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08/04/2010 - 10h53

Presidente do Quirguistão rejeita renúncia e alerta para "desastre humanitário"

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da Reportagem Local

O presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, afirmou nesta quinta-feira que não renunciará, apesar da pressão dos milhares de manifestantes que foram às ruas nesta quarta-feira e da líder opositora, Roza Otunbayeva, ter autoproclamado o governo interino.

Saiba mais sobre a líder da oposição
Quirguistão vive segunda onda de protestos em cinco anos

Bakiyev advertiu ainda que os líderes opositores deverão responder diante da Justiça pela desestabilização da ex-república soviética da Ásia central e alertou o risco de um iminente desastre humanitário, após a morte de ao menos 75 pessoas nos confrontos entre opositores e polícia.

Vladimir Pirogov-23mar.10/Reuters
Presidente quirguiz, Kurmanbek Bakiyev, rejeitou pressão por sua renúncia e disse que país está perto de desastre humanitário
Presidente quirguiz, Kurmanbek Bakiyev, rejeitou pressão por sua renúncia e disse que país está perto de desastre humanitário

"Eu não abandonei e não vou abandonar o poder", disse Bakiyev, citado pelas agências de notícias.

As declarações foram repercutidas pela a agência de notícias quirguiz 24kg, que diz ter recebido um comunicado por e-mail. Esta é a primeira vez que o governo rompe o silêncio que marcou o golpe desta quarta-feira, quando manifestantes tomaram conta de vários prédios do governo e da televisão estatal.

Otunbayeva disse nesta quinta-feira que o Parlamento estava dissolvido e que ela liderará o governo interino por seis meses, até a realização de eleições "limpas e justas". Durante uma conversa por telefone com Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, Otunbayeva afirmou que a oposição controla "plenamente" a situação, os corpos de segurança e as Forças Armadas.

Ela pediu ainda que Bakiyev, a quem apoiou na chamada Revolução das Tulipas há cinco anos, renunciasse formalmente.

Segundo a oposição, Bakiyev se refugiou em Osh, no sul do país --onde está seu reduto eleitoral.

Raimkul Attakurov, embaixador quirguiz em Moscou, na Rússia, disse que o presidente quirguiz prepara um discurso ao povo, "que será feito público em breve".

Milhares de partidários do presidente esperam na praça central da cidade meridional de Jalal-Abad pelo seu discurso, segundo a agência de notícias Efe.

Otunbayeva disse que não teve contato com Bakiyev e que não tinha ideia do seu paradeiro. "Queremos negociar sua renúncia. Seus negócios aqui acabaram. As pessoas que foram mortas ontem são vítimas de seu regime".

Ela disse ainda que o governo interino controle todo o país, com exceção de Osh e Jalal-Abad. Forças Armadas e Guarda de Fronteira apoiam o novo governo, ainda segunda a ex-ministra de Relações Exteriores.

No centro de Osh, centenas de apoiadores de Bakiyev enfrentaram os oponentes de seu regime, que tomaram controle do prédio do governo, relatou um repórter da agência de notícias Reuters.

Revoluções

O presidente chegou ao poder graças à Revolução das Tulipas, que há cinco anos derrubou o primeiro presidente do Quirguistão pós-soviético, Askar Akayev, acusado de corrupção, nepotismo e reprimir a oposição.

Cinco anos depois, Bakiyev está enfrentando acusações semelhantes de uma oposição que diz que ele tem sacrificado as normas democráticas para manter a paz e consolidar o poder nas mãos de seus irmãos e filho.

Bakiyev, do sul do país, irritou os clãs de Bishkek, Talas e outras regiões ao apontar seus próprios aliados para cargos importantes.

Tiros

Arte/Folha Online

Tiroteios esporádicos continuaram durante a noite em Bishkek, enquanto multidões saqueavam lojas e corriam por ruas repletas de destroços e vidros, assoviando e agitando as bandeiras vermelhas do país. Muitos prédios continuavam em chamas, inclusive a sede da procuradoria-geral.

A agência local de notícias Kabar disse que os saqueadores atacaram e queimaram uma casa pertencente à família de Bakiyev.

Os Estados Unidos mantêm no país uma base aérea que dá apoio às tropas no Afeganistão. A Rússia também tem uma base nessa nação de 5,3 milhões de habitantes, que recebe muitas doações norte-americanas, da Rússia e da vizinha China.

O Departamento de Estado dos EUA disse que as operações na base aérea da cidade de Manas não parecem ter sido afetadas.

"Neste momento, o centro de trânsito no aeroporto de Manas funciona normalmente", disse o porta-voz P.J. Crowley. "É uma instalação importante, conectada às nossas operações afegãs, e está funcionando normalmente".

O descontentamento popular com a pobreza, a inflação e a corrupção domina o Quirguistão desde o começo de março. Cerca de um terço da população vive abaixo da linha da pobreza, e as remessas financeiras de emigrantes na Rússia caíram durante a crise financeira global.

Com agências internacionais

 

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