Pensata

Lúcio Ribeiro

12/05/2006

Impostores

"Because it's
fucked uuuuuu-
uuuuuuuuuuuu-
uuuuuuuuuuup"
Radiohead, em "The Black Swan"

"Oê, oê, oê, oê
Eu sou mais indie que você
Oê, oê, oê, oê
Vamos no James pra ferver"
Bonde das Impostora, em "King dos Blasé"

"Oh baby, baby
How was I supposed to know
That something wasn't right here"
Britney Spears, em "Baby One More Time"


Salve, simpatia.
Alguém aê?
Você não está achando que a coisa está um pouco fora de controle? Não que isso seja uma coisa ruim.

* Esta coluna, "unstoppable", vai ser escrita semana que vem de uma praia do México. Nokia Trends indie. Assunto sério para falarmos depois. O indie é o novo mainstream. E, por enquanto, o recado é um só: arriba los que luchan!
Como dizia o Matias Maxx.
Agora, como eu sempre digo: México lindo!

* A ex-babe college foffy Britney Spears está grávida de novo. "Não se preocupe, Dave, ele não é seu", disse a estrela nesta semana no programa de entrevistas do americano David Letterman, que a indagava com a cara de "Ué, você não está separada do seu marido?". Para os que pensavam besteira da Britney quando ela cantava o hit "Baby One More Time", vai a lição. Entendem agora o que ela sempre quis dizer?

* Pergunta básica: você está preparado para a volta do Guns?

* O mundo é metaaaaal, você vê pelo Wolfmother. E vai ver também pelo filmaço "Metal: a Headbanger's Journey", que entrou em cartaz na Inglaterra e chega ao cinemão americano em junho. Digo "filmaço" porque o vi o trailer em uma dessas viagens e o negócio, definindo em uma palavra, é vibrante. Cenas de festivais monsters da Inglaterra, Noruega, Alemanha, EUA no boom metal dos anos 80, onde o principal, aqui, não é focar o palco, mas sim a galera metaleira e sua relação de religião, sexo e morte com o movimento. Documentário antropológico. Com Bruce Dickinson, Alice Cooper, Rob Zombie. Se vai passar aqui? Sei lá.

* O que aconteceu com o Muse e a voz do Matthew Bellamy? Alguém ouviu "Supermassive Black Hole"?

* O que aconteceu com o Outkast? Alguém ouviu "Mighty O"? Um refrão meio Carlinhos Brown...

* A popular frase "Diga-me com quem andas e te direis quem tu és" está desde já modificada pela geração internet. O "com quem andas" foi substituído por "o que procuras", como ensina o Google Zeitgeist, ferramenta do talvez site mais famoso do mundo virtual que entrega o que os povos de várias partes do planeta estão querendo saber, achar, investigar, fuçar, se informar sobre no mundo livre da informação via web.
Você quer saber qual a palavra (ou termo) mais buscado no buscador do Google na última semana de abril, nos Estados Unidos? Sobre o que os brasileiros mais estavam mais interessados em saber no mês de março e usaram o google.com?
Se Zeitgeist é a expressão alemã que significa "o espírito de uma época", então o espírito brasileiro era espelhado em uma novela chicana do SBT, febre infanto/adolescente. A palavra mais procurada no Brasil, via o líder mundial de buscas na internet, foi "rebelde".
O número 2 entre os assuntos vasculhados por brasileiros no Google Zeitgeist, no período, foi "receita federal", por causa do imposto de renda.
A marca de bonequinhos japonesa Hello Kitty, hit feminino, é outra tendência cultural de época no Brasil, se levarmos a fundo o significado de zeitgeist.
A cantora Avril Lavigne e a macabra banda de metal Slipknot também estiveram tanto no imaginário (teen) brasileiro que resultaram em milhões de cliques na área de "search" do site do buscador Google.
"Carnaval" (em março?), "Palmeiras", Corinthians" e "Copa do Mundo" estiveram entre os grandes interesses da nação computadorizada.
Segundo o Google Zeitgeist, os americanos quiseram saber mais da NFL (liga de futebol americano) do que de assuntos relativos à guerra do Iraque, que nem consta do Top 15 de procuras na última semana de abril.
No sexto lugar dos assuntos mais procurados nos EUA consta o nome da loira Pamela Rogers, professora de educação física do Tennessee, hoje com 28 anos, que está enfrentando as barras da Justiça por ter mantido relações sexuais com um menino de 13 anos, caso que virou escândalo nacional no ano passado.
O GZ americano atualizado indica que a palavra da hora é Chernobyl, Bil. E a dondoca Scarlett Johanson vem em segundo. Até o velho Neil Young, de disco e posições políticas novas, entrou na lista.
Olhando o ranking canadense de palavras procuradas, dá até para imaginar duas facetas do povo de lá, pelo menos dos que procuram palavras na internet: tarados (para os homens) ou wanna-be (mulheres). Jessica Alba, Hilary Duff, Paris Hilton, Pamela Anderson, Jessica Simpson e Britney Spears dominam o interesse no Canadá. Uma estrela pop para cada palavra tipo "air canada" ou "american idol".
Na Itália, falta imaginação. O maior interesse deles é "horóscopo".
Quer saber do interesse do povo comum da China, França, Austrália, Rússia? Vai no www.google.com/press/zeitgeist.

* Sabe o Michael, o gay mais famoso da Inglaterra em 2004/05, que no fim nunca foi gay? Aquele da música do Franz Ferdinand, que falava de um rapaz dançando com outro rapaz de modo muito sexy (so sexyyyyyy!) numa festa e deu no single e no videoclipe "Michael", um dos maiores hits da banda escocesa...
Pois o Michael real agora é baterista de uma banda chamada 1990's, que primeiro sacudiu Glasgow no final do ano passado, depois a Escócia, estão chegando a Londres com um barulho dos diabos e vão lançar seu primeiro single, "You Made Me Like It", no próximo dia 22.
A música já é, obviamente, hit no My Space (www.myspace.com/1990sband). Fãs de carteirinha, visto em show recente do trio: os próprios Franzs, os caras do Teenage Fanclub e integrantes do Mogwai.
O mais engraçado de tudo é que, em muito breve ouvi dizer, o 1990's desembarca para shows no Brasil.

* Soube que o grupo paulistano Cansei de Ser Sexy chacoalhou Natal na edição deste ano do Mada. É verdade, natalenses? Outros destaques, que ouvi de gente esperta da área, é que o local Automatics e o carioca Cabaret, banda liderada pelo tresloucado neto do poeta Augusto dos Anjos, também destruíram.

* John Lennon inventou o iPod. É isso mesmo que você ouviu (leu). Vi no "O! News", a paródia do famoso "E! News", da Entertainment Television hollywoodiana. O "O!" levou ao ar entrevistas bombásticas com os integrantes dos Beatles para entrar com os dois pés neste quiproquó de gigantes da música, a batalha entre a Apple e a Apple. A Apple dos computadores, que está vencendo a guerra, contra a Apple que comanda "só" o espólio da banda de rock mais famosa de todos os tempos. Quando a fabricante dos computadores mais cool do mundo surgiu com o mesmo nome da ex-gravadora dos Beatles, a empresa inglesa fez a americana assinar um acordo. Nada de música. Acontece que hoje, a Apple do iPod e do iTunes manda na música. E a Apple dos Beatles quer agora dar sua mordida na maçã da companhia do Steve Jobs. Voltando à "exclusiva" do "O! News", o "jornal" descobriu com Paul McCartney uma fita de vídeo com um programa de entrevistas de 1968, que Lennon, doidão e bicho-grilo, falou sobre o iPod e ninguém deu bola. Ele sacou o aparelho na Magical Mistery Tour. Bom, não vou estragar a matéria. Veja você mesmo no You Tube, botando "John Lennon iPod" no search.

Divulgação



* A história de o "pop comer a si mesmo" teve um capítulo curioso esta semana, quando saiu do underground curitibano a banda Bonde das Impostora, uma espécie de armação zoeira para tirar onda com os amigos da banda "famosa" e hoje internacional Bonde do
Rolê, grupo paranaense de funk carioca (!), favorito desta coluna e uma das bandas novas mais importantes de toooooodo o planeta, segundo a revista americana "Rolling Stone". O Bonde das Impostora é uma das ações mais legais da música indie nacional recente, exatamente depois do... Bonde do Rolê. Tal banda impostora nasceu exatamente para zoar a fama repentina dos amigos e, como se não bastasse, usa emprestados do próprio grupo "alvo" os equipamentos e as bases funk. Na linha de costurar uma "resposta" funkeada com base roqueira (ou o contrário), tipo o Rolê, as Impostora criaram duas pérolas: a canção reaggae torpe "Rodriguinho Paixão" (Rodriguinho é o Rodrigo Gorky do Bonde do Rolê) e a ótima "King dos Blasé", funkice arquitetada sobre "Take Me Out", do Franz Ferdinand. A letra é a "Alguém Aí 2006" (sabe do que estou falando, né?), só que mapeando a cena indie curitibana. A ironia não pára. O maior sucesso do Rolê, o "Melô do Vitiligo", tem letra do Cello, do Bonde das Impostora. "A principio não é pra ser sério, tipo fazer shows. Mas agora estamos achando interessante se fizéssemos show em SP para falar mal das pessoas tipo na cara, hehê. O grupo nasceu só para falar mal de todo mundo e dar risada. Até música contra a gente vamos fazer. Eu e a Bárbara fazemos uma festa aqui em Curitiba que se chama Tisco, e a gente acabou cantando as músicas lá", diz a terceira integrante das Impostora, a Virgínia. "Nós somos bem melhores que o bonde do rolê, porque a gente não presta", define tuuuuuuuuudo Virgínia. O Bonde das Impostora, a música do Rodriguinho e o hit instantâneo "King dos Blasé" estão, óbvio, no My Space. Que abriga também o lema máximo das Impostora: "Rolê de C* é R*".
Como diria The Streets, lá na Inglaterra, "original pirate material".

* Qualquer som. Eu curto o jeito maluquinho do Vines. "Anysound", The Vines. Cobain ainda vive. Seria a música da semana, se "Hands", do Raconteurs, não parasse de tocar.

* Na melhor festa de electro-rock deste pedaço, a Rockfellas, do Vegas, na última quinta-feira rolou na pista Gnarls Barkley e Wolfmother. O maior soul e a maior porrada destes tempos. E ninguém saiu correndo. Sucesso.

Divulgação



* Já tem oito músicas novas do Radiohead, arrancadas de apresentações ao vivo, circulando na internet. O disco novo caiu num limbo que está difícil saber quando vai sair. Tudo é muito confuso com o Radiohead e isso faz parte do extraordinário charme da banda. Todas lindas as canções novas, mas a minha opinião neste caso não conta muito (quando é que conta, na verdade?) porque tem alguma coisa na guitarra sideral do Jonny Greenwood que mexe com o meu sistema nervoso. "Arpeggi", nome de um bar do Itaim (será que tem a ver?), é de matar. Queria ver outro show do Radiohead. Será que vou, neste ano? Já estou indo um pouco pelo You Tube, na verdade, que tem cenas de apresentação recente na Dinamarca.

* Mais Radiohead. Thom Yorke cedeu a inédita "Black Swan", de seu CD solo, para participar da trilha e encerrar o filme "A Scanner Darkly", que promete ser o filme do ano e tem o Keanu Reeves e a inocente Winona Ryder no elenco, em participação digital, escaneada. O filme estréia em julho nos EUA, agosto no Brasil. Vi o trailer em um cinema americano dias destes e deu vontade de levantar e ir embora satisfeito, sem ver o filme do programa. O filme, porcamente explicando, é sobre amigos e drogas no futuro ubber-digital. Baseado em história de Philip K. Dick ("Blade Runner"), ídolo na cabeça futurística doentia de Yorke. Diz o diretor do filme, Richard Linklater, que Thom Yorke cedeu a música por causa do refrão dela, este citado lá em cima nas epígrafes. Yorke acha que a canção nunca vai ser tocada no rádio. "A Scanner Darkly" teve exibição especial no festival texano South by Southwest, em março, e eu, óbvio, consegui perder.

Divulgação



* Amiga minha foi ver em Londres o Klaxons, trio de "rock para festas", nova modalidade anglo-americana de bandas meio zoeiras, meio toscas, ultraestilosas, que começa tocando para amigos e... A Graziella Pancheri atendeu à chamada da noite Trash, no clube The End, balada rock forte de segunda-feira, ainda a festa de rock mais esperta do planeta, dizem. E a Graziela disse isso sobre o que viu e ouviu:
"Resolvi dar um pulo na Trash para conferir que eram esse tal de Klaxons, já que em semanas passadas não consegui vê-los, tamanho o furor que estão causando na cidade. No White Heat de terca-feira, onde a balada custa apenas 5 pounds, tinha fila dobrando o quarteirão. A banda só tocava às 23 e por volta de 20h30 a fila estava quilométrica. E, para piorar a fila, o ShitDisco também tocava na mesma noite. Resolvi tentar ver o Klaxons na Trash, então.
Balada lotada, povo animado, bonito e bem nutrido, os Klaxons nao deixaram ninguém na mao. Energia (mas nao porrada, veja bem) do comeco ao fim, não deixam a peteca cair e nem os timpanos descansarem. O grupo é de New Cross, sudeste de Londres, bairro famoso pela Goldsmiths University, onde agreda estudantes de artes e humanas, bichos-grilos e porras-loucas em geral. E de onde desponta uma pequena cena local com baladas estudantis durante toda a semana. Os Klaxons representam uma injeção de ânimo na cena londrina, ou seja, de bandas literalmente londrinas, e são considerados como parte do movimento 'new rave', que nada mais é que a junção da loucura da acid house e psicodelia do fim anos 80/comeco dos anos 90 com o punk, uma atitude mais suja e agressiva, porém numa roupagem pop e dancante. Dificil entender, entao o melhor é ouvir. Vai lá
- www.myspace.com/klaxons
- www.klaxons.net - onde voce pode conferir o psicodelico video de "Gravity's Rainbow"
O primeiro single 'Gravity's Rainbow', lancado em vinil 7 polegadas, pela Angular Records, a mesma (agora ex-)gravadora dos ótimos The Long Blondes, esgotou em segundos. O lado b do single, a engraçadissima 'The Bouncer' ('O Seguranca') é uma cover do um hino rave cantado com sotaque cockney. 'Your name is not Dan, you're not coming in!' é a letra da música.
Single esgotado, mas não seja por isso. Você ainda pode ouvi-los e curti-los. Na pagina do MySpace todas as musicas estão disponiveis para download."

Reprodução



* Item de colecionador, a revista americana "Rolling Stone" comemorou nos últimos dias seu número mil, com show especial dos Strokes em festança de Nova York e a chegada em banca de sua milésima edição, com capa histórica em 3-D tipo "Sgt. Pepper" (Beatles) de custo de produção que ultrapassou US$ 1 milhão. Vale seu investimento. Por mais altos e baixos que teve, a "RS" conta a vida do rock por suas páginas, desde a primeira, em 1967, com Lennon em uma capa horrorosa. A edição comemorativa está recheada de histórias sobre várias capas inesquecíveis, contadas por editores, fotógrafos e artistas. Causos sobre a famosa capa do Lennon & Yoko pelados e a manchete sobre Jim Morrisson ("He's Hot, He's Sexy and He's Dead"). As capas de protestos, políticas, da Madonna tirando foto, do Prince peludo, do Bart Simpson imitando o "Nevermind" do Nirvana, da Britney Spears de calcinha, do Brad Pitt vampiro.

* Prêmios da semana. O último ingresso do Skol Beats (mesmo). Tipo a última chance de você ver o LCD Soundsystem tocando na sua casa, sua casa. Fora Prodigy, Tiga e tudo mais. O derradeiro ingresso vai junto com o último disco do Prodigy como bônus. O telefonema ao sorteado acontece neste sábado, até umas 15h. Um dos ganhadores de ingresso da coluna passada, Marcelo "Destroy", não deu sinal de vida. Então ele (o ingresso) será repassado. Mais prêmios. A coluna camarada vai sortear uma edição especial da "Rolling Stone 1000". Ainda: a cópia de um disco de bandas legais fazendo covers legais, que veio na última edição da revista "Q", inglesa. Tem Franz Ferdinand fazendo Gwen Stefani, as Sugababes dando um toque feminino ao Arctic Monkeys, Magic Numbers estragando Smiths, Nick Cave assombrando o Pulp, Editors relembrando REM dos bons etc.

* Resultado da premiação da semana passada, só na ooooutra semana.

* Popload Tour: datas de Curitiba, Brasília, Ribeirão Preto, Cuiabá, também na semana que vem.

* Vou aí, se você não se importar.
Lúcio Ribeiro, 41, é colunista da Folha especializado em música pop e cinema. Também é DJ, edita a revista "Capricho" e tem uma coluna na "Bizz". Escreve para a Folha Online às quartas.

E-mail: lucio@uol.com.br

Leia as colunas anteriores

//-->

FolhaShop

Digite produto
ou marca