Pensata

Lúcio Ribeiro

01/10/2004

A vida de Brian

"You are sleeping
You do not want to believe"
Smiths, em "Rubber Ring"

"De onde viemos,
os pássaros cantam uma linda canção
e há sempre música no ar"
Anão do "Twin Peaks"

"The beautiful people
the beautiful people"
Marilyn Manson, em "Beautiful People"


Eaê, Brasil?
O que está pegando?

* Morrissey, preciso te falar uma coisa: Eu não estou dormindo e eu quero acreditar.

* Segura os nervos. O Tim Festival adiou por uma semana a venda dos ingressos.

* Alô, pessoal da Inglaterra, que nunca deixou esta coluna na mão. Eu preciso (nós precisamos) desse CD exclusivo que veio grátis no jornal mais cool do planeta, o "Observer", no domingo passado. Cinco faixas exclusivas do Libertines. Alguém?
É este aqui, ó:







O POODLE PUNK

Ou quando um sex pistol se meteu em encrenca em Aparecida do Norte, São Paulo.

Enfim, recebi essa história de um amigo pré-advogado e queria dividi-la. Aconteceu recentemente. Ouve aí.

* "Através de portaria, o ilustríssimo delegado de polícia instaurou inquérito policial para apurar crime de estelionato, onde a indiciada comprou um cachorro poodle, de cor abricô (marrom), batizado de Steve Jones Firequeen, pelo valor de R$ 500,00 (quinhentos reais).

A indiciada teve um prazo de três meses para pagar a quantia à vítima. Depois de decorrido o prazo para o adimplemento da prestação, a vítima ainda não havia recebido o dinheiro e, ao cobrar a indiciada, esta disse que Jones havia morrido em decorrência de doença transmitida por carrapato.

Meses depois, a vítima foi a um canil em Taubaté (cidade a 55 km de Aparecida) e lá encontrou Steve Jones Firequeen, que havia sido vendido à proprietária do canil, que confirmou tê-lo comprado da indiciada, que por isso está sendo enquadrada como incursa na conduta ilícita tipificada no artigo 171 (estelionato) do Código Penal Brasileiro."

* A Justiça devia estar empenhada não em botar a limpo esse "crime" bizarro de estelionato. A gente quer saber como e por que pegaram um poodle, botaram no bicho o nome do guitarrista do grupo punk inglês Sex Pistols e ainda associaram o "rainha de fogo" no batismo do cão.




O YORKSHIRE CLUBBER

Você soube pelo Felix Da Housecat que todo mundo quer ser Hollywood. A fama, a vaidade, o brilho, as histórias.

Ou aprendeu com a Miss Kittin que ser famoso é "so niiiiiiice".
Como eu estou inspirado para contar historinhas de encontro do pop com a vida cotidiana, tem mais essas duas aqui sobre o beautiful people que são, hã, curiosas.

* Fui informado de que o principal momento do Brasília Music Festival Electronic foi a hora em que o DJ paulistano KL Jay entrou em cena. O pomposo evento internacional reuniu no último final de semana, na capital federal, cerca de 70 mil pessoas, 100 DJs de todos os tipos e o Marcos Frota.

Quando o KL Jay se encaminhava para assumir as picapes, ele não gostou nada de uma coisa que viu. Uma faixa de pessoas separava seu palco da massa rap da Ceilândia, Gama e outras cidades periféricas de Brasília, que estava lá para ver o DJ dos idolatrados Racionais. Era uma área VIP da revista "Caras".

Ficou bravo, reclamou, disse que não foi avisado. Porque, se o fosse, não iria tocar daquele jeito.

Acalmado, KL Jay resolveu tocar, sim, falou que ia ficar na dele, mas não se responsabilizaria de nada.

Entrou, saudou o público e disse para o povo se divertir do jeito que vocês quiserem, tal.

Em pouco tempo, não tinha mais área VIP. Ou a área VIP, na verdade, virou a tenda inteira.

* E o grande DJ Moby veio tocar em uma festa fechada da grife Diesel, sábado passado no hotel Glória, no Rio de Janeiro. Só convidados importantes escolhidos a dedo foram presenciar o badalado DJ pop americano. E, neste evento já reservado, ainda tinha uma área VIP. Seria uma área VIP dentro de um evento VIP, pensa.

Para cobrir a visita do Moby, a Folha de S.Paulo enviou o jornalista Paulo Sampaio, que sabe descrever um clima. E o clima, segundo o Paulo, foi assim:

"Os seis salões e a varanda reservados para a festa se encheram rápido. Televisivos eram recebidos no elevador por uma saraivada de flashes. Du Moscovis, Letícia Spiller, Dado Dolabella, Fernanda Torres, Andrucha Waddington, Rogério Gallo, Marina Person, Marina Lima, Preta Gil, Marisa Monte... Uma repórter pergunta a Suzana Vieira se ela está usando Diesel: "Imagine! Não uso jeans. E dizem que esses são caríssimos. Grife, para mim, meu bem, só de cachorro: pastor alemão, yorkshire..."

Conduzida para a sala VIP, Suzana sai minutos depois: "Tem uma amiga louca lá dentro que não dá sossego, quer saber o que fiz para estar tão linda, quantas plásticas...", diz ela, acompanhada o tempo todo por Pepeto (que tem nome de yorkshire, mas é cabeleireiro).

A "amiga louca que não dá sossego" é Pirilena Lacerda. "Dá um look around, amor, olha os 'carioca pobreza': não sei quem convidou esse povo, só sei que eu vim com roupa de ficar em casa. Coloquei esse top de onça, jeans, sutiã Dolce & Gabbana e uma sandália Manolo", ela diz, tirando o calçado e mostrando a etiqueta.




MORRISSEY NO AR

Tão perto, tão longe.

O idolatrado cantor inglês Morrissey deve passar pelo espaço aéreo brasileiro em novembro. O negócio é saber se ele vai aterrissar em algum momento no aeroporto de Cumbica para fazer shows por aqui.

O astro que liderou os Smiths nos anos 80 e ainda hoje, solo e quarentão, mantém viva uma adoração messiânica em torno de seu nome, acertou uma miniturnê sul-americana que vai atingir Chile, no dia 4, e Argentina, no dia 6.

Esta coluna apurou que há uma "briga" entre produtores brasileiros para conseguir fechar uma data com Morrissey em São Paulo. O problema é que o show brasileiro do cantor virou um leilão, além de o calendário não ajudar.

As únicas datas disponíveis para uma apresentação do ex-Smiths por aqui coincidem com o megafestival Tim Festival, recheado de atrações internacionais, que vai acontecer no Jockey Clube nos dias 5, 6 e 7. "E aí a concorrência (com o Tim Festival) seria pesada para um show caro que até está sendo disputado em leilão", afirmou um dos produtores na briga pelo Morrissey, que não quis se identificar.

Morrissey vem mostrar na América do Sul a festejada turnê de seu mais recente álbum, "You Are the Quarry", lançado em abril passado, depois de um exílio pop de sete anos.

O cantor dândi é atração do Sue Festival, em Santiago, que terá ainda o veterano grupo Blondie e a cantora inglesa PJ Harvey, artista do Tim Festival. Em Buenos Aires, Morrissey participa do Personal Festival, outro evento que contará com Blondie, PJ Harvey e ainda Primal Scream, Pet Shop Boys, Bebel Gilberto.

Outro fator que complica a passagem de Morrissey pelo Brasil é que o músico acabou de acertar dois shows em Los Angeles, nos dias 11 e 12 de novembro, como compensação por causa do cancelamento recente de dois shows na Califórnia. Essas novas datas americanas diminui a disponibilidade de datas para o Brasil.

Morrissey começou anteontem em Washington a turnê americana de outono, que corre os EUA até o dia 1º de novembro, quando o músico se apresenta em El Paso, Texas.

O cantor, que lança o single-balada "Let Me Kiss You" (o terceiro do CD "You Are the Quarry") no próximo dia 11, tem tocado músicas raras dos Smiths em suas últimas apresentações.

Neste de Washington, por exemplo, ele abriu o show com a clássica "How Soon Is Now" e terminou com a não menos "There Is a Light that Never Goes Out".

* SUGESTÃO: O Morrissey só teria datas na época do Tim Festival. Os produtores não querem bancar um show caro para concorrer com o Tim Festival. Então por que o Tim Festival não fecha com o Morrissey?




DUAS COISAS

Uma música e uma banda.

Não consigo encontrar nenhuma outra canção mais representativa e importante neste século que "Seven Nation Army", do White Stripes. Você concorda?

Os limites dessa música não há. Nem estou falando sobre ela ser um dos ringtones mais vendidos do rock em todos os tempos (era o que eu botaria no meu celular, se ele fosse apto).

Além da fascinante história dela, que você está careca de saber qual é, recentemente ouvi mais três novas versões das 400 que fizeram dela. Há uma "Seven Nation Army" soul music, com uma negra cantando rasgado sob uma preguiçoso ritmo quase jazz, de um tal de Nostalgia 77. Uma que eu ouvi recentemente em programa da Radio 1 inglesa, mas que eu não consegui pegar o nome de quem toca, era "Seven Nation Army" em formato... reggae. Ótima. E, por fim, rola na eletrônica uma gostosa versão house da música de Jack White assinada por um DJ chamado Atom Palmer.

* E a música independente se volta ao Yeah Yeah Yeahs. Depois que o White Stripes (ele de novo) recriou maravilhosamente a balada "Maps" no Reading Festival, aparece agora o soturno TV on the Radio, de Nova York, para dar cara nova a linda "Modern Romance". A cover está no single "New Health Rock", como lado B.

Voltando a "Maps", a música ainda não apareceu na internet. Li que até o Yeah Yeah Yeahs quer a versão, mas não acha.




DOORS, MAIS OU MENOS

Aquele não foi o fim, meu amigo. O tecladista-fundador Ray Manzarek traz o Doors 21C (The Doors do século 21) para tocar no Brasil no final deste mês, nos dias 29 (SP) e 30 (Rio).

O Doors deste século tem ainda o guitarrista original Robby Krieger. No lugar do mitológico Jim Morrisson, morto em Paris em 1971, quem canta os clássicos da banda é o conhecido Ian Astbury, que liderou o grupo inglês The Cult. Fireeeeeeeeeeeee.




TWIN PEAKS E A MÚSICA POP

Numa ação comemorativa do lançamento da caixa de DVDs da (talvez) série mais cool de todos os tempos, esta coluna vai passar ainda mais algum tempo falando sobre "Twin Peaks". Kurt Cobain costumava dizer que o melhor jeito de escutar o álbum "Bleach" era botar o disco para rodar na hora em que a série passava na TV. Fã de "Twin Peaks", Cobain afirmou que ele próprio poderia ser um personagem, uma vez que se achava esquisito, sonhava coisas estranhíssimas e tinha amigo imaginário.

No Brasil, anos depois, a banda indie gaúcha Bidê ou Balde, na figura do vocalista Carlinhos, prestou reverência à falada série ao fazer uma reprodução da sala vermelha (sabe?) no clipe de seu maior hit, "Melissa". E o assassino de Laura Palmer é revelado no nome da banda: Bidê ou Balde.

O grupo paranaense Grenade, atração brazuca do próximo Tim Festival, sampleou, em uma de suas músicas, a fala do personagem de "Twin Peaks" que encontra o corpo de Laura Palmer embrulhado num plástico e liga para avisar o delegado.

A frase "She's dead. Wrapped in Plastic" está na música "Down on Me", do album "Out of Body Experience".




TIM FESTIVAL - INGRESSOS

Pode voltar a dormir, por mais alguns dias. Os ingressos do Tim Festival, que seriam vendidos a partir desta sexta, só o serão no próximo dia 8. Foram adiados em uma semana, por causa de uma questão estrutural, segundo o alegado.

As entradas serão vendidas em várias cidades do país. É só entrar no site do festival, para ver quais. Ticketmaster e telefone também serão meios possíveis de não ficar fora.

Os pontos de venda em São Paulo serão: DirecTv Music Hall (Alameda Dos Jamaris 213, Moema); FNAC Jardins (Av. Paulista 901 ou Alameda Santos 960, Jardins); FNAC Pinheiros (Av. Pedroso de Morais 2.741, Pinheiros); Loja AM/PM do Posto Ipiranga Olímpia (Rua Bugio 79, Vila Olímpia); Loja AM/PM do Posto Ipiranga Panamericana (Av. Pedroso de Morais 858, Pinheiros); Loja AM/PM do Posto Ipiranga JK (Av. Professor Francisco Morato 2.600, Butantã); Saraiva Megastore/Shopping Center Norte (Travessa Calsalbuono 120/loja 400, Vila Guilherme); Saraiva Megastore/Shopping Eldorado (Av. Rebouças 3.970, Pinheiros); Saraiva Megastore/Shopping Morumbi (Av. Roque Petrônio Jr. 1089, Morumbi); Teatro Abril (Av. Brigadeiro Luiz Antônio 411, Bela Vista).




TIM FESTIVAL - TOQUES DE BRIAN WILSON

Uns dizem que ele é excêntrico, outros que ele é com-ple-ta-men-te louco. Mas o astro Brian Wilson mantém intacta uma parte (pequena) de seu cérebro para ajudar a humanidade com preciosas dicas de vida, como mostrou a revista britânica "Q".

* Acreditar em si mesmo
"Isso é crucial. Eu não acreditava no meu talento até os 20 anos. Então eu percebi que era muito bom."

* Conheça seus farmacêuticos
"Não se entupa de drogas, é o meu conselho. Drogas medicinais tudo bem, mas não drogas drogas. Se eu confio em médicos? Claro. Se eu recomendaria LSD? Não."

* Corpo
"Eu digo: faça exercícios todos os dias e coma vegetais. Eu corro, eu como vegetais... Bem, eu parei de comer vegetais, mas eu vou voltar. Eu tomo muitas vitaminas."

* Não fume
"Eu abandonei 12 anos atrás. Minha esposa disse: "É hora de você largar o cigarro, senão você vai ter câncer no pulmão". Eu disse: "OK". Então eu coloquei aqueles adesivos. Um de 21 (miligramas de nicotina), depois um de 14 e então outro de 7. Três vezes e tudo certo. Sem problemas."




PROMOÇÃO DA SEMANA

É disso que o povo gosta. A lista de delícias semanal.
E-mails para lucio@uol.com.br vão concorrer a prêmios do tipo:

* Strokes ao vivo em Londres
O Julian Casablancas desistiu de lançar o disco ao vivo, mas a galera que curte os Strokes, não. O show do Alexandra Palace, que seria a base do álbum ao vivo abortado, está inteirinho na internet. E está aqui também, em cópia caprichada. Tá nessa?

* Valv, "The Sense of Movement"
O álbum de estréia da conhecida banda indie mineira Valv, lançado pelo selo Midsummer Madness. A faixa-título tem participação vocal de Fernanda Takai, do Pato Fu.

* PRÊMIO LONDON BURNING - Libertines
O grande disco novo da banda inglesa Libertines, a principal atração do Tim Festival, é oferecido pela loja de discos paulistana London Calling, que faz parceria com este espaço para aumentar toda semana a cota de prêmio distribuídos. A London Calling (www.londoncalling.com.br) é uma das lojas mais espertas para os que gostam da música que esta coluna defende. Seja para encontrar de pronto ou encomendar. Importado ou nacional.




RESULTADO DAS PROMOÇÕES

Antes tarde do que nunca, está tudo aqui:

* Caixa luxo de DVDs da cultuada série "Twin Peaks"
Maurício Strecker
(??)

* CD "A Grand Don't Come for Free", do Streets
Wilson Eito Rossi
São Paulo, SP

* CD "Greatest Hits", do Lou Reed
Ivan Aurelino Só
São Paulo, SP

* O CD novo do Libertines
Daniella Branco
Rio de Janeiro, RJ

* Um DVD duplo do Stone Roses
Mia Galliano
Caxias, RS

* PRÊMIO LONDON CALLING - "Debut Live", da Björk
Sílvio Sobrinho
Santo André, SP




BOM...

Vou indo, então. O Mars Volta, metade do fantástico At the Drive in, tem show marcado para São Paulo, no dia 6 de novembro, fora do Tim Festival.// Hoje (sexta) tem Borderlinerz, no Ampgalaxy.// Quarta que vem, no Jive, os hermanos do Satan Dealers (Argentina), se apresentam no Jive. Forgotten Boys abre.// Neste sábado, o Publica (RS) toca e este colunista coloca o som da pista no Atari, na noite do Custódio/Vinil/Click.// Como vai ter maratona de shows pela frente, relaxe por estes dias no cinema. Se você for conferir o bem bacana "Show de Vizinha", vai ser presenteado com a cena em que a boneca Elisa Cushbert (da série "24 Horas") aparece pela primeira vez, ao som de "Killing Moon", dos Bunnymen. Two thumbs up!// "Supremacia Bourne" é o que liga.// Vem aí "Shaun of Dead", historinha de amor e zumbis.// Já é.
Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas.

E-mail: lucio@uol.com.br

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