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18/09/2002 - 00h18

Paraguai reprime ato de oviedistas; pelo menos cem ficam feridos

LÉO GERCHMANN
da Agência Folha, em Porto Alegre

A polícia paraguaia reprimiu nesta terça-feira (17) manifestantes partidários do ex-general Lino Oviedo, em ação com saldo de pelo menos cem feridos e 250 detidos, no centro de Assunção.

Os manifestantes concentravam-se acampados junto às entradas do Congresso. Os policiais, cerca de 2.500, usaram gás lacrimogêneo e jatos d'água para dissolver o protesto, que exigi a renúncia do presidente Luis González Macchi.

A organização do protesto diz que havia 13 mil pessoas no ato, com várias manifestações de apoio a Oviedo _que está exilado no Brasil desde 1999, quando foi acusado de mandar matar o vice-presidente Luis María Argaña. O governo fala em 5.000.

Líderes da Frente Patriótica Nacional (FPN), integrada por oviedistas e alguns outros opositores de Macchi, foram levados ao quartel central da polícia.

A alegação do governo para a repressão é que o Estado paraguaio estava sendo colocado em risco. Os protestos vêm ocorrendo desde o último sábado.

Proibido pelo governo brasileiro de fazer política, Oviedo usa emissários no Paraguai para organizar manifestações, dando mostras de liderança e abrindo caminho para ser candidato presidencial em 2003.

A FPN, teoricamente, é uma junção de partidos. Sua inspiração, porém, é oviedista. Por seu intermédio, Oviedo tenta contornar a proibição imposta pelo governo brasileiro em julho e prepara seu retorno ao país.

Os manifestantes definem o governo como "ilegítimo, inepto e corrupto". Anteontem à noite, o grupo se juntou à CNT (Central Nacional de Trabalhadores) em marcha por Assunção.

Oviedo já foi flagrado, em uma fita, pedindo a seus correligionários que "arranquem o país desses monstros". Ele mantém contatos telefônicos frequentes com seus aliados no Paraguai, mas evita uma exposição que coloque em risco o exílio. Sua preocupação não se resume a adversários. Parte dos que se dizem oviedistas tenta, sob o nome do ex-general, preparar alguma outra candidatura, o que é desautorizado por Oviedo.

Dissidentes
Um dos pré-candidatos, José Appleyard, se diz integrante da Unace (União Nacional de Cidadãos Éticos), grupo de dissidentes oviedistas dentro e fora do Partido Colorado _em tese, na situação. Oviedo o desautorizou.

Applayard se diz o representante de Oviedo e da "causa oviedista" dentro do Partido Colorado. "Fora do partido, o representante do general Oviedo é apenas o próprio general", diz.

Outro participante das prévias no Partido Colorado que tenta se aliar à imagem de Oviedo é Enrique Figueredo, que promete anistiá-lo. A proposta de uma anistia que inclua Oviedo e o ex-ditador Alfredo Stroessner se tornou moeda corrente no Partido Colorado. Seriam a "anistia ampla" e o "ponto final".

Destoando desses projetos de anistia, o pré-candidato presidencial que representa Macchi entre os colorados, Nicanor Duarte Frutos, diz que não dará anistia "para quem violou a lei", referindo-se a Oviedo. O ex-general foi condenado a dez anos de cadeia por tramar golpe de Estado.
 

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