Pensata

Lúcio Ribeiro

08/07/2004

Bomba, bomba

*** BREAKING NEWS ***

TIM FESTIVAL EM NOVEMBRO.
STROKES EM NOVEMBRO.
STROKES NO TIM FESTIVAL?


O Tim Festival, o mais abastado (e por isso o melhor) festival de música jovem do país, começa a tomar sua forma, a Popload apurou. A edição deste ano do megaevento de jazz que abriga rock e eletrônica vai ser realizado em novembro, nos dias 5, 6 e 7, e não mais nas datas tradicionais, no final de outubro. E já tem três nomes confirmados: o popular grupo mexicano de rock Kinky (dia 5), o cultuado baixista inglês Dave Holland (dia 6) e o pianista pop Brad Mehldau (dia 7), que toca de Cole Porter a Radiohead.

Uma outra coisa que pode ser a mesma coisa é que exatamente em novembro e bem pertinho das datas do Tim Festival, que neste ano será realizado apenas em São Paulo (Jockey Club), estão sendo agendadas a vinda das bandas nova-iorquinas Strokes, Yeah Yeah Yeahs e do já lendário grupo alemão de eletrônica Kraftwerk.

Independentemente de ser no Tim Festival ou não, a questão é que desta vez a geração 00 de música vai poder ver de perto o mais esperado novo grupo hoje. O empresário da banda, Ryan Gentles, confirmou nos EUA que os Strokes estão para fechar uma turnê de quatro datas na América do Sul. Seriam duas no Brasil, uma na Argentina e outra no Chile.
Se o Tim Festival vier a confirmar mesmo os Strokes como atração, a organização do evento terá que pensar até em um lugar bem maior para abrigar o show do grupo nova-iorquino. Um show dos Strokes no Jockey Club causaria uma corrida de ingressos muito mais sangrenta do que a dos Pixies no Curitiba Pop Festival, no começo do ano.

Na Argentina, a banda da estrela Julian Casablancas e do agitado baterista brasileiro Fabrizio "Barrymore" Moretti tocará no festiva Nu Rock, evento de bandas novas que anuncia também o ótimo Yeah Yeah Yeahs e pode incluir ainda a emergente The Killers (oba, oba!), revelação de Las Vegas.

Gentles disse que os Strokes tocam neste final de semana nos festivais T in the Park (Escócia) e Oxegen (Irlanda). Depois, vão direto para Nova York e serão internados no estúdio para arquitetar seu terceiro disco, previsto para o começo de 2005. E só saem das gravações para tocar no festival inglês V2004, em agosto, e para os shows da América Latina.

Está prevista ainda uma série de shows pequenos e "surpresas" por clubes de Nova York, para experimentar a recepção das músicas novas.
Já a pioneira banda Kraftwerk, que arrebentou com seu show robótico-hipnótico no americano Coachella Festival em maio e é a estrela do espanhol Benicàssim, está anunciada no Chile para uma apresentação única no dia 12 de novembro. A Argentina também recebera a turnê do disco "Tour de France Soundtracks", também em novembro, mas sem data confirmada. E aqui no Brasil...




"Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turning red
Crying's not for me"
Burt Bacharach, em "Raindrops Keep Falling on My Head"

"And all the memories of the pubs
And the clubs and the drugs and the tubs
We shared together
Will stay with me forever"
Libertines, em "Music When The Lights Go Out"

"Burn down the disco
Hang the blessed DJ
Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life"
Smiths, em "Panic"


Salve, simpatia.
De volta a SP velha de guerra.
Mas o papo sobre Nova York não se esgotou na semana passada. Aí para baixo você vai encontrar mais sobre a cidade do Interpol.
Tem até um assunto no meio que, acho, gerará alguma polêmica. E nem é a quase trombada que eu dei no Andre 3000, do Outkast, numa rua do SoHo. Ele, roupa megachique, de lenço no pescoço e... sombrinha. Tava muito sol no dia, é preciso entender.

* Popload e a culinária. Na lista das coisas que bombardeiam olhos e ouvidos numa simples andada pelas ruas numeradas de NYC nestes dias (iPod, Homem-Aranha e anti-Bush), esqueci de mencionar na semana passada o lance dos carboidratos. É uma coisa que já está chegando por aqui timidamente, mas lá fora é considerada a maior febre alimentar americana de que se tem notícias. Descobriram que o mal de tudo em comida são os carboidratos ou o excesso de. Quer dizer, descobriram nos anos 70, mas estão "aplicando" a teoria agora. Tudo agora é low-carb. O papo é emagrecer fazendo um regime baseado em comer poucos carboidratos (pães, arroz, massa) e muita proteína animal, tipo carne vermelha, frutos do mar e frango. O impacto disso na indústria alimentícia dos EUA é brutal. Tem paralelo com o lançamento da nova "onda diet, light", só que bem mais turbinado. Cerca de 80 milhões de americanos adultos já praticam o modo de vida low-carb. Num país onde 65% da população é considerada obesa, quase todo restaurante que se olhe oferece comida low-carb.

* Esse blablablá culinário encontra lugar aqui porque a onda carb foi mexer em um dos maiores símbolos pop da paróquia: a Coca-Cola. Os japoneses já bebem e os americanos já vão beber a C2, a nova Coca. Com metade do carboidrato da bebida tradicional, mas o mesmo gosto, prometem. É um projeto de dois anos de experimentações e tal. Tentei achar uma para ver qual era a da C2, mas não achei. Em Los Angeles eu sei que já tem. Até em promoção do McDonald's. E muitas das muitas cervejas que circulam por NYC já anunciam suas versões low-carb. A Pepsi já está lançando a sua. Os cereais Kelloggs também. Prepare-se. Você vai ficar fininho.(a).




GERAÇÃO COCA-COLA

Mais sobre o mais legal refrigerante do mundo, que participa forte na revolução alimentícia americana mas que tem sido pivô da maior discórdia do rock nacional nos últimos tempos.

Está acontecendo nos bastidores um boicote de bandas nacionais contra o grupo Charlie Brown Jr, depois do entreveiro lamentável com o Los Hermanos. Nenhuma das bandas que aderirem aceitarão tocar em festivais que a trupe do bravo Chorão for convidada. Capital Inicial e Jota Quest (quem?) foram os primeiros a encamparem a história.




SEMISONIC, A MAIOR BANDA DO MUNDO

Em Nova York vi que foi lançado (não comprei) o livro "So You Wanna Be a Rock & Roll Star", de Jacob Slichter, um agora escritor que aconteceu de ser baterista (e tecladista, acho) da banda americana Semisonic.
Slichter dá um comovente testemunho de como é duro para uma banda sair do nada, atingir a glória máxima e depois cair de novo no nada.
O problema é saber que "glória máxima" é essa que o Semisonic atingiu.
Tipo da banda que qualquer ser só lembra o nome quando alguém menciona e você pensa por alguns segundos e solta "Ah, é. Teve o Semisonic", a banda cravou nas rádios, na MTV e em novelas o hit indie baba "Closing Time", no final dos anos 90.
O grupo apareceu, a gravadora apostou os tubos, conseguiu emplacar alguns "sucessos", alguns meios compraram a história e considerou a banda "diferenciada", pop rock intelectualizado. Não demorou muito o grupo caiu no esquecimento, lançou disco que ninguém viu nem ouviu e a gravadora, então, demitiu a banda.
Eu tenho uma história com o Semisonic. Fui convidado para entrevistar e ver o show do "grupo-que-ia-estourar" em Los Angeles. O show foi insosso, a entrevista, chata. Nada de novo. Ia fazer uma matéria para contar exatamente isso, mas lembro que quase nunca encontrava espaço na Ilustrada para publicar tal material morno, porque sempre tinha coisa melhor para dar. Foi passando, passando e a entrevista e a resenha do disco e do show acabou nunca saindo. Fui daqui a Los Angeles e nenhuma linha. Acho que era 1998.
Aí o baterista da banda reaparece agora do nada e escreve um livro de mais de 300 páginas (Broadway Books) para contar, em título irônico, como é ijunsto o mundo do showbiz.
Li umas críticas muito engraçadas sobre a obra. Não é difícil imaginar, muito mais divertidas as críticas do que o próprio livro.
A melhor, foi do reavivado jornal "The New York Sun". O crítico gastou seis longos parágrafos iniciais para dizer que NÃO lembrava do Semisonic, muito menos de "Closing Time", que o livro vangloriava ter virado hino de campanha eleitoral e ser tema de um programa de esportes da ESPN.
Explica-se o jornalista: "Parece que essa música foi um arrombo. Estava no rádio todo o tempo, as pessoas citavam ela em conversas, dançavam ela, fazia dela parte de suas vidas...Eu não vivo dentro de uma caixa. Eu ouço rádio, vejo TV, faço todo o tipo de coisa que não estão no gibi. Se eu algum dia cheguei a ouvir Semisonic, eu definitivamente não me lembro".
O crítico, Max Watman, argumenta que um livro assim, com esse título, tinha que ser escrito por alguém como Mick Jagger, nunca como um cara do Semisonic.
Um cara do Semisonic, diz Watman, é um cara normal como eu (ele) e você.(nós)
Aí fala e fala, diz como é o livro, tal.
E, num trecho engraçado, manda essa:
"Mr. Slichter se sente inconfortável com seu próprio desejo de ser uma estrela do rock, seu próprio anseio pela fama. Então ele cobre todo esse sentimento confuso com a desculpa de ter sido humilhado pela indústria da música. Mas humilhação não é o que nós queremos de nossos rock stars. Na verdade, Mr. Slitcher tem muito pouco do que nós queremos. Ele escreve: 'Sábado à noite em Las Vegas. Estava muito frio para andar pela cidade. Como eu não gosto de jogar ou beber, eu tranquei minha porta para três horas de leitura e para ver o que estava passando nos canais de televisão.'
O QUÊ?", inconforma-se o crítico.

* Droga. Agora me arrependi de não ter comprado esse troço.




TRASH 80'S

Que a cultura anos 80 voltou e tal, vá lá.
Mas um megashow, patrocinado pela mega Nike, no mega Central Park, reunindo A Flock of Seagulls, Devo, General Public, Tone Loc, Tommy Tutone e Kajagoogoo...
Aí já é demais.

* Cara!!! A Flock of Seagulls...

* Esse Tommy Tutone na verdade era uma banda liderada por dois caras que compuseram um hit em 1981 chamado "867-5309/Jenny", que não teve um Cristo na época que não pegou o telefone para "discar" para falar com a tal Jenny. A música, datadíssima, é até bem legal. Kurt Cobain a cantou zoando no famoso show do Nirvana em São Paulo, em 1993.




BOMBA 1 - VAZOU O LIBERTINES NOVO

O esperado novo disco da banda The Libertines, talvez a mais bacana do novo rock britânico hoje, já pode ser pego, ouvido, mostrado, baixado, queimado. Está na internet, dois meses antes de seu lançamento "real". Segundo disco do mais problemático grupo do mundo, já que nunca se sabe se a banda não acabou, se vai comparecer aos shows marcados, se o guitarrista Pete Doherty está no grupo ou ao menos se ele está vivo, vai se chamar apenas "The Libertines".
Álbum com 14 faixas aberto pelo estupendo single "Can´t Stand Me Now", o quarteto de Londres continua a mesma banda punk pop suja e extremamente habilidosa e rica em sua simplicidade. Seguem traduzindo o Clash para a geração que nasceu durante o grunge e alguns anos antes da febre britpop.
Mas ficar só em Clash para ajudar na definição do som do Libertines é muito simplista. A banda, de modo involuntário ou não, é a maior herdeira dos elementos que construíram o som inglês dos Kinks para cá. Existem muitas músicas dentro de uma música do Libertines.
A quarta faixa do segundo CD do Libertines se chama "Music When the Lights Go Out" é linda de morrer. Baladinha punk sensível e romântico, é um pedido de perdão para um cara que não quer magoar a garota dizendo as verdades que são melhores guardar para si. E ele faz relação do amor dele com a música. E no fim a música acaba e a menina vai embora.
A capa é ótima. Parece as letras do álbum dos Pistols escrevendo The Libertines. Dentro de uma bola preta.
Se a banda não acabar hoje, ela toca neste sábado no festivalaço escocês T in the Park. No máximo no começo da semana o show vai estar para nós na internet.
Nos próximos meses acho que vamos falar muito em Libertines. O disco é tão cheio de músicas boas que parecem que cada uma ainda vai ter uma história para ser contada, aqui.




BOMBA 2 - VAZOU O INTERPOL NOVO

O Interpol, banda de meninos bem vestidos que pensam que estão nos anos 80 e são o Joy Division, teve seu também ansiosamente aguardado segundo disco totalmente escorregado para dentro da rede mundial de computadores. Um modem na Nova Guiné, na China ou em Honduras já é capaz de interceptar "Antics", o sucessor do maravilhoso "Turn on the Bright Lights", o disco de estréia do grupo que é "apenas" mais um dentro da fabriquinha de bandas ótimas da cena nova-iorquina.
"Antics", com caixinha, capa e prensagem oficial, está marcado para chegar às lojas no só no finalzinho de setembro. A brava Matador Records, a gravadora americana do Interpol (Trama lança por aqui) deve lançar o álbum junto com um DVD de dez filmes curta-metragens, contando a história de cada uma das faixas do novo disco.
O disco tem as bonitaças "Length of Love" e "NARC", duas canções assombradas pelo fantasma de Ian Curtis e que foram bastante tocadas na turnê do último disco, portanto nem tão desconhecidas assim para quem acompanha a banda.
As primeiras audições fazem saltar aos ouvidos, de cara, as poderosas "Evil", "Not Even Jail" e "Slow Hands", ótima para tocar em pista.
Nos próximos meses acho que vamos falar muito em Interpol.




BOMBA TRÊS - GLASTONBURY NA REDE

Tem pouco do colossal Glastonbury 2004 que não está na internet, em som e até vídeo.
Com um pouco de esforço manual dá para baixar o tal show chato do Oasis que foi bem legal, pelo que se ouve, embora em algumas músicas o Liam Gallagher realmente estivesse cantando em slow motion.
Dá para fazer um cdzinho lindo com a apresentação do Franz Ferdinand e guardar para sempre, de tão boa.
Dá para importar o vídeo do Morrissey cantando "First of the Gang to Die" ou "Headmaster Ritual" e "Shakespeare's Sister", ambas dos Smiths, e não parar de ver mais.
Dá para catar o set dos DJs balas Timo Mass e Seb Fontaine. E dar uma festa campeã, com os caras tocando de Depeche Mode a Pixies em um modo mais, hã, dance..
Está esperando o quê?




MÚSICAS PARA SALVAR SUA VIDA

Em uma edição do final de junho, o semanário inglês "New Musical Express" veio com um ótimo disco compilado pelo nosso Morrissey, que comparado com o cara do Semisonic devia ter escrito o livro "So You Wanna Be God".
Morrissey armou o CD "Songs to Save Your Life", de capa yuppie psicodélica e que tem a irônica epígrafe de "Panic", que foi tomada de empréstimo nesta semana por esta coluna.
São 17 músicas muito bem escolhidas em sua maioria, e traz o próprio Morrissey abrindo, com a fofa "The Never Played Symphonics", lado B do single "Irish Blood, English Heart". O resto do CD inclui os queridíssimos Libertines, Killers, Ordinary Boys e Franz Ferdinand (com "Jacqueline" ao vivo). Tem o velho Gene e o Raymonde, as duas bandas mais Smiths que o mundo já viu. Tem uns nomes velhos e novos dos quais nunca ouvi falar, tipo Jobriath. E até New York Dolls. Se você tiver alguma chance de botar a mão nesse disco, o faça.

PROMOÇÃO: Eis aqui uma chance. Vou ser camarada e sortear uma cópia "real" do "Songs to Save Your Life", feito pelo Morrissey, que eu trouxe há pouco de fora. Os que quiserem ter a vida salva por canções bonitas, mande um e-mail aqui.




SEXO, SEXO E ROCK'N'ROLL

Essa foi f***. Na Noruega, está rolando um baita festival chamado Quart 2004, que começou segunda agora passada e só acaba neste sábado. Tem atrações legais de todo o tipo. De Morrissey a Dizzee Rascal. De Pixies a Darkness. De Franz Ferdinand a Slipknot.
Pois exatamente duas bandas antes da apresentação do Slipknot, na última terça, entrou no palco o grupo norueguês de metal The Cumshots, anárquico.
Durante a apresentação da banda, que pelo que eu entendi é um popular Darkness norueguês, um casal de ativistas ecológicos entraram no palco e fizeram sexo ao vivo, ali no palco, com o show rolando.
O casal, um cara de 28 anos e uma garota de 21, pertencem à milícia "Fuck for the Rain Forest", um grupo que prega o uso do sexo em lugares públicos para lutar contra a destruição das florestas.
Que beleza!
Uma boa googlada e você vê as fotos, impublicáveis aqui, nesta coluna de família, lida por criancinhas e por senhoras idosas.




NOVA YORK E UMA VISÃO POLÊMICA

Tava lá na cidade quando resolvi seguir as instruções de um flyer que peguei em loja de disco e ir à boate Trash. Era de graça e prometia indie music, britpop e electro rock. Vou nessa, pensei.
Cheguei no local e só vi gente normal bizarra. De todo tipo. O som, que me interessava, era só rock e pop dos anos 80. Não os manjados que os stray cats paulistanos tocam e ouvem toda a semana, tipo a farofa da Joan Jett. Era Talking Heads, Cabaret Voltaire, Depeche Mode, New Order, Soft Cell e tal. No meio, tocaram Strokes e White Stripes. Até "Hey Ya", rolou. Mas só. Nova York sismou mesmo com o pós-punk, o funk punk e essas coisas.
O povo bizarro dançando bizarramente todas as músicas, sem parar. A casa bombando. Aí, de repente, vejo um cara com uma camiseta cuja escrita era a mim muito familiar: Zap´n´Roll. Alguém usando uma camiseta da Zap´n´Roll, nome da coluna campeã da nossa Dynamite.
Será que...




MAIS PROMOÇÕES

Mais dois premiozinhos bala para sorteio. O falado CD do Cure, novinho da silva (entendeu a graça, hã?). E uma cópia do bom livro "Coração Envenenado", de autoria de Dee Dee Ramone, com o baixista dos fabulosos Ramones, contando a vivência em uma das grandes bandas do mundo. Com Nova York e o punk de pano de fundo.
A concorrência se dá no email lucio@uol.com.br. Fique à vontade para participar.




HOMEM-ARANHA DOIS

A sequência do filme "Homem-Aranha", que está em cartaz nos cinemas brasileiros, é não menos que espetacular.
O diretor bamba Sam Raimi acertou a mão em fazer um filme de herói com tantas histórias dentro da história que sou levado a concordar que esse é o melhor do gênero desde que lançaram o primeiro "Superman", em 1978.
"Homem-Aranha 2", veja você, tem ATÉ efeitos especiais.
Mas não sei.
Como o menino Peter Parker, estou inseguro para ficar soltando babação do filme, aqui, para não ser acusado de americanófilo e tal.
Portanto, pedi ao amigo e especialista em cinema (fora música) Rodrigo Salem, da revista "Set", que deixasse aqui sua opinião insuspeita e de cátedra sobre esse épico familiar, de amor, amizade e monstrices. E que ainda tem a Kirsten Dunst.
Diz aí, Rodrigo.

"Já que estamos numa coluna de música, me respondam: Peter Parker curte Jota Quest? Não acredito.

Peter é o protótipo do nerd do novo milênio, aquele carinha que ouve Weezer, Fountains Of Wayne e Get Up Kids.
Mas foi o grupo do Rogério Flausino que precisei ouvir por meia hora
antes de assistir a esse "Homem-Aranha 2".

Cara, escutar "Homi-Aranha, Homi-Aranha..." é dose pra leão. Apesar de a versão cretina do tema da série merecer uma cabeçada do Chorão, ela não aparece no filme (só no CD brasileiro) nem me fez ter uma opinião diferente da obra de Sam Raimi.

"Homem-Aranha 2" é do ca%&*^0!

A maioria já deve ter lido elogios e mais elogios ao longa. Todos merecidos.

Mas não vi nenhum que tenha notado que a sequência é um remake
maldito de "A Vinganca dos Nerds".

Peter é o nerd que vira cool quando coloca o uniforme. Ele só consegue a gatinha quando se pendura nos prédios de Nova York; apanha de todo mundo em sua identidade secreta, mas detona gangues inteiras quando está todo de colante. E gasta a grana toda em acessórios para sair à noite chamando a atenção.

Para quem duvida, uma cena antológica: quando ganha os poderes de volta, a primeira coisa que faz é jogar os óculos fora, o símbolo máximo dos CDFs! "Adeus, nerdice, quero mais transar com a Mary Jane e ouvir Strokes", o aracnídeo deve ter pensado.

Homem-Aranha é cool ou não é?




RESULTADO DA PREMIAÇÃO

Todos os vencedores, para tirar o atraso.


Revista especial "Morrissey e os Smiths" da série "NME Specials"
Paloma Glória
São Paulo, SP


O CD dos Beastie Boys, "To the 5 Boroughs"
Alceu Donato Oliveira
Santo André, SP


"You Are the Quary", novo CD do Morrissey
Elton P. Sá
Fortaleza, CE


O DVD do Sonic Youth, coletânea de videoclipes de 1990-2002
Márcio Lorençato
Piracicaba, SP


Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas.

E-mail: lucio@uol.com.br

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