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Lúcio Ribeiro
lucio@uol.com.br
  24 de janeiro de 2001
  Britney despirocada e o melhor
(e o pior) do Rock in Rio
 
 
"Nada me atinge."
Carlinhos Brown durante seu show do Rock in Rio, enquanto levava garrafadas por todos os lados

Mano ou mina, você pode falar o que quiser do agora finado Rock in Rio 3, das escolhas de bandas, da organização e tudo mais, mas se você não foi nem viu pela TV saiba que perdeu um festival histórico.

Você é chegado em um balanção? Então, esta testemunha que respirou o festival desde quinta-feira da semana retrasada vai falar (escrever). Quem tiver comentários adicionais ou críticas, pode mandar bala e enviar para cá. Levarei em discussão na coluna da semana que vem.

‘FUCKING’ BRITNEY

Alguém ainda não viu isso? A santa namoradinha de todos nós, garota pura e virgem, soltou a boca no backstage do show do Rio, xingou assessores de palco, banda, falou "fucking’, "retarded", "shit". Tudo foi registrado em áudio provavelmente por alguém da mesa de som, durante os intervalos em que Britney Spears saia de cena para trocar roupa e esperar sua equipe mudar o cenário do palco. Estresse normal de um grande show, a pequena Britney, irritada e ofegante, não percebeu que seu microfone estava ligado. Então... TUDO FOI PARAR NO NAPSTER.

Está lá e é so procurar. Os arquivos têm os divertidos nomes "Oops!... The Mic Was On and I Didn’t Realize" ou "Oops!... I Think Someone Left the Mic On", uma sátira ao sucesso "Oops!... I Did It Again". Alguns arquivos duram 1 minuto de xingamento.

Britney no começo diz coisas como "Não me diga para esperar enquanto eu deixo uma platéia ‘fucking’ esperando lá fora", "Isso é coisa de retardado (mais para lerdo, que para débil mental)", "Que merda". Reclama muito ainda de um músico que parece que não fez um improviso ou um riff de guitarra qualquer. E até (parece, parece) dá uma sonora cuspida.

Gente! Britney é rock’n’roll.

BRITNEY, A LENDA

O legal é que a coisa aumenta tão rápido quanto se propaga no Napster. A MTV diz que o som vazou para a platéia e ninguém percebeu direito. E o melhor: nas rádios, rola o papo de que a menina chamou o público brasileiro de retardado. Brasillllll!

BRITNEY TRANQUEIRA

A passagem do furacão Britney me deixou confuso. Não sei mais se acho ela tudo isso. No palco ela estava bem, como musa. Mas na entrevista coletiva a garota passou perto de mim e bateu uma decepção. Essa tranquerinha aí é aquela deusa da premiação da MTV?, pensei. Alguém me ajuda a formar uma opinião?

BRITNEY E O PLAYBACK

Achei bobagem a discussão do uso ou não de playback, ou "sampling de voz" (o chamado reforço vocal), nas apresentações de atrações como Britney Spears, Aaron Carter e ‘NSync. Showzinhos hollywoodianos, feitos para transformar o Rio em uma pequena Disneylândia. Faz parte do mundo certinho e colorido da galera teen. Qual a surpresa? É um mundo de sonhos bem fraquinho para quem tem mais que 15 anos, mas fazer o quê. Pelo menos as músicas da Britney Spears são mais legais.

ESCALAÇÃO

É claro que todo mundo tem sua banda dos sonhos e sua opinião sobre o festival ideal. Se tivesse poder de decisão, exterminaria a primeira noite, botaria o Pearl Jam para fechar uma das datas, botaria o Slipknot antes do Sepultura, traria mais umas duas bandas independentes americanas de futuro e tentaria armar uma noite britânica com por exemplo Muse, Oasis e Radiohead (ou Blur). Mas no final achei o saldo bem satisfatório.


SÓ QUE... (TREVAS BRASILEIRAS 1)

Por mais que não se goste de bandas como Papa Roach, Deftones, Queens of the Stone Age, não dá para avacalhar com os caras como o fizeram alguns jornalistas estúpidos, pelo que andei lendo na imprensa. Essas bandas representam o novo e o novo, para o bem ou para o mal, é preciso ser visto, estabelecer um contato. São caras que lotam shows lá fora e tudo. Se o problema é não curtir o show dos sujeitos, vire as costas, vá dar uma volta, toma uma cerveja (Schincariol, melhor não). Os caras subiram no palco, mandaram ver cada um o seu som, mostraram garra, não se fizeram de estrelas que sabem mais que todo mundo, como o gênio Carlinhos Brown. Mas os jornalistas tacanhos e o público de FM não gostam do que não conhece, até conhecer pela Transamérica FM como novidade daqui a aguns anos, ou ser massacrado pela 89FM com 70 inserções ao dia ou passar em um vídeo na MTV.

Um exemplo: um amigo meu assistiu ao show do Oasis cercado por fãs do Guns N’ Roses. Não davam sossego, mandavam a banda ir embora o tempo todo, vaiavam tudo, gritavam "Guns, Guns". Aí o Oasis começou a tocar "Wonderwall" e esses mesmos sujeitos pararam de vaiar para cantar junto. Claro, acabou o "sucesso", fora com os caras. É o que eu digo...

TREVAS BRASILEIRAS 2

Não que eu não tenha gostado, mas acho perigoso esse culto só ao rock brasileiro dos anos 80. O show do Ira foi ótimo, o do Syvinho Blau-Blau foi um evento e esses revivals casam muito bem com o clima de paz e amor de um festival, mas é preciso andar para frente. Tudo bem que a safra nova não ajuda...

TREVAS BRASILEIRAS 3

O "New York Times", talvez o jornal mais charmoso do mundo, fez sua análise da escalação do festival. Chegou à conclusão de que era razoável, mas não tinha evoluído. Em 1985, na primeira edição, mostrou o futuro e trouxe nomes como AC/DC e Iron Maiden, representantes da cena heavy metal. Em 2001, era obrigatório o festival trazer algum nome do rap, como Dr. Dre, Eminem. Andou, andou e ficou no lugar. Opinião do "NYT".

TREVAS BRASILEIRAS 4

O caso Carlinhos Brown e a chuva de garrafadas. Um leitor da coluna do Álvaro Pereira Júnior no "Folhateen" mandou o seguinte e-mail para ele. O nome do garoto é Fernando Silva Nogueira, de São Paulo. Diz assim:

"Esses artistas ‘intelectualizados’ da MPB vivem num universo paralelo, contemplando a própria decomposição. Quando colocam o pé na realidade, da maneira mais leve que seja, acontece, e sempre acontecerá, uma chuva de garrafas". Membro do seleto clube dos gênios cultos e intocáveis da música popular brasileira, desses que vendem muito menos discos do que as muitas capas de cadernos culturais poderiam esperar, Carlinhos Brown incorreu no erro de peitar a platéia e falar bobagens "espertas". Se deu mal."

FRASES DO FESTIVAL

"Não fui convidado", disse o músico Lenine a uma repórter carioca, que não entendia por que um cantor do nível dele não estava tocando no Rock in Rio.

"Sou filho de Ogum. Nada me atinge", avisou Carlinhos Brown em momento cujo final da história todos conhecem.

"Foi coisa da juventude criada tomando Toddy", disse o sábio Brown, sobre as garrafadas atiradas por fãs do heavy metal, mostrando que nunca foi a um show de rock na vida e muito menos às Grandes Galerias, em SP, para saber de onde origina o público metal.

"Ué! Vi que no Carnaval brasileiro todo mundo fica pelado. Não sabia que era proibido", soltou Nick Oliveri, baixista do Queens of the Stone Age, depois que foi preso por aparecer nu no palco.

CARTAZES DO FESTIVAL

"Por uma cerveja melhor", de alguém reclamando do martírio que era o chope Schincariol, o único vendido dentro da Cidade do Rock.

"Sandy é uma p***", escrito com todas as letras por fãs do Sepultura e Iron Maiden.

FOTINHOS INÉDITAS

Lúcio Ribeiro/Folha Imagem
O velho Neil Young, sentadinho, enquanto não chegava a hora de fazer um dos três melhores shows do Rock in Rio

Lúcio Ribeiro/Folha Imagem
O Joshua Homme, do Queens of the Stone Age, e eu, enquanto ele me confessava que pirou indo naquele monumento do cara com os braços abertos

Lúcio Ribeiro/Folha Imagem
Jimmy Page, o cara que mais tocou "Stairway to Heaven" na vida, que passeou no Rio, fez que ia tocar com o Iron Maiden, mas não tocou

Lúcio Ribeiro/Folha Imagem
Foto que fiz do Liam Oasis na piscina, publicada na "New Musical Express" e que me rendeu R$ 140

 

MOMENTOS LEGAIS DO FESTIVAL

Sem citar as garrafadas no Brown:

* aniversário do Dave Grohl no palco, durante o show.

* público em "Sweet Child O’Mine", no Guns N’ Roses

* Fernanda Abreu desenterrando Evandro Mesquita e desenterrando mais ainda "Você Não Soube Me Amar"

* Neil Young tocando com as cordas quebradas e fazendo mais barulho que o Sonic Youth em "Like a Hurricane" e "Rockin’ in the Free World".

* o Surto tocando duas vezes a mesma música, o hit do cabeção e ainda fazendo uma cover medonha de "Californication", dos Chili Peppers, cujo refrão ficou assim: "É triste, mas eu não me queixo". Derrota.

* E claro. O Nick Oliveri entrando pelado, a galera urrando Sepultura e Iron Maiden, o Joshua Homme para lá de Bagdá, os caras tirando um pós-grunge de fazer o Cobain escolher uma nuvem em cima do Rock in Rio para ver de perto e aquela versão do Kyuss no final, uns 20 minutos magistrais.

NAPSTER

Você já foi avisado desde a semana passada. Todos os shows mais legais do Rock in Rio estão no Napster. Alguns inteiros, alguns em parte, uns gravados da TV, outros com a irritante vinheta da Jovem Pan no meio da música.

Testemunhas já viram CD de alguns shows do festival, com boa qualidade, à venda em São Paulo.

NOTAS

Na semana passada, botei minhas notas para os shows do primeiro final de semana, que foram as seguintes.

Sting: 0

James Taylor: 1

Ira: 8

Ultraje: 7

Carlinhos Brown: DEZ (para o público)

Foo Fighters: 9

Oasis: 8

Beck: 5

Papa Roach: 7,5

Guns N’Roses: 9,5

REM: 9,8

Sylvinho Blau-Blau: 10 (não vi, mas segundo testemunhas foi antológico)

Agora, os da última rodada ficam assim

Britney Spears: 5 (Não rolou muito bem)

Queens of the Stone Age: 9 (Rolou bem demais, contra tudo e contra todos)

Sepultura: 8 (O show vigoroso de sempre. As músicas novas são boas)

Iron Maiden: 7,5 (Show correto para quem ama o metal dos caras, o que não é o meu caso)

Neil Young: 9,9 (Só não foi 10 porque não estávamos em um bar)

Red Hot Chili Peppers: 8 (Muita gente não gostou. Eu curti, embora ache que o repertório poderia ser mais bem escolhido)

PROMOÇÃO O MELHOR SHOW DO FESTIVAL

(1ª Semana)

A moçada votou em peso para a promoção do melhor show do fim-de-semana inicial do Rock in Rio. O resultado foi.

1º REM 85 votos

2º Foo Fighters 47 votos

3º Guns N’ Roses 32 votos

4º Oasis 29 votos

Alguns se anteciparam e votaram pelo último final de semana.

E deu:

Neil Young 21 votos

Iron Maiden 14 votos

Queens of the Stone Age 9 votos

RESULTADO DA PROMOÇÃO

Quem levou os disquinhos.

Iara Barboza Venâncio
Joinville, SC
CD do Oasis

Marcelo Tavares
Santos, SP
CD do Queens of the Stone Age

Regina Iosch Kruger
Brasília, DF
CD do Queens of the Stone Age

VOTO DE JORNALISTA

Quer saber o que os "entendidos" acharam. Em levantamento feito pelo site DGolpe, pesquisa realizada pelo Marcos Fillipi, os jornalistas de imprensa escrita e Internet elegeram os melhores shows. E deu...

1) Neil Young: 17

2) REM: 16

3) Guns n’ Roses: 12

4) Iron Maiden: 10

5) Foo Fighters: 9

6) Sepultura: 5

7) Sting: 4

8) Red Hot Chili Peppers: 3

9) Oasis: 3

10) Beck: 3

11) Silverchair: 2

12) Barão Vermelho: 2

13) Dave Matthews Band: 2

14) Elba/Zé Ramalho: 2

15) Gilberto Gil: 2

16) Pato Fu: 1

17) Fernanda Abreu: 1

18) Sheryl Crow: 1

19) Sheik Tosado: 1

20) Nação Zumbi: 1

21) Jair Rodrigues: 1

22) Diesel: 1

Marcos Filippi (dgolpe.com): Guns n’ Roses, Sepultura, Iron Maiden, Neil Young e REM

Mário Marques (O Globo): Neil Young, Iron Maiden, REM, Dave Matthews Band e Foo Fighters

Christina Martins (Assessoria de Imprensa do Rock in Rio): Neil Young, REM, Gilberto Gil, Sá & Guarabyra e Sting

André "Pomba" Cagni (Dynamite): Guns n’ Roses, REM, Foo Fighters, Iron Maiden e Diesel

Marcelo Ferla (Única): Neil Young, REM, Elba/Zé Ramalho, Sepultura e Foo Fighters

Gabriel Gaiarsa (El Foco): Oasis, Red Hot Chili Peppers, Guns n’ Roses e Sepultura

Ramiro Zwetsch (El Foco): Neil Young, Red Hot Chili Peppers, Sepultura, Foo Fightes e Oasis

Bernardo Araújo (O Globo): Guns n’ Roses, Iron Maiden, REM, Silverchair e Pato Fu

Pedro Só (Usina do Som): Neil Young, REM, Elba/Zé Ramalho, Barão Vermelho e Dave Matthews Band

Juliana Resende (BR Press): Guns n’ Roses, Beck, Iron Maiden, Sepultura e Fernanda Abreu

Júlio Maria (Jornal da Tarde): Guns n’ Roses, Neil Young, Barão Vermelho, Iron Maiden e Gilberto Gil

Roberto Romano Taddei (estadao.com.br): Neil Young, Sting, REM, Sheryl Crow e Sheik Tosado

Carlos Eduardo Oliveira (The Brazilians): Guns n’ Roses, Iron Maiden, Silverchair, REM e Neil Young

Emerson Gasperin (Showbizz): Neil Young, Guns n’ Roses, Iron Maiden, Beck e REM

Daniel Jelin (estadao.com.br): REM, Sting, Foo Fighters, Neil Young e Guns n’ Roses

Rodrigo Savazoni (estadao.com.br): Neil Young, REM, Iron Maiden, Sting e Nação Zumbi

Pedro Alexandre Sanches (Folha de S. Paulo): Neil Young, REM, Beck, Foo Fighters e Jair Rodrigues

Lúcio Ribeiro (Folha de S. Paulo): Neil Young, REM, Foo Fighters, Guns n’ Roses e Oasis

Israel do Vale (Folha de S. Paulo): REM, Neil Young, Foo Fighters, Red Hot Chili Peppers e Guns n’ Roses

José Norberto Flesch (Agora São Paulo): Neil Young, REM, Guns n’ Roses, Foo Fighters e Iron Maiden

PROMOÇÃO DA SEMANA

Valendo o mesmo da semana passada (o fantástico "Rated R", do Queens of the Stone Age, o ótimo CD "There Is Nothing Left to Lose", do Foo Fighters, e o "Familiar to Millions", do Oasis), e englobando os dois finais de semana do festival, a pergunta é:

quais os três momentos mais marcantes do Rock in Rio 3?

Manda para cá: lucio@uol.com.br. Mas tem que falar o porque das escolhas. Abre seu coração, expõe sua teoria. E aí, automaticamente, você já estará concorrendo ao prêmio.

Vai nessa.

CHEGA DE ROCK IN RIO

(Vibrators, Mudhoney, Garage Fuzz)

* A espetacular lenda punk britânica Vibrators toca neste sábado, 27, em São Paulo. Será às 20h, no Hangar 110, rua Rodolfo Miranda, 110, no Bom Retiro, a 100 metros do metrô Armênia.

Ingressos antecipados com desconto na London Calling, rua 24 de Maio, 116 – Rua Alta – Loja 15 - SP. Tel. 0/xx/11/223-5300

* Só para lembrar. A antológica banda de Seattle, o Mudhoney, toca em São Paulo no dia 21 de fevereiro no Olímpia. Quem não for é mulher do padre.

* Show de dez anos da ótima Garage Fuzz, banda de Santos, no Hangar 110 (endereço acima)

HANG THE DJ

Em mais uma empreitada arriscada deste que vos escreve, atacarei de DJ, para a tristeza de quem estiver na pista, neste sábado, a partir das 23h, no projeto Sound, do DJ Club.

O convite é este aqui:

SOUND - Love & Dancing

60's Rock, Soul & Funk, Britpop, Glitter, New Wave
Technopop, Indie-Rock, 80s Pop, House
Todos os sábados no DJ Club Bar Teatro
Alameda Franca, 241 - Jardins (Próximo à rua Pamplona)
R$ 15 de consumação ou R$ 10 de entrada
Estacionamento no Local
Info: 0/xx/11/3266 6914 ou 9848 3708


Até.

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