Livraria da Folha

 
14/09/2009 - 16h42

Astrofísico acredita que a simetria é crucial para as leis da natureza e da matemática

PAULA DUME
Colaboração para a Livraria da Folha

A matemática é uma descoberta ou uma invenção? Para o astrofísico e matemático romeno Mario Livio, a pergunta não se refere à matemática, mas à filosofia e às ciências cognitivas.

Christian Colberg/Divulgação
Livio coordena a Divisão do Instituto de Ciências do Telescópio Hubble
Livio coordena a Divisão do Instituto de Ciências do Telescópio Hubble

Em entrevista à Livraria da Folha, Livio falou sobre as relações de simetria descritas no livro "A Equação que Ninguém Conseguia Resolver" (Record, 2008). Nele, Livio trata da representação simétrica dos núcleos das formas, leis e objetos matemáticos que, segundo ele, permanecem inalterados quando expostos a transformações. Assim, a simetria situa-se na interseção da ciência, da arte e da psicologia da percepção.

O volume retrata como os jovens Évariste Galois (1811-1832) e Niels Henrik Abel (1802-1829) revolucionaram a história da matemática ao decifrar uma equação de difícil solução. Das permutações e fórmulas matemáticas à disposição das órbitas, Lívio mostra como a simetria é tão crucial para as leis da natureza. "Eu estou convencido de que quase toda matemática deveria ter sido permeada por alguns princípios simétricos", afirma.

Livio utiliza-se de exemplos cotidianos para explicar e estreitar as relações entre simetria e percepção na obra. Haveria então limite entre elas? "Percepção é um processo complexo que ainda não compreendemos completamente. Simetria é somente um elemento que nos ajuda a entender outros processos", esclarece o astrofísico. O que difere é o tipo de matemática que escolhemos para se encaixar em um determinado problema.

Ele acredita que nós ainda não temos uma boa descrição científica da consciência humana, e a matemática pode vir a ter um papel importante nesta tarefa. Para Livio, se não houvesse a matemática, não teríamos um tipo de linguagem simbólica nem simétrica que descrevesse o universo. No entanto, "os processos em nosso cérebro é que interpretam a informação".

Com mais de 400 artigos científicos publicados, Livio contribuiu em estudos tanto no cálculo da expansão do universo quanto no da possibilidade de vida inteligente fora da Terra. De 1981 a 1991, foi professor do Instituto de Tecnologia Technion, em Israel, e paramédico nas Forças Especiais durante as guerras dos Seis Dias e de Yom Kipur. Em 1991, assumiu a Divisão do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial Hubble.

As obras "Razão Áurea" --que esclarece as ocorrências da razão áurea na natureza e na arquitetura, pintura e música-- e "A Equação que Ninguém Conseguia Resolver" foram publicadas no Brasil em 2006 e 2008, respectivamente. O livro "Is God a Mathematician?" ("Deus É Matemático?"), publicado recentemente nos Estados Unidos, será lançado em breve no país.

 
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