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20/03/2003
-
05h51
Editor-assistente de Ciência da Folha de S.Paulo
A estudante paulistana Gabriela Brzenski, 26, tem motivos de sobra para se opor à guerra. Seu marido, o americano Anthony, 30, serve na infantaria americana e está desde a semana passada acampado na Jordânia, a 50 km da fronteira com o Iraque, esperando o ataque. Sua companhia deve ser a segunda a entrar em Bagdá em caso de invasão da capital iraquiana.
Gabriela e Anthony se casaram há seis meses e moram em Boca Raton, Flórida, onde ele trabalha como policial. Em novembro, ele se alistou como reservista para engordar o orçamento doméstico _receberia US$ 400 por mês. Dois meses depois, foi convocado.
No dia 11, Anthony embarcou para o Oriente Médio. Gabriela veio para o Brasil. O projeto da compra de uma casa foi adiado. Na melhor das hipóteses, ele volta para os EUA no fim de janeiro do ano que vem.
"Teve de parar tudo. Você larga tudo e congela sua vida por um ano", afirmou.
Apesar de falar com o marido quase todos os dias pelo celular, Gabriela não se consola: "Eu tenho gastrite, perdi noites de sono, perdi sete quilos. Não sei se ele está comendo, como está dormindo, porque ele não pode me dizer nada. Os celulares são monitorados pelo Exército americano e pelo inimigo".
Brzenski já lutou no exterior por duas vezes. Em 1992, na Somália, participou da célebre operação de resgate de tripulantes de um helicóptero americano que inspirou o livro "Falcão Negro em Perigo", de Mark Bowden. "Ele cresceu no serviço militar, ele admira muito o serviço militar", afirma Gabriela.
Para essa guerra, no entanto, "Tony" partiu sem convicção. "Ele acha que essa atitude do [presidente George W.] Bush é errada. Ele, assim como todos os rapazes da companhia dele [a 124ª Bravo], acham que a ONU, sim, deveria ser responsável por uma ação", disse a brasileira.
Gabriela afirma que o marido está arrependido de ter votado em Bush e que acha a ação no Iraque "horrível". Para ela, a guerra será "uma carnificina", que cobrará seu preço depois sobre a tranquilidade dos americanos no planeta. "Os EUA vão ser um país muito malquisto ao redor do mundo", afirma. "Estou a meses de pegar meu passaporte americano, mas vou ter vergonha de usá-lo."
Especial
Saiba tudo sobre a guerra no Iraque
Brasileira tem marido no front
CLAUDIO ANGELOEditor-assistente de Ciência da Folha de S.Paulo
A estudante paulistana Gabriela Brzenski, 26, tem motivos de sobra para se opor à guerra. Seu marido, o americano Anthony, 30, serve na infantaria americana e está desde a semana passada acampado na Jordânia, a 50 km da fronteira com o Iraque, esperando o ataque. Sua companhia deve ser a segunda a entrar em Bagdá em caso de invasão da capital iraquiana.
Gabriela e Anthony se casaram há seis meses e moram em Boca Raton, Flórida, onde ele trabalha como policial. Em novembro, ele se alistou como reservista para engordar o orçamento doméstico _receberia US$ 400 por mês. Dois meses depois, foi convocado.
No dia 11, Anthony embarcou para o Oriente Médio. Gabriela veio para o Brasil. O projeto da compra de uma casa foi adiado. Na melhor das hipóteses, ele volta para os EUA no fim de janeiro do ano que vem.
"Teve de parar tudo. Você larga tudo e congela sua vida por um ano", afirmou.
Apesar de falar com o marido quase todos os dias pelo celular, Gabriela não se consola: "Eu tenho gastrite, perdi noites de sono, perdi sete quilos. Não sei se ele está comendo, como está dormindo, porque ele não pode me dizer nada. Os celulares são monitorados pelo Exército americano e pelo inimigo".
Brzenski já lutou no exterior por duas vezes. Em 1992, na Somália, participou da célebre operação de resgate de tripulantes de um helicóptero americano que inspirou o livro "Falcão Negro em Perigo", de Mark Bowden. "Ele cresceu no serviço militar, ele admira muito o serviço militar", afirma Gabriela.
Para essa guerra, no entanto, "Tony" partiu sem convicção. "Ele acha que essa atitude do [presidente George W.] Bush é errada. Ele, assim como todos os rapazes da companhia dele [a 124ª Bravo], acham que a ONU, sim, deveria ser responsável por uma ação", disse a brasileira.
Gabriela afirma que o marido está arrependido de ter votado em Bush e que acha a ação no Iraque "horrível". Para ela, a guerra será "uma carnificina", que cobrará seu preço depois sobre a tranquilidade dos americanos no planeta. "Os EUA vão ser um país muito malquisto ao redor do mundo", afirma. "Estou a meses de pegar meu passaporte americano, mas vou ter vergonha de usá-lo."
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