Pensata

Lúcio Ribeiro

14/01/2005

Irmãos e irmã

"I need to believe in something
I need to believe in something
I need to belieeeeeeeeeeve"
Chemical Brothers, em "Believe"


"Voando no espaço sem fim
Estrelas passam por mim
Daí, no meio do nada
Me meto numa enrascada"
Irmãos Rocha!, em "Uma Coisa Medonha"


"Push me
And then just touch me
So I can get myyyyy
Satisfaction"
Whomadewho, em "Satisfaction"


Boas.

O Daft Punk está tocando na minha casa. Na minha casa.




E o Fatboy Slim vai tocar no dia 8 de fevereiro no Brasil, sim. Pelo que eu entendi, em Angra dos Reis, num clube com capacidade para 2000 pessoas. Foi ele que disse.





Está vendo como 2005 vai ser mesmo um ano para abalar? O agente do Placebo, está no meu email, confirmou que a banda está pertinho de acertar, sim, seus shows no Brasil. Ninguém vai precisar ir a Buenos Aires ou Santiago, movimento que, vi, já estava se formando.




Outra para o 2005 cool. A partir desta semana, este mundo virou um lugar um pouco melhor para se viver. Foi lançado o iPod de U$ 99. Isso é muito sério.




E esta, então. Parece que uma das estratégias da rede McDonald's para 2005 é apoiar o rock novo. No mundo inteiro.




Mais esta: a revista americana "Spin", edição de janeiro de 2005 (retrospectiva de 2004), apontou que o evento que marcou o ano que passou foi o revival do indie rock. As causas seriam as trilhas sonoras cool de filmes descolados e os imparáveis downloads, que alargaram o mapa do rock e botaram em destaque cenas underground obscuras para a maioria.




A última: Só para lembrar, o mote do DJ inglês Zane Lowe, que já virou o mote da Radio One em si e até um festival itinerante com bandas várias em cidades diferentes, é: "In New Music We Trust". É o nosso lema também, não?




Agora a última mesmo, falando em Radio One. Nesta quinta, um DJ recebeu a mais nova música da fantástica banda californiana Queens of the Stone Age. No programa dele, o cara anunciou que estava na mão com o novo single, "Little Sister", que só será lançado em março.

Começava a tocar a música, em seus primeiros acordes, e parava. Dizia que ia tocar depois. E mandava outra canção para o ar. Fez isso umas cinco vezes. Até que veio a hora, anunciou a exclusividade, e tocou "Little Sister". Quando acabou, ele falou: "Esta foi a nova música do Queens of the Stone Age. Sensacional, não? Dá até vontade de tocá-la de novo. Quer saber? Vamos tocar". E tocou.




Certs?

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COLDPLAY

A música pop começa a se preparar toda ansiosa para a chegada do novo álbum da banda inglesa Coldplay, o terceiro, previsto para o final de maio. O disco nem nome tem, ainda, mas já está pronto. Tanto que a banda deu seis faixas para o semanário "New Musical Express" ouvir. E a publicação avisa que o disco é bem diferente do "Coldplay clássico". É um misto de David Bowie com música eletrônica dos primórdios, tipo Kraftwerk (?!?).




Coldplay é a banda mais usada em trilha de filme bacana. O esperto "Garden Gate", escrito, dirigido e estrelado pelo maluco Zach "Scrubs" Braff, está para estrear no Brasil com o nome "Hora de Voltar". Um dos sucessos algo velhos do Coldplay, a lindíssima "Don't Panic" (CD "Parachutes", 2000), ilumina uma cena do começo do filme. Já o curioso "Wicker Park", o melhor filme que todo mundo fala mal, chegou nestas semanas nas locadoras brasileiras sob o batismo "Paixão à Flor da Pele". Com Josh Harnett e a estonteante Diane Kruger, o filme bota a fabulosa "The Scientist" (CD "A Rush of Blood to the Head", 2002) na hora que quer fazer chorar.




Nestas ouvidas de rádio pela internet, só neste ano ouvi umas três vezes a baladaça "Shiver", também do longínquo "Parachutes". É uma que acaba com "And you know how much I need you/ But you never even see me". Linda de morrer. No dia em que eu fizer um filme, vou botar essa canção na trilha.


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AS MENINAS DO RAPTURE

Ainda não vi de novo, para verificar se essa história que vou contar rolou mesmo ou eu viajei. Mas, enfim.

Dia destes eu estava finalmente assistindo decentemente, por inteiro e música a música, o DVD do Rapture. Este ao vivo em Nova York ("Alive and Well"), que foi lançado no final do ano passado. Numa certa altura do show, no Bowery Ballroom, duas meninas que estavam à frente do palco chamavam a atenção. Uma loirinha algo comum e uma morena vestida meio dark. As duas dançando, curtindo o Rapture de montão.

A morena atraía o olhar, pelo tipo. A loira, nada demais, ia na carona. A banda tocando, a casa caindo e a câmera às vezes focalizando as garotas, toda vez que o ângulo escolhido era a platéia vista do palco. De repente, aparece um cara conversando com a loira, dava para ver. Corte para a banda. Daqui a pouco, câmera na galera da frente. E aí o cara do xaveco havia sumido atrás da loira. E somente suas mãos eram vistas. Nos peitos da garota. Corte para o show. A banda mandou ver por mais alguns minutos até que a imagem vista seria de novo a das meninas lá na cara do palco. E lá estava a morena estilosa e a loira ao seu lado, como no começo. Desta vez sem o cara e as mãos dele.


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IRMÃOS ROCHA!

Então. Toda essa coisa empolgante de "2005 é o ano do rrrrock", "Chuta a cadeira e levanta daí", "O rock independente vai arrebentar" (e tal) pode bem começar com o lançamento do disco dos Irmãos Rocha!, o mais polêmico produto de exportação do rock gaúcho desde que "aquela" outra banda apareceu cantando "Infinita Highway".

E, de imediato, o que você precisa saber sobre os Irmãos Rocha! são três coisas:

1. Irmãos Rocha!, o nome da banda, é com exclamação (!).

2. Os Irmãos Rocha! (André Rocha, Mauro Rocha, Raul Rocha e Bel Rocha) NÃO são irmãos.

3. O sensacional disco de estréia do quarteto de Porto Alegre, "Ascensão e Queda dos Irmãos Rocha!", está saindo agora pelo selo indie goiano (!!) Monstro Discos (www.monstrodiscos.com.br). E é uma coletânea (!!!).
"Ascensão e Queda" tem 20 músicas e uma duração de 34 minutos e 40 segundos. Na verdade 21, porque tem uma música escondida. É todo o material que a banda conseguiu gravar desde 2000, quando os Irmãos Rocha! foram formados.

O som é tosco-troglodita e rápido e non-sense tanto quanto os personagens do histórico desenho "Corrida Maluca", que inspirou o nome da banda. Ou seja, a referência aqui é Ramones, quando não Cramps.

Não sem razão, os Irmãos Rocha! se autoproclamam diferente de todo o vigoroso rock gaúcho atual porque: não tem teclados; não têm gurias (n. do e.: meninas) nos backing vocals; nada de tchu-ru-ru ou cha-la-lás; nada de percussão; nada de propostas sonoras rebuscadas.

O CD tem os velhos hinos "Meteoro37" e "Ugabugababy", que eram do EP "Mais Vontade do Que Talento" (entende?). E os novos megahits "Uma Coisa Medonha", "Amadeu Tatu" e "Pechada".

"Ascensão e Queda" teve pré-lançamento em dezembro, no festival Goiânia Noise. Segundo relato, calcinhas foram jogadas ao palco, quando os Rocha estavam em ação.

Na primeira grande entrevista deste ano, a Popload traz a voz escrita de Bel Rocha, baixista dos Irmãos Rocha! e amigo de... Caetano Veloso. Sim, de olho desta vez na música indie, Caê já tem o seu "Ascensão e Queda".

Popload - Por que Irmãos Rocha! tem exclamação?
Bel Rocha - Exclamação é um sinal gráfico que costuma seguir gritos súbitos de admiração, alegria, dor, surpresa ou raiva. Essas coisas que as pessoas constumam sentir quando escutam Irmãos Rocha!.

Popload - Qual a melhor banda de rock independente gaúcha e até nacional depois dos Irmãos Rocha!?
Rocha - Não tem. Somos a última e verdadeira banda independente! Isso porque, independente de alguém gostar, a gente continua tocando.

Popload - É verdade que vocês têm vergonha de tocar ao vivo?
Rocha - Não, a gente tinha era vergonha de errar na frente do outros. Só que, depois de tantos anos tocando, isso não acontece mais. Não acontece mais a vergonha, lógico, porque os erros seguem ali. A gente só está se divertindo muito para dar importância.

Popload - Qual a verdadeira história da ligação entre os Irmãos Rocha! e o Caetano Veloso?
Rocha - O Caetano recebeu o CD. E a Paula Lavigne também. O resto é especulação da imprensa...

Popload - Por que você acha que é tão importante ter o CD "Ascensão e Queda dos Irmãos Rocha!"?
Rocha - Importante mesmo é comer fibras e tomar muito líquido. Mas o "AEQDIR!" serve pra levar o nosso rock regressivo ao mundo. É só ouvir para sacar que rock pode ser divertido e despretensioso sem ter a validade de uma piada. E para lembrar que "mais vontade que talento" é o que realmente importa.

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NOVO iPOD -99

Escrevi isto há exato um ano:

- "Quando eu falo que o iPod é o instrumento da revolução, o brinquedo mais valioso da vida deste colunista, etc. e pá., não estou exagerando. Se você bebe água em Marte e pelo menos nunca ouviu falar no toca-MP3s da Apple, não se preocupe. Em menos de dois anos todo mundo que tem alguma relação com música qualquer que seja vai ter um iPod, é a previsão. Vai estar mais barato, variado, funcional. Será uma época em que sair de casa com um discman convencional vai dar vergonha."

Tudo bem, errei por um ano a minha previsão. A música parou para pensar nesta semana, quando a Apple anunciou o lançamento do impressionante iPod Shuffle, este aqui.





O Shuffle, fabricado em duas versões, vai custar US$ 99 o de 512 MB e US$ 149 o de 1GB. No de US$99 cabem 240 músicas, aproximadamente. O peso é ridículo de leve.

Como o aparelho não tem visor, para baratear e encurtar, a Apple promove a era do random, o da escolha de música aleatória, propagando que acabou a vida previsível, sem surpresas. A não ser que você queira gastar inacabáveis dois minutos montando uma trilha sonora ideal no iTunes, o programa de música de seu computador. Hã, você não tem o iTunes?
O Shuffle, além de lindo, é perfeito para consumo rápido de música. Dá para colocar uns 12 álbuns, uns cinco sets de DJs e boa.

No primeiro dia de venda na loja da Apple em Nova York, o iPod Shuffle era comprado por dois de cada três compradores que entravam no lugar. E tinha gente que saía com quatro aparelhos de uma vez.





Fascina e dá medo o que vem por aí, via Apple. Cerca de 10 milhões de iPod foram vendidos até hoje. Destes, OITO milhões só no ano passado. O terceiro produto mais vendido pela Amazon, no Natal, foi o iPod. Os novos modelos de carros da Nissan, Mercedes e Volvo vão trazer o iPod como acessório. A BMW já traz. E, sinal de prestígio inacreditável, já existe o Smiley que ouve o iPod, como você já viu lá em cima. Aí não dá...


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KELE

2005 já tem várias caras. Uma delas é a de Kele Okereke, vocalista "black is beautiful" da banda londrina Bloc Party, festejado grupo da nova geração britânica que nem álbum tem. Vai ter agora, no próximo dia 31, quando será lançado o esperadíssimo "Silent Alarm", que já está na internet. A saber: o Bloc Party, que está em turnê desde o ano passado e só vai parar um pouco em março, já está anunciado como atração dos megafestivais Glastonbury e Reading. Kele canta em "Believe", uma das melhores músicas do novo disco do Chemical Brothers, a ser lançado no dia 24.




A boa notícia é que, "The Silent Alarm", a estréia em CD do Bloc Party, que já rola nas caixinhas de computador, CDR e iPod deste colunista, deve ser lançado rapidinho no Brasil pela Trama. Se não for, deve chegar importado, a preços honestos, na virtuosa e virtual Peligro (www.peligro.com.br).




A cena inglesa já começa a agitar geral. O ótimo Kaiser Chiefs, bandeca nova predileta desta coluna, fez nesta terça um show no lotadaço Spaceland, em Los Angeles. O hino dos Chiefs, "I Predict a Riot", é uma das músicas mais pedidas na programação da famosa rádio Kroq, de LA.




Kaiser Chiefs, o baladado Bloc Party e o espertíssimo Futureheads se juntam ao mega Killers e estrelam a noite do dia 19 do festival "ShockWaves", promovido pelo semanário"New Musical Express". Elenco de bandas nada mal para uma noite de quarta-feira, não?


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POR FORA

O que você precisa saber do estrangeiro, esta terra tão distante, é o seguinte:




Sérgio Dávila, da Califórnia

"Mesmo quem não se interessava pelo fenômeno '24 Horas', como é o caso deste jornalista, vai ficar de boca aberta com a nova temporada, que foi ao ar aqui nos EUA na última segunda-feira, num especial de duas horas. Desta vez, nosso agente Jack Bauer vai ter de lidar com uma célula da Al-Qaeda aqui mesmo, em solo americano, ameaçando novo ataque nas proporções de 11 de Setembro. Os criadores decidiram deixar a sutileza de lado e dar nome e sobrenome aos terroristas. Já está dando polêmica. E é muito bom."




Marco L., de Londres

"Big Brother Celebrity: apesar de fortes rumores de que Pete Doherty iria aceitar ficar duas semanas trancado em uma casa como cheia de celebrities britânicas por 1 milhão de libras (!!),ele aparentemente desistiu na última hora. No seu lugar, puseram o BEZ, o dançarino e tocador de maracas (e aparentemente principal fornecedor de drogas e organizador de baladas ) do histórico Happy Mondays. O cara foi o destaque do primeiro episódio, ainda mais louco e sem noção do que o Ozzy Osbourne. Já é líder fa bolsa de apostas."




Walter Matsuzoe, de Milão

"Sinais de vida no planeta pop milanês. A banda se chama nOOrda (o nome é escrito assim mesmo). Misturam, em poucas palavras Massive Attack com Radiohead, mas é muito menos óbvio do que parece, pois a melancolia italiana faz a diferença ( no bom sentido). Alguém por acaso se lembra do Disco Inferno? Banda fabulosa da metade dos anos 90? É mais ou menos aquilo Pra quem não conhece nem um nem outro, sai correndo para www.noorda.it."




André Takeda, de Buenos Aires

"O electro ainda não morreu. Pelo menos na Argentina, continua vivo. A DJ, artista plástica e diretora de videoclipes Romina Cohn acaba de lançar um álbum pela Gigolo Records. 'It's Only Gigolo But I Like It' é uma compilação com algumas das faixas prediletas da moça. Tem de Marc Almond a P Diddy, passando por DJ Hell e Miss Kittin. E em junho sai o disco com suas próprias composições, também pela Gigolo. Agora, quem gosta de electro sem medo de ser pop tem que ouvir Miranda!. É uma das bandas mais pedidas nas rádios portenhas, e podemos definir como um encontro de Kelly Key, Latino e uma banda de rock com um visual moderninho."


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POPICES

Sobre aquele Whomadewho lá da epígrafe, eu falo na semana que vem.// O Skol Beats anuncia sua primeira atração para a edição de 2005: vem aí a banda Faithless, do produtor Rollo Armstrong e do hit "Mass Destruction".// Este colunista toca neste sábado em Florianópolis, na festa Rocket (fresh electro and rock'n'roll tunes) no Thai Bar, no Centro. O Fábio Massari ainda não sabe, mas ele vai lá comigo.// Nesta sexta, na Funhouse, a festa Revolution recebe a banda Touching Lips, banda de beldades do rock, segundo o informe.// No sábado rola mais uma abarrotada Festa do Garagem, e a banda punk de meninas (não só) Verafisher se apresenta ao vivo. Já ouviu a ótima "Lanche"?// A banda E.S.S., de Curitiba, toca sábado no Atari, na chapada noite do Kid Vinil, Click e Gilberto Custódio.//A banda glam argentina Corazones Muertos toca nesta sexta no Milo Garage, sábado no Jive e domingo no Atari, varrendo o circuito indie paulistano.// É muito esquisita a escalação do Festival de Verão de Salvador, que acontece na semana que vem. Mas ter a noite de sábado, em um palco, o Ludov, Gram, Black Alien, Matanza e Dead Fish é representativo, não. Tudo bem que o Roupa Nova toca nesse festival...//Sobre a enquete desta semana, sobre o "desejo para 2005", deu disparado duas coisas. Muita, mas muita gente quer que o Weezer venha ao Brasil, de preferência no Curitiba Pop Festival, e que venha logo o disco do Radiohead.// Lembra que eu botei a sorteio a fita bacaninha com caixinha legal, do acústico dos Engenheiros do Hawaii. E que nunca anunciei o nome do ganhador? Pois, é, perdi a tal fita. Foi mal. Foi?//


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PREMIAÇÃO DA SEMANA

Pá e pum, o que tem para sortear nesta semana é:




O CD do Chemical Brothers e o do Bloc Party, de uma vez só, em cópia adiantada e caseira.
* Uma cartela jóinha de imãs de geladeira do Radiohead, com o desenho, figuras e palavras mil do álbum "Hail to the Thief". Precisa ver como está minha geladeira...




O CD "Once More with Feeling", compilação de singles do Placebo.

E a lista de ganhadores, desculpa aí, vem na semana que vem. Até lá.

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Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas.

E-mail: lucio@uol.com.br

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