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21/05/2005 - 10h00

Nova foto de Saddam Hussein na prisão alimenta polêmica

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da France Presse, em Bagdá

O jornal britânico "The Sun" publicou hoje uma nova foto de Saddam Hussein, um dia depois da publicação de uma série de imagens do ex-presidente iraquiano na prisão, alimentando ainda mais a polêmica.

A fotografia, tirada atrás dos arames farpados, mostra Saddam vestido com um roupão branco, caminhando e parecendo conversar com alguém.

Akram Saleh/Reuters
Após foto de cueca, "The Sun" traz Saddam de roupão
Após foto de cueca, "The Sun" traz Saddam de roupão
O tablóide também mostra a foto de um primo de Saddam Hussein, Ali Hassan al Majid, conhecido como Ali Químico por seu papel nos ataques a gás durante uma ofensiva contra os curdos, em 1987, no norte do país.

Aparece ainda a fotografia da doutora Huda Saleh Mehdi Amache, uma bióloga chamada de Madame Antraz e Sally, a Química por seu envolvimento no programa iraquiano de desenvolvimento de armas de destruição em massa.

Os advogados do ex-ditador anunciaram ontem que pretendem entrar na Justiça contra o "Sun" por ter publicado fotos de seu cliente, uma delas de cueca. O jornal se defende, alegando que o material foi entregue por "fontes militares americanas (...) na esperança de aplicar um golpe à resistência no Iraque".

Dylan Martinez/Reuters
Jornal britânico "The Sun" exibe foto de Saddam Hussein usando apenas cueca
O Exército dos Estados Unidos já anunciou a abertura de uma investigação sobre a origem das fotos, que "violam as regras do Departamento da Defesa e, provavelmente, as Convenções de Genebra sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra".

O presidente americano, George W. Bush, afirmou ontem que não teme reações violentas no Iraque pela publicação das fotos.

"Não acho que uma foto inspire assassinos. Acho que eles são inspirados por uma ideologia que é tão cruel e arcaica que é difícil para muitos no mundo ocidental compreenderem o que pensam", afirmou Bush aos jornalistas na Casa Branca ao ser questionado sobre o possível impacto das imagens entre os rebeldes iraquianos.

No entanto, para o diretor do jornal árabe "Al Quds Al Arabi", com sede em Londres, Abdel Bari Atwan, estas fotos vão "alimentar a resistência e provocar mais ataques com bombas".

Saddam Hussein, 68, foi detido em dezembro de 2003 e é mantido preso em uma penitenciária iraquiana dirigida pelo Exército americano.

O julgamento do ditador pode começar nos próximos meses, informou ontem o ministro iraquiano do Planejamento, Barham Saleh.

Protesto

Um congresso de personalidades sunitas iraquianas pediu hoje a demissão do ministro do Interior, o xiita Bayane Baqer Sulagh, que consideram culpado pelos assassinatos de imãs e funcionários de mesquitas em Bagdá.

"Ao mesmo tempo que condenamos os ataques aéreos e as prisões de imãs e fiéis nas mesquitas sob o pretexto da lei, pedimos a formação de uma comissão independente para investigar os assassinatos e as torturas dos detentos e a demissão do ministro do Interior", pediram os participantes em um comunicado.

O ministro nega qualquer envolvimento nos crimes.

O congresso, que reúne mil representantes desta comunidade, aconteceu em meio a uma greve de oração nas mesquitas sunitas para protestar contra os assassinatos.

Também condenou todas as operações criminosas e terroristas contra inocentes e se declarou contrário aos assassinatos nas mesquitas, huseynia (locais de oração xiita) e nas igrejas.

Além disso, o grupo ressaltou seu repúdio à ocupação, pedindo a "libertação do Iraque por meios pacíficos", e considerou "legítima a resistência à ocupação".

A violência não dá trégua no Iraque. Três civis iraquianos morreram em ações dos soldados do país e os corpos de cinco civis mortos a tiros foram encontrados ao norte e ao sul de Bagdá.

"Duas pessoas que mostraram um comportamento suspeito a bordo de um veículo, que não quis parar em um posto de controle, foram mortas 38 km ao sul de Bagdá, entre Latifiya e Mahmudiya", afirmou o capitão Haidar Obaidi.

Além disso, os corpos de três civis mortos a tiros há dois dias foram encontrados perto de Latifiya, em uma zona agrícola, segundo uma fonte médica de Mahmudiya. Em Balad e Samarra, a 70 km e 125 km ao norte da capital, foram encontrados os corpos de outros dois civis, segundo a polícia.

Latifiya e Mahmudiya ficam em uma região ao sul da capital chamada de "triângulo da morte", por causa dos numerosos assassinatos e seqüestros registrados na área.

Perto de Al Dur, 155 km ao norte de Bagdá, um civil ao volante de um carro foi morto por oficiais que acreditavam que o automóvel estava carregado de explosivos, segundo o capitão de polícia Ahmed Chaker.

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