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29/03/2005 - 21h50

Annan nega renúncia ao cargo na ONU

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da France Presse, em Nova York

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, disse nesta terça-feira que não renunciará ao cargo e que continuará trabalhando para pôr em prática seu plano de reforma do organismo.

Annan esteve na berlinda nesta terça-feira após a publicação de um relatório que questiona os negócios financeiros empreendidos por seu filho Kojo dentro do programa Petróleo por Comida --a maior operação de ajuda humanitária da ONU, que vigorou de 1996 a 2003 no Iraque.

"Tenho muito trabalho a fazer e seguirei adiante para completá-lo", afirmou Annan durante uma entrevista após a divulgação do relatório.

O programa da ONU permitiu ao governo do ex-ditador Saddam Hussein vender quantidades limitadas de petróleo em troca de bens essenciais, representando uma exceção às sanções impostas ao Iraque depois da invasão do Kuait, em 1990.

"Escondido"

De acordo com o relatório, Kojo Annan teria escondido suas conexões financeiras com uma empresa suíça que trabalhou para o programa.

"Kojo Annan participou ativamente dos esforços da Cotecna para ocultar a verdadeira natureza de sua contínua relação com ele", afirma o relatório elaborado pela comissão de investigação presidida pelo ex-presidente do Fed, Banco Central dos EUA, Paul Volcker.

O relatório exime o secretário-geral de culpa pela contratação da Cotecna. "Não há evidências de que a escolha da Cotecna em 1998 tenha sido decidida sob a influência de Kofi Annan", ressalta.

"Cotecna ganhou o contrato em 1998 por ter apresentado a oferta mais baixa", acrescenta sobre a companhia que tinha como missão inspecionar as mercadorias que transitavam em função do programa Petróleo por Comida.

"Influência inadequada"

Segundo os resultados da investigação, o secretário-geral da ONU não sabia que "Cotecna era uma das concorrentes para obter um contrato de inspeção humanitária".

No entanto, a comissão Volcker considera que a investigação ordenada por Kofi Annan sobre as acusações proferidas contra a empresa e os vínculos que esta mantinha com seu filho foi "inadequada".

"O secretário-geral tinha que ter submetido o caso ao departamento da ONU apropriado --o Departamento de Serviços de Vigilância Internos ou o Departamento de Assuntos Legais-- para uma investigação exaustiva e independente", afirma o relatório.

Acusações

A companhia suíça é acusada pela comissão de "ter emitido falsas declarações ao público, à ONU e ao comitê investigador ao afirmar que Kojo Annan havia renunciado a seu cargo de consultor em 9 de outubro de 1998".

Entre os dirigentes questionados, estão o ex-chefe de gabinete de Kofi Annan, Iqbal Riza, por ter ordenado a destruição de documentos que podiam interessar os investigadores; o ex-subsecretário-geral encarregado da gestão Joseph Connor; e o subsecretário-geral encarregado do Departamento dos Serviços de Vigilância Internos, Dileep Nair.

O programa Petróleo por Comida supervisionou as vendas de combustível do regime Saddam Hussein de 1996 a 2003 para permitir ao Iraque adquirir produtos de primeira necessidade.

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