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08/11/2005 - 10h26

Onda de violência na França levanta questões sobre política social

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da Folha Online

A onda de violência que atingiu a periferia parisiense suscita mais perguntas que respostas. Há versões que aludem a uma revolução social em marcha. Outras atribuem os confrontos a vandalismo organizado e ao abandono do governo, mas, acima de tudo, predomina a sensação de que a questão da guerrilha urbana se apóia nas incertezas de um modelo de integração falido.

Veja algumas das principais questões a respeito do assunto:


O que desencadeou a violência?

O estopim da revolta, iniciada por jovens filhos de imigrantes, em sua maioria do norte da África, foi a morte acidental de dois adolescentes, que se eletrocutaram ao entrar numa subestação de energia. Eles estariam tentando se esconder da polícia.

Mas o motivo real dos distúrbios, de acordo com analistas, é a revolta contra a exclusão social dos habitantes dos subúrbios das grandes cidades, só inflamada pela morte dos dois adolescentes.

As manifestações de revolta ficaram concentradas nos arredores de Paris, nos oito primeiros dias. Depois disso começaram a ser registrados atos de vandalismo em outras cidades francesas.

Outro fator desencadeante aconteceu no último dia 30, quando uma bomba de gás lacrimogêneo lançadas pelas forças de segurança entrou em uma mesquita da periferia durante um ritual religioso.

Por que a imagem do ministro do Interior foi tão atacada?

O ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy, defendeu a utilização de métodos repressivos contundentes e a política de "tolerância zero", mas, além de tudo, cometeu deslizes verbais em plena crise, chamando de "ralé" os jovens das regiões afetadas. Sarkozy também é criticado pela interrupção da política de bairro implementada pelo ex-premiê socialista Lionel Jospin.

Como são os subúrbios franceses?

Neste ano, foram registrados incêndios com mortes em edifícios da periferia de Paris, onde viviam imigrantes africanos ilegais. Os bairros atingidos --cuja população é estimada em até 150 mil pessoas-- concentram altíssimos índices de desemprego, violência e falta de saneamento básico. A exclusão social é a razão de fundo do conflito.

De quem é a culpa?

Os prefeitos dos subúrbios dizem que o Estado cortou 300 milhões de euros em recursos públicos que seriam destinados a estratégias de política e habitação.

Quem são os líderes das manifestações?

A revolta teve início de maneira desordenada, mas foi se organizando à medida em que transcorreram as noites. A polícia afirma que a rebelião está sendo liderada por criminosos que querem explorar os bairros com o tráfico de drogas e a prostituição, e que souberam incentivar os jovens locais.

A maior parte dos manifestantes tem entre 14 e 20 anos e são imigrantes africanos sem acesso aos estudos e ao mercado de trabalho.

A crise na França tem ligação com o extremismo islâmico?

Há relatos de que o extremismo ganhou força nas regiões carentes, devido à discriminação e à pobreza. Por isso, o lançamento de uma bomba de gás lacrimogêneo em uma mesquita de Clichy-sous-Bois foi interpretado como uma agressão religiosa e como conseqüente justificativa para a guerrilha urbana de muitos radicais.

Os moderados esperam que Sarkozy se desculpe pelo incidente, mas também fazem um apelo pela paz, entre eles, imãs (líderes religiosos muçulmanos) de mesquitas da periferia.

Com agências e imprensa internacionais
 

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