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06/06/2005 - 11h02

Casos de "serial killers" despertam curiosidade no Canadá

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da EFE, em Toronto

A iminente libertação de Karla Homolka, co-autora do estupro e do assassinato de várias adolescentes na década de 90, e o julgamento de Robert Pickton, acusado da morte de pelo menos 27 mulheres, deixam o Canadá em clima de expectativa.

Homolka, 35, deve sair da prisão no dia 5 de julho, após cumprir uma sentença de 12 anos pelo estupro e assassinato de duas adolescentes junto com seu marido à época, Paul Bernardo, em 1991 e 1992.

A presença de Homolka em um tribunal de Québec na semana passada, que decidiria sobre as condições de sua libertação, foi intensamente acompanhada pelos meios de comunicação e pelo público canadense, ávidos por conhecer qualquer detalhe sobre a assassina confessa.

Mas o "circo da mídia" provocado pelo caso de Homolka provocou a repulsa dos familiares das vítimas do casal.

Pam Radunsky, irmã de Kristen French, uma das vítimas, disse que "a cobertura foi um pouco desconcertante porque se transformou quase que em um evento". "É como se houvesse uma competição entre os meios de comunicação", disse.

Enquanto isso, no outro extremo do país, em Vancouver (Colúmbia Britânica), o interesse e a curiosidade da sociedade canadense pelo caso de Robert Pickton continua crescendo.

Pickton é um criador de porcos acusado pela morte de ao menos 27 das mais de 60 mulheres desaparecidas no centro de Vancouver entre o início da década de 80 e ano de 2001.

No caso de Homolka, o juiz de Québec considerou que ela continua sendo perigosa, impondo rígidas e polêmicas condições que devem ser seguidas depois de cumprida sua condenação em julho.

Homolka, que desperta pouca compaixão na opinião pública, sempre terá de comunicar às autoridades com quem e onde vive, além de apresentar amostras de seu DNA à polícia.

Embora estas medidas sejam controvertidas, Homolka tem poucos defensores na sociedade canadense que, em geral, continua escandalizada com a decisão do Ministério da Justiça de condená-la a apenas 12 anos de prisão, em troca de seu testemunho contra o ex-marido, Paul Bernardo.

O jornal "Toronto Star", veículo impresso de maior tiragem no país e com tendência centro-esquerda, dedicou seu editorial de sábado ao caso de Homolka com um título revelador: "Que ninguém chore pelos direitos de Homolka".

O editorial lembrou que Homolka participou de forma voluntária "de alguns dos crimes sexuais mais cruéis" no país, e classificou a decisão de restringir sua liberdade como "sábia" e um exercício de "prudência judicial ao lidar com a criminalidade monstruosa".

O jornal mais influente do país, "The Globe and Mail", se expressou da mesma forma e disse que o juiz acertou ao restringir a liberdade de Homolka. Para a publicação, essa decisão busca um equilíbrio entre a proteção da comunidade e o direito à liberdade de movimento do indivíduo.

No caso de Pickton, as autoridades divulgaram informações em etapas para evitar um "circo da mídia', enquanto os principais meios de comunicação do Canadá pressionam para ser autorizados a oferecer a máxima cobertura possível à sociedade.

Até agora, pouco se sabe sobre os assassinatos atribuídos a Pickton. A polícia informou apenas que foram encontrados em sua fazenda, nos arredores de Vancouver, rastros de DNA das 27 vítimas, mas advertiu que poderiam ser apresentadas novas acusações.

O caráter secreto do caso aumentou muito as especulações, por exemplo, sobre o que significa o termo "rastros" utilizado pela polícia. Alguns meios de comunicação informaram que os investigadores acharam cabeças e outros restos humanos congelados na fazenda, mas nada foi confirmado.

Detalhes como estes aumentaram a curiosidade dos canadenses. E isso contrasta com o silêncio de anos sobre o misterioso desaparecimento de dezenas de mulheres, a maioria de origem indígena.

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