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16/07/2003 - 11h06

Militares promovem golpe em São Tomé e Príncipe e prendem premiê

da Agência Lusa, em Lisboa
da Folha Online

Um grupo de militares liderados pelo major Fernando Pereira, chefe do Centro de Instrução Militar de São Tomé e Príncipe, lançou hoje de madrugada, às 3h locais (0h em Brasília), um golpe de Estado no país com a detenção da primeira-ministra Maria das Neves, o ministro responsável pelo petróleo e vários outros ministros de Estado.

O presidente Fradique de Menezes está fora do país, em visita particular à Nigéria.

Os militares que tomaram o poder em São Tomé e Príncipe, antiga colônia portuguesa na África ocidental, criaram uma "Junta de Salvação" e divulgaram um comunicado no qual se comprometem a respeitar os princípios democráticos, apelando à comunidade internacional para que não intervenha.

São Tomé e Príncipe, onde recentemente surgiram notícias da existência de grande quantidade de petróleo, está na lista de países a serem visitados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem oficial à África.

Entre 3 e 10 de agosto, Lula deve visitar Angola, Moçambique, África do Sul, Namíbia e São Tomé e Príncipe.

No comunicado emitido pelos golpistas, a intitulada Junta Militar de Salvação Nacional diz que anunciará, nas próximas horas, "os órgãos e entidades que irão dirigir os destinos do país no período de transição".

O documento, lido na TV nacional por um jornalista acompanhado no estúdio por militares, declara que "estão destituídos todos os órgãos de soberania do país" e que os seus "antigos titulares estão sob tutela da Junta e garantida a sua total integridade física".

Declarando-se "interessados no bem-estar do povo são-tomense", os golpistas afirmam no texto que a intentona é "um reflexo das difíceis condições sócio-econômicas que o país atravessa" e da "instabilidade política instaurada pelo poder cessante".

Os motivos da insurreição poderiam ser uma série de pedidos apresentados pelos militares no mês passado solicitando em geral melhoras em suas condições de vida.

Presidente

O presidente Fradique de Menezes está seguindo atentamente e com "muita preocupação" a evolução da crise político-militar no país, para onde regressará logo que o aeroporto for reaberto, afirmou o chefe da diplomacia de São Tomé e Príncipe.

Segundo Mateus Meira Rita, que falava aos jornalistas em Lisboa, no final de uma reunião extraordinária do Comitê de Concentração Permanente da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Fradique de Menezes, em visita particular à Nigéria, mantém-se em contato com o seu homólogo nigeriano, Olusegun Obasanjo.

Meira Rita insistiu na idéia de que são elementos do batalhão "Búfalo" que estão por trás da tentativa de golpe. Este batalhão foi formado na década de 80, na África do Sul, e integra atualmente elementos da Frente Democrática Cristão (FDC), partido sem representação parlamentar.

Entretanto, o correspondente da Agência Lusa em São Tomé testemunhou o envolvimento de dirigentes da FDC na contestação ao governo, havendo elementos da Frente armados, a defenderem o quartel das Forças Armadas, onde se encontra a maior parte das autoridades detidas pelos golpistas.

Tentativa de golpe

A tentativa de golpe de Estado desta madrugada é a segunda verificada naquela antiga colônia portuguesa desde a independência, a 12 de julho de 1975.

A primeira ocorreu a 15 de agosto de 1995 e foi liderada por um grupo de jovens oficiais que ocuparam o palácio presidencial, detendo o então presidente, Miguel Trovoada, e colocaram sob residência fixa o primeiro-ministro Carlos Graça.

Sem derramamento de sangue, os líderes golpistas aceitaram negociar com o poder instituído uma saída para a insurreição, através da mediação de Angola.

Em 1996, Trovoada foi reeleito para um segundo mandato, que cumpriu sem grandes sobressaltos, tendo-lhe sucedido no cargo, nas presidenciais de 2001, o atual chefe de Estado, Fradique de Menezes.

Portugal

Portugal, ex-potência colonial, foi o primeiro país a condenar o golpe de Estado.

"Portugal não aceita que a ordem constitucional e democrática seja questionada em Sao Tomé e Príncipe por uma tentativa de golpe de Estado", declarou o ministro das Relações Exteriores português, Antonio Martins da Cruz.

Este golpe de Estado ocorre em um momento em que este pequeno país, um dos mais pobres do mundo com um Produto Interno Bruto de US$ 280 por habitante, espera os primeiros lucros gerados pelo petróleo encontrado em seu território.

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