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10/01/2004 - 04h31

Consumo quadruplica e ameaça, diz ONG

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RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

O consumismo desenfreado é a maior ameaça ao futuro da humanidade, não só esgotando rapidamente os recursos naturais do planeta, mas também piorando a qualidade de vida de muita gente, ricos e pobres.

Essa é a conclusão de um relatório divulgado ontem pelo Instituto Worldwatch, entidade ambientalista baseada em Washington que acompanha anualmente o "estado do mundo" e comemora agora 30 anos de fundação. O instituto argumenta com números.

O gasto em consumo privado chegou a US$ 20 trilhões em 2000, comparados a US$ 4,8 trilhões em 1960 (dados em dólares de 1995).

Dos cerca de 6,3 bilhões de seres humanos, 1,7 bilhão faz parte da sociedade de consumo, e quase metade já está em países em desenvolvimento, principalmente China e Índia.

Essa prosperidade não deixa de ter seu lado positivo, como reconhecem os autores do relatório "O Estado do Mundo 2004".

Muito mais pessoas têm acesso hoje a dietas e a meios de transporte e comunicação que no passado eram restritos a uma elite.

"Se não têm pão, comam brioche", diz a clássica frase atribuída à rainha Maria Antonieta, guilhotinada pela Revolução Francesa no século 18 por atitudes como essa. O Worldwatch argumenta, porém, que o desejo das massas pelo brioche está comprometendo o acesso ao pão para a maioria.

"O consumo, é claro, é necessário para a vida e o bem-estar e, se a escolha for fazer parte da sociedade de consumo ou estar entre os 2,8 bilhões de pessoas que mal sobrevivem com menos de dois dólares por dia, a escolha é fácil", afirma o presidente do instituto, Christopher Flavin.

"Mas, ao entrarmos em um novo século, esse apetite de consumo sem precedentes está solapando os sistemas naturais dos quais todos dependemos e tornando mais difícil aos pobres obter suas necessidades básicas", diz ele.

O furor consumista, ironicamente, também diminui a qualidade de vida dos mais ricos: traz obesidade e endividamento e faz as pessoas passarem mais tempo trabalhando para ganhar dinheiro apenas para satisfazer os sonhos de consumo.

Um bom exemplo da aceleração do ímpeto consumista vem da China, país que, no começo dos anos 80, tinha uma quantidade pequena de automóveis particulares trafegando em meio de milhões de bicicletas.

Em 2002 já eram 10 milhões os automóveis particulares chineses. A cada dia em 2003, cerca de 11 mil novos carros chegaram às ruas do país --um total de 4 milhões de veículos.

O governo chinês argumenta que cada novo carro feito no país emprega dois trabalhadores, e sua renda estimula outros setores da economia.

Mas, se o ritmo prosseguir assim, em 2015 a China teria 150 milhões de carros --mais dos que os EUA hoje.
Existem atualmente 531 milhões de carros de passeio em todo o planeta --a frota cresce a cada ano em 11 milhões--, cuja quarta parte, 132 milhões, roda nas ruas e estradas americanas.
Os EUA, no ano passado, tinham mais carros e caminhonetes do que cartas de motorista, produzindo gases de efeito estufa --que aquecem o planeta-- em nível semelhante a toda atividade econômica japonesa.

O impacto desse consumo nos recursos naturais da Terra pode ser medido pelo exemplo americano. Os EUA têm menos de 5% da população do planeta, mas gastam 25% do carvão, 26% do petróleo e 27% do gás natural. Um americano médio gasta 22 kg de alumínio por ano, contra 2 kg de um indiano.

Os países mais desenvolvidos --EUA, Japão, Europa Ocidental, Canadá e Austrália--, têm, juntos, 15% da população mundial, mas consomem 61% do alumínio, 59% do cobre e 49% do aço.
 

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