Aragão - Tem hoje 45 anos.

Folha - ...continua se apaixonando por beldades e vivendo amores platônicos no cinema.

Aragão - Ele vai tentando... Didi é um sonhador, o sonho é a única coisa que é de graça hoje em dia.

Folha - O sr. disse certa vez que já se preocupou mais com a crítica. E hoje em dia?

Aragão - Acho que a crítica agora está do meu lado, cansou de me discriminar. Às vezes, o crítico tem preconceito e pensa: "Se eu der uma opinião ótima para o filme do Didi, vou me comprometer com os meus colegas". É preciso ter um corajoso que diga que gosta quando gosta.

Folha - Em 2005, houve a perda do comediante Ronald Golias. Há renovação no humor?

Aragão - Tudo se renova. As pessoas que foram grandes exemplos deixam uma grande marca, como nosso amigo Golias. Morre um Golias e nasce outro para outra geração. Vai embora o Oscarito e nasce outro. É a vida. Mas ninguém vai deixar uma história tão marcante como a do Golias.

Folha - Como o sr. compara a produção dos anos 70 e 80 e a de hoje?

Aragão - Hoje a gente compete com filmes de US$ 100 milhões. Eu faço um com US$ 1 milhão. Em filmes como "Hulk", só um efeito especial dele paga um filme meu. É difícil, preciso usar meus ingredientes. É como um vietcongue contra bombas americanas.

Folha - Como está sua relação com o Dedé Santana. Pensa em reatar a parceria em algum momento?

Aragão - Não fala disso [mudando o tom de voz]. Não sei por que vocês futucam isso... Falo com ele, me dou bem. Vocês sabem da história mais do que eu, não precisam ouvir da minha própria boca.

Folha - A pergunta é sobre parceria. Pensam num trabalho juntos?

Aragão - Não houve atrito, nunca briguei com o Dedé, nunca fiz nenhum mal a ele. Pelo contrário, estou lutando para ele voltar a trabalhar comigo na TV Globo, pouca gente sabe disso. Então as pessoas falam coisas que provocam uma animosidade, e não é isso. Dizem que o Didi abandonou o Dedé. O que é isso? Foi ele quem saiu da Globo. Isso é feio, muito feio, e fico muito triste. Não sou vítima nem vilão. Ele teve seu problema com a Globo e saiu.

Folha - E o programa "A Turma do Didi", na Globo, o sr. está satisfeito com o horário em que é exibido?

Aragão - Estou muito feliz com o programa. (...) E vou te dizer em primeira mão: talvez eu faça dois especiais, além dele, no ano. Um deles em forma de cinema.

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