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01/02/2008 - 17h28

Mulheres-bomba matam ao menos 64 no Iraque

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Colaboração para a Folha Online

Ao menos 64 pessoas morreram e 107 ficaram feridas nesta sexta-feira devido a duas explosões de mulheres suicidas em mercados de animais de Bagdá.

Foi o pior atentado na capital do Iraque desde 18 de abril de 2007, quando um carro-bomba explodiu matando 116 pessoas.

Na primeira ação, uma mulher se explodiu no mercado de animais de Ghazil, no centro de Bagdá, provocando a morte de ao menos 46 pessoas e deixando 82 feridas, de acordo com a polícia. Os explosivos estariam sob o tradicional roupão islâmico preto.

Segundo uma testemunha, a mulher entrou no mercado dizendo que tinha pássaros para vender. As pessoas teriam se aproximado e ela apresentou a bomba sob sua roupa.

Depois de 20 minutos da primeira explosão, uma segunda mulher se explodiu em um mercado de pássaros na região sudeste de Bagdá. Ao menos 18 pessoas morreram e 25 ficaram feridas, de acordo com a polícia.

Os ataques ocorrem pouco antes do sinal matinal da oração islâmica, e vêm depois de uma série de atos violentos que têm terminado com a relativa paz conquistadas depois da chegada das novas tropas dos EUA.

Na terça-feira (29), um carro-bomba matou uma pessoa e deixou outras 15 feridas em um ataque a tropas dos Estados Unidos. A explosão foi em Mossul, capital da Província de Ninawa, cerca de 400 km ao norte de Bagdá.

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, não precisou o número de mortos, mas disse que por volta de 70 pessoas morreram nos dois ataques.

"Foram ataques cometidos por terroristas motivados por vingança e para mostrar que eles ainda podem parar o rumo da reconciliação", disse.

"Vestes suicidas"

O embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Ryan Crocker, disse que as duas explosões foram provocadas por mulheres suicidas e organizadas pela rede Al Qaeda.

A versão de duas mulheres-bombas foi confirmada pelo porta-voz do Exército do Iraque, Qassim al Moussawi. Ele acrescentou que as bombas foram acionadas remotamente por telefones celulares e que as suicidas teriam síndrome de Down.

Segundo Crocker, "Al Qaeda encontrou uma tática diferente e mortal de desestabilizar o Iraque. Eles foram danificados, mas ainda estão por aí e determinados".

"Ao invés de carros-bombas, o grupo estão usando 'vestes suicidas' usadas por mulheres", disse.

Mercado de Ghazil

O mercado de animais de estimação tinha ressurgido recentemente como centro de compras e passeio, com a melhora recente da segurança em Bagdá. No local já aconteceram vários atentados desde o início da guerra.

No dia 27 de janeiro de 2007, outra bomba explodiu no mercado, deixando ao 15 pessoas mortas.

No dia 23 de novembro de 2007, uma explosão matou 13 pessoas nas proximidades da explosão de hoje no mercado de de Ghazil, que funciona apenas às sextas-feiras. Nessa ocasião, a bomba foi colocada em uma caixa de pássaros.

"Muitas pessoas que vistam o mercado são pobres e querem apenas se divertir, mas eles vêm e são mortos", disse Hassan Salman, que vende pássaros no local.

No mercado vendidos animais exóticos, como cobras, papagaios, canários e outras aves, além de animais domésticos, como cachorros, gatos e pássaros.

O ano de 2008 havia começado com sinais de diminuição da violência no Iraque. Em janeiro, segundo um balanço do governo do país, 541 iraquianos morreram, o número mais baixo dos últimos 23 meses. Em janeiro de 2007, cerca de 2.000 civis morreram foram vítimas da violência no país.

No Iraque, segundo relatório recente da ONU, os confrontos entre xiitas e sunitas causaram, em 2006, a morte de mais de 34 mil civis e deixaram outros 36 mil feridos.

Com agências internacionais (France Presse Reuters e AP)

 

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