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09/04/2010 - 08h08

Em meio ao luto, novos confrontos ferem ao menos 67 no Quirguistão

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da Associated Press, em Bishkek (Quirguistão)
da Reportagem Local

Milhares de moradores se reuniram nesta sexta-feira na principal praça de Bishkek, capital do Quirguistão, em luto pelas 75 vítimas dos protestos desta semana --que forçaram o presidente a fugir e levaram a oposição a proclamar um governo interino. Horas antes, novos confrontos deixaram ao menos 67 feridos, segundo Ministério de Saúde.

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Quirguistão vive segunda onda de protestos em cinco anos

Os novos confrontos, aparentemente entre saqueadores e as forças de segurança, levaram 67 pessoas a buscar tratamento médico por ferimentos a bala, ferimentos na cabeça e causados por balas de borracha.

Sergei Grits/AP
Familiares das vítimas dos confrontos desta semana se reúnem na praça central de Bishkek, em luto
Familiares das vítimas dos confrontos desta semana se reúnem na praça central de Bishkek, em luto

O novo chefe do Serviço de Segurança Nacional do Quirguistão, Keneshbek Diushebayev, assegurou contudo, que a calma retornou a Bishkek.

"A cidade está sob controle", afirmou Diushebayev, que acrescentou que a ordem está sendo restabelecida e que não haverá mais saques.

O chefe assinalou que as desordens na capital foram causadas pelos partidários do presidente derrubado, Kurmanbek Bakiev, que provocaram os jovens.

A polícia regula o tráfego na capital para facilitar a limpeza das ruas, o transporte público funciona com normalidade e parte das lojas voltaram a ser abertas, segundo a agência russa Interfax.

Além, estão sendo cumpridos todos os horários dos voos nacionais e internacionais que partem e aterrissam no aeroporto internacional de Manas.

Luto

Os familiares das vítimas acusaram o presidente ausente Kurmanbek Bakiyev pela extensão da violência nos protestos. Eles se reuniram na praça Ala-Too Square, onde dois dias antes as forças de segurança abriram fogo contra uma multidão que tentava invadir a sede do governo.

"Nós estamos em luto por nossos heróis. Eles são verdadeiros heróis que sacrificaram suas vidas pelo futuro do Quirguistão", disse Khatima Immamaliyeva, 44. "Bakiyev precisa receber a responsabilidade pelas mortes".[

As novas autoridades assinalaram que assumirão os custos dos funerais das vítimas dos distúrbios, que também deixaram mais de 1.500 feridos, dos quais 520 tiveram que ser internadas.

Esta sexta-feira e sábado foram declarados dias de luto no Quirguistão em memória das vítimas mortais nas manifestações antigovernamentais dos últimos dias.

Poder

Arte/Folha Online

Os líderes da oposição tentam solidificar o controle da ex-república soviética da Ásia central, mas Bakiyev recusou-se a deixar o poder. Ele fugiu para o sul do país, onde tem forte apoio dos clãs locais.

"Eu não admito a derrota de qualquer forma", disse o presidente, que admitiu, contudo, que já não comanda o país.

Roza Otunbayeva, ex-ministra de Relações Exteriores, lidera o governo interino e já recebeu apoio do premiê russo, Vladimir Putin.

O vice-chefe do novo governo, Almazbek Atambayev, viaja para Moscou nesta sexta-feira para consultas com autoridades russas, segundo a agência de notícias Itar-Tass.

O presidente chegou ao poder graças à Revolução das Tulipas, que há cinco anos derrubou o primeiro presidente do Quirguistão pós-soviético, Askar Akayev, acusado de corrupção, nepotismo e reprimir a oposição.

Cinco anos depois, Bakiyev está enfrentando acusações semelhantes de uma oposição que diz que ele tem sacrificado as normas democráticas para manter a paz e consolidar o poder nas mãos de seus irmãos e filho.

Bakiyev, do sul do país, irritou os clãs de Bishkek, Talas e outras regiões ao apontar seus próprios aliados para cargos importantes.

 

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