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16/06/2009 - 17h27

Sem provas de fraude, especialistas apontam indícios de manipulação no Irã

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colaboração para a Folha Online

Diante das reclamações de que a eleição presidencial iraniana da última sexta-feira foi marcada por fraudes, os apoiadores do presidente Mahmoud Ahmadinejad respondem com o argumento de que até agora não foi apresentada nenhuma prova de irregularidade. O ônus da prova, alegam, está com os partidários do reformista ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi, que tomam as ruas de Teerã denunciando manipulação dos resultados para beneficiar o presidente.

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Nenhuma prova surgiu após quatro dias de protesto, mas um conjunto de indícios coloca em dúvida os resultados divulgados pelo Ministério do Interior iraniano.

Uma das questões centrais é saber como 39,2 milhões de cédulas puderam ser contadas a mão a tempo de o resultado oficial ter sido divulgado em 12 horas. Em eleições passadas, com menor participação de eleitores, esse tempo foi pelo menos duas vezes maior.

Especialistas apontam ainda que, a cada parcial divulgada pelo ministério, Ahmadinejad mantinha-se com o dobro de votos de Mousavi, o que é incomum, porque votos vindos de regiões diferentes do país deveriam resultar em alguma variação na proporção de votos --especialmente porque o apoio ao presidente é maior na zona rural que nas grandes cidades do país.

Ahmadinejad venceu a eleição inclusive nas Províncias em que a minoria étnica azeri, a mesma de Mousavi, é majoritária. Além disso, o clérigo reformista Mehdi Karubi, que conseguiu apenas 0,85% dos votos na sexta-feira, segundo os dados oficiais, teve 17% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2005.

Mousavi diz que algumas das estações de votação fecharam cedo, enquanto havia eleitores na fila e afirmou que representantes de sua candidatura foram expulsos das estações de votação, embora cada candidato tivesse direito de manter observadores nos locais. Ele não apresentou provas dessas alegações.

Contagem

Um novo sistema informatizado pode ter ajudado a acelerar o processo de totalização dos votos nos centros urbanos, onde a maioria dos iranianos vive, mas não está claro se esse sistema foi levado a todas as pequenas cidades e vilas.

"Eu não diria que é completamente impossível", disse Michael Meyer-Resende, coordenador do instituto alemão Democracy Reporting International. "No caso do Irã, é claro, você se questiona se os desafios logísticos poderiam permitir fazê-lo tão rápido."

Susan Hyde, professora assistente da ciência política na Universidade Yale, que participou de missões de acompanhamento eleitoral em países em desenvolvimento para o Centro Carter, concordou que a apuração foi incomumente rápida.

O Ministério do Interior divulgou milhões de votos apenas uma hora e meia após o fechamento das estações de voto. Ao longo das quatro horas seguintes, houve atualizações quase horárias, com cerca de 5 milhões de novos votos cada.

Apesar desses indícios, não há consenso sobre a existência de uma fraude que tenha alterado o resultado da eleição.

"Pessoalmente, penso que é perfeitamente possível que Ahmadinejad tenha recebido mais de 50% dos votos", disse Konstantin Kosten, um especialista em Irã do instituto Conselho de Relações Exteriores da Alemanha, que passou um ano no Irã, entre 2005 e 2006. Ele afirmou, no entanto, que "deve haver um exame das alegações de irregularidades, como exigido pelo governo alemão."

Arshin Adib-Moghaddam, professor de política no Oriente Médio da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, disse que um grande processo de fraude exigiria a participação de poderosos órgãos consultivos, incluindo aqueles em que um dos outros candidatos, e um aliado-chave de Mousavi têm opostos de destaque.

"Dado que Mohsen Rezai, um dos outros candidatos presidenciais, é o chefe do poderoso Conselho de Discernimento, por exemplo, é altamente improvável que ele não teria recebido qualquer informação de um plano estratégico para roubar a eleição", avalia Adib-Moghaddam.

Com Associated Press

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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