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26/12/2000 - 22h00

RETROSPECTIVA: Festa dos 500 anos teve gafes e confusões

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da Folha Online

Era para ser uma festa totalmente organizada. Afinal, o Brasil completava 500 anos. Mas o balanço final foi a queda de um ministro, pancadarias na Bahia, uma nau milionária que não chegou na época certa e uma exposição (essa sim) bem montada e vista por um recorde de pessoas.

Primeiro os desacertos:

1- O projeto da Nau Capitânia, réplica da caravela de Pedro Álvares Cabral que iria percorrer os mares brasileiros, naufragou, e a embarcação não saiu do lugar na data prevista. Em abril, a embarcação, que custou R$ 4 milhões, não chegou a Porto Seguro (BA) para participar das comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil por problemas técnicos.

Somente em agosto a nau conseguiu sair para seu destino.

2- O ministro Rafael Greca, responsábel por organizar toda a festa, teve que deixar o governo depois de denúncias contra a legislação e o controle de bingos no país.

3- No próprio 22 de abril, dia da maior festa, a comemoração cedeu lugar à pancadaria em estradas próximas a Porto Seguro (BA). Enquanto o presidente Fernando Henrique Cardoso recebia autoridades isolado pela segurança, policiais efetuavam a prisão de 140 pessoas, entre índios e manifestantes, em um confronto que rendeu 30 feridos.

A PM avançou sobre os índios, que fugiram na direção de Santa Cruz Cabrália. Alguns reagiram, disparando flechadas e jogando pedras. A polícia perseguiu os manifestantes por cerca de um quilômetro, soltando bombas, até dispersar totalmente o protesto.

O chefe da Casa Militar do governo baiano, Cristovam Rios, afirmou que as prisões foram feitas sob a acusação de alteração da ordem pública.

O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio) na época, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, pediu demissão logo após o confronto. Ao comentar o assunto, ele disse que o governo tem "temor ao povo".

4- Por fim algo que deu certo, mas por pouco. Com investimento de R$ 40 milhões, a Mostra do Redescobrimento -uma mega-exposição sobre a arte brasileira que fez uma revisão na história e na atualidade- por pouco não naufragou.

Apesar de reunir o maior acervo de arte já encontrado no país, a Mostra começou em abril com um preço que não tornava acessível a visita da população.

Depois de ter reconhecido o erro, o banqueiro e presidente da recém-criada Associação Brasil +500, Edemar Cid Ferreira, resolveu admitir que a R$ 15 (para ver os três pavilhões) e R$ 10 (para ver somente um pavilhão) a Mostra não era disponível à população de baixa renda.

Como resultado, mandou abrir os portões em vários feriados prolongados e depois reduziu o preço para R$ 5. E a Mostra consagrou-se com sucesso de público, recebendo 1,8 milhão de pessoas.

Pela primeira vez, o Brasil pode ver a Carta de Pero Vaz de Caminha, guardada por um grupo de seguranças dentro do pavilhão da Bienal, no Ibirapuera.

Depois de setembro, quando encerrou sua temporada na montagem de três pavilhões e um cinema de moderna tecnologia no parque Ibirapuera, a Mostra do Redescobrimento iniciou uma itinerância pelo país, dividida em módulos. Já passou pelo Rio de Janeiro, por Brasília e agora está em São Luís, no Maranhão.

O projeto da Mostra prevê também a viagem de alguns módulos da exposição ao exterior. A exposição foi dividida em Arte Contemporânea, Arte Popular, Arte Barroca, Negro de Corpo e Alma, Arqueologia, Carta de Caminha, Olhar Distante, Século 19, Arte Afro-brasileira, Arte Indígena, Arte Moderna e Imagens do Inconsciente.

  Veja galeria de fotos da Mostra do Redescobrimento

Veja especial sobre os 500 anos do Brasil

Leia notícias sobre os 500 Anos na época das comemorações

Clique aqui para ver toda a retrospectiva do ano 2000
 

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