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30/04/2008 - 15h58

Primavera de Praga foi movimento para "humanizar" o comunismo

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FERNANDA BARBOSA
Colaboração para a Folha Online

A Primavera de Praga foi um movimento encabeçado pelo líder comunista Alexander Dubcek para "humanizar" o Partido Comunista na Tchecoslováquia que, na época, desagradou a ex-União Soviética (URSS) e os partidários do ditador Jósef Stalin.

Dubcek assumiu o governo da Tchecoslováquia em janeiro de 1968 e promoveu reformas políticas, sociais, econômicas e culturais. Ele pretendia criar um socialismo com "face mais humana", no qual todo membro do Partido Comunista teria o dever de agir segundo sua própria consciência, e não apenas de acordo com o que ditava o regime socialista de Moscou.

Ao mesmo tempo, a Tchecoslováquia (hoje República Tcheca) se aproximava economicamente da Alemanha Ocidental, o que se mostrava contra os interesses soviéticos.

CTK
Moradores de Praga cercam de tanques soviéticos, em 21 de agosto de 1968
Moradores de Praga cercam de tanques soviéticos, em 21 de agosto de 1968

Os efeitos da Primavera de Praga na Tchecoslováquia foram amplos. Com a liberdade de imprensa restabelecida, houve um retorno no interesse de formas alternativas de organização política.

Com isso, antigos membros do Partido Social Democrata, fundido à força com o Partido Comunista em 1948, tentaram restabelecê-lo.

Igrejas cristãs voltaram a ser ativas, assim como movimentos pelas minorias e pelos direitos civis. A ex-União Soviética se mostrou absolutamente contrária às mudanças, apoiada pela Polônia e pela Alemanha Oriental.

Dubcek recusou um convite para participar de um encontro com os líderes dos países do Pacto de Varsóvia [aliança assinada em 1955 pelos países socialistas do leste Europeu] e recebeu uma carta em 15 de julho dizendo que era seu "dever" conter o movimento contra-revolucionário pelo qual seu país estava passando.

Mas Dubcek acreditava que poderia resolver as diferenças com os vizinhos comunistas e compareceu a uma reunião posterior organizada em uma cidade eslovaca para realizar um acordo com os líderes socialistas.

Invasão

Porém, em 20 de agosto, as tropas da ex-URSS e do Pacto de Varsóvia invadiram e ocuparam a Tchecoslováquia, em uma tentativa de reprimir o movimento reformista.

Praga, hoje capital da República Tcheca, foi invadida por 650 soldados soviéticos e dos países do Pacto de Varsóvia. Em uma semana, a Primavera de Praga foi esmagada pelas tropas.

CTK
Moradores de Praga lançam tochas acesas e tentam conter avanço de tanque soviético
Moradores de Praga lançam tochas acesas e tentam conter avanço de tanque soviético

No entanto, politicamente, a invasão foi um fracasso. Autoridades soviéticas levaram Dubcek e outros líderes tchecoslovacos para Moscou, mas falharam em colocar um partido alternativo e líderes de governo que os eslovacos aceitassem.

A população reagiu à invasão pacificamente, com métodos de improvisação --as placas das ruas foram modificadas para que os soviéticos se perdessem.

A vida continuava como se as tropas do Pacto de Varsóvia não estivessem em Praga, apesar do corte nos meios de comunicação, da falta de suprimentos e da ausência de liderança.

O comitê comunista agendado para 22 de agosto elegeu um comitê central pró-Dubcek. A Assembléia Nacional também declarou lealdade ao líder, e manteve suas sessões plenárias.

Controle

No dia 23 de agosto, o presidente Svoboda, acompanhado por Dubcek, retornou a Praga para dizer aos socialistas qual seria o preço a pagar por ter um socialismo humano: as tropas soviéticas permaneceriam na Tchecoslováquia, e manteriam controles rígidos sobre as atividades culturais e políticas.

O congresso do Partido Comunista foi declarado inválido pelos soviéticos.

Em janeiro de 1969, um estudante cometeu suicídio em protesto contra as violações da independência nacional. A população se impressionou, e os movimentos pelo "socialismo humano" reiniciaram.

Gradualmente, Dubcek negou ajuda aos seus aliados, até que encontrou-se isolado.

A linha dura do partido se fortaleceu e Gustáv Husák substituiu Dubcek, em 17 de abril de 1969. Ele propôs a normalização das relações da Tchecoslováquia com a ex-URSS.

Fonte: Enciclopédia Britannica

 

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