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25/02/2003
-
04h25
da Folha de S.Paulo, em Washington
As últimas ações e declarações do presidente Hugo Chávez estão colocando em risco a eficácia e o próprio funcionamento do Grupo de Amigos da Venezuela, coordenado pelo Brasil e integrado por EUA, México, Chile, Portugal e Espanha.
Em conversas informais ontem, em Washington e em outras capitais dos países que compõem o grupo (incluindo Brasília), diplomatas manifestaram preocupação com a deterioração da situação política na Venezuela. Alguns questionaram abertamente a eficácia do grupo na situação atual.
Sem uma definição sobre como agir, o grupo decidiu marcar uma segunda reunião "de alto nível", a ser realizada no Brasil no começo de março. Embora a realização de uma segunda reunião já fosse prevista, um diplomata contou à Folha de S.Paulo que o encontro será vital para definir como (e "se") os "amigos" devem intervir neste momento.
Ironicamente, a nova crise foi detonada dias depois de o governo venezuelano ter firmado com a oposição um pacto de não-agressão. O presidente da principal entidade empresarial da Venezuela (Fedecámaras), Carlos Fernández, foi preso na quarta-feira (19). Depois, Chávez criticou a reação dos governos dos EUA, da Espanha e de Portugal e exigiu que o secretário-geral da OEA (Carlos Gaviria), "ponha-se em seu lugar", por ter expressado preocupação com a prisão de Fernández.
Ontem, o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Reeker, disse que os EUA estão preocupados com "a retórica do governo e algumas de suas ações que ameaçam o processo de diálogo". Segundo Reeker, "declarações inflamatórias como as atribuídas ao presidente Chávez não são úteis". Indagado sobre a prisão de Fernández, Reeker notou que, "pela Constituição da Venezuela, o Judiciário, e não o presidente, decide quais acusações devem ser feitas em casos criminais".
Fernández era visto pelo Grupo de Amigos como um dos principais interlocutores da sociedade civil venezuelana, assim como o presidente da Central de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Carlos Ortega, cuja prisão também foi ordenada, mas que permanece foragido.
Gaviria havia dito esperar que os direitos individuais de Fernández fossem respeitados. A resposta de Chávez a Gaviria, em seu programa dominical de rádio e TV, foi dura: "Doutor Gaviria, este é um país soberano. O senhor foi presidente de um país [a Colômbia]. Ponha-se em seu lugar".
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Declarações de Chávez põem em risco Grupo de Amigos da Venezuela
MARCIO AITHda Folha de S.Paulo, em Washington
As últimas ações e declarações do presidente Hugo Chávez estão colocando em risco a eficácia e o próprio funcionamento do Grupo de Amigos da Venezuela, coordenado pelo Brasil e integrado por EUA, México, Chile, Portugal e Espanha.
Em conversas informais ontem, em Washington e em outras capitais dos países que compõem o grupo (incluindo Brasília), diplomatas manifestaram preocupação com a deterioração da situação política na Venezuela. Alguns questionaram abertamente a eficácia do grupo na situação atual.
Sem uma definição sobre como agir, o grupo decidiu marcar uma segunda reunião "de alto nível", a ser realizada no Brasil no começo de março. Embora a realização de uma segunda reunião já fosse prevista, um diplomata contou à Folha de S.Paulo que o encontro será vital para definir como (e "se") os "amigos" devem intervir neste momento.
Ironicamente, a nova crise foi detonada dias depois de o governo venezuelano ter firmado com a oposição um pacto de não-agressão. O presidente da principal entidade empresarial da Venezuela (Fedecámaras), Carlos Fernández, foi preso na quarta-feira (19). Depois, Chávez criticou a reação dos governos dos EUA, da Espanha e de Portugal e exigiu que o secretário-geral da OEA (Carlos Gaviria), "ponha-se em seu lugar", por ter expressado preocupação com a prisão de Fernández.
Ontem, o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Reeker, disse que os EUA estão preocupados com "a retórica do governo e algumas de suas ações que ameaçam o processo de diálogo". Segundo Reeker, "declarações inflamatórias como as atribuídas ao presidente Chávez não são úteis". Indagado sobre a prisão de Fernández, Reeker notou que, "pela Constituição da Venezuela, o Judiciário, e não o presidente, decide quais acusações devem ser feitas em casos criminais".
Fernández era visto pelo Grupo de Amigos como um dos principais interlocutores da sociedade civil venezuelana, assim como o presidente da Central de Trabalhadores da Venezuela (CTV), Carlos Ortega, cuja prisão também foi ordenada, mas que permanece foragido.
Gaviria havia dito esperar que os direitos individuais de Fernández fossem respeitados. A resposta de Chávez a Gaviria, em seu programa dominical de rádio e TV, foi dura: "Doutor Gaviria, este é um país soberano. O senhor foi presidente de um país [a Colômbia]. Ponha-se em seu lugar".
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