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11/07/2006 - 08h16

Saiba mais sobre a estilista Zuzu Angel

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da Folha Online

Conhecida por destacar a moda brasileira no exterior, Zuzu Angel (1921-1976) entrou para a história do país ao travar uma batalha pública contra o governo militar, após a tortura e morte de seu filho Stuart (o ativista político Stuart Angel Jones do MR-8).

Inicialmente divulgada como acidental, a morte de Zuzu Angel em 14 de abril de 1976, na saída do túnel Dois Irmãos da Estrada da Gávea, no Rio, só foi reconhecida como assassinato nos anos 90. Durante os cincos anos que precederam sua morte, a mineira de Curvelo --nascida Zuleika-- usou seu prestígio como criadora de moda brasileira para expor prisões, torturas e mortes promovidas pela ditadura militar no Brasil.

Separada do marido norte-americano, Zuzu garantiu o sustento dos filhos Ana, Hildegard e Stuart com as peças que desenvolvia e costurava. Entre o final da década de 60 e o início dos anos 70, Zuzu levou a Nova York combinações de baianas, cangaceiras e brejeiras destacadas pelo jornal "New York Times" em reportagem assinada por Bernadine Morris. "No meu país, eles acham que a moda é frivolidade, futilidade. Eu tento lhes dizer que moda é comunicação, além de garantir emprego para muita gente", afirmou Zuzu à jornalista.

Após a morte de seu filho, desenvolveu uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo --ícone de sua marca-- ferido e amordaçado tornou-se também o símbolo de Tuti, apelido do filho. Zuzu chegou a realizar, também em Nova York, um desfile-protesto, em uma apresentação realizada no consulado do Brasil.

Sua relativa celebridade permitiu ter acesso a informações que reuniu em um dossiê encaminhado à ONU e ao Senado norte-americano. Também entregou o documento ao então Secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, que visitava o Brasil. Aqui, passou a ser seguida, a receber ameaças pelo telefone e teve sua loja, no Leblon, incendiada.

Pouco antes do acidente que a vitimou, deixou na casa do músico e compositor Chico Buarque um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse e sentenciou: "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".

Especial
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