Reuters
27/09/2002 - 11h42

Presidente do Paquistão rejeita risco de guerra com a Índia

da Reuters, em Islamabad (Paquistão)

O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, disse hoje que não há perigo de o país entrar em guerra com a vizinha Índia, mas que as forças paquistanesas estariam prontas para repelir qualquer agressão.

A tensão entre os rivais nucleares aumentou nesta semana por causa do massacre de 28 pessoas por dois atiradores muçulmanos em um templo indiano. A Índia disse suspeitar que os atiradores têm ligações com grupos militantes islâmicos, baseados no Paquistão.

"Não há perigo [de guerra]", disse Musharraf a repórteres na capital paquistanesa, Islamabad. "Nós deveríamos ter confiança em nós mesmos. Não estamos sentados sem fazer nada. Nós estamos preparados para qualquer coisa. Não deveria haver qualquer interpretação errônea".

Nova Déli vem culpando militantes baseados no Paquistão por uma série de ataques contra alvos políticos, religiosos e militares. O Paquistão diz ter combatido os grupos e que a infiltração de extremistas na Índia parou.

Os dois países chegaram perto de uma guerra em junho por causa da disputada região da Caxemira, e um milhão de soldados ainda continuam posicionados na Linha de Controle, que separa os dois países na fronteira.

O Paquistão negou qualquer envolvimento no massacre do templo, e a polícia em Karachi disse na noite de ontem que havia indícios de que agentes de inteligência indianos estivessem por trás dos assassinatos nesta semana de sete cristãos na cidade.

Musharraf disse que a Índia deveria parar de culpar o Paquistão por falhas na segurança em seu solo. "Eles deveriam melhorar sua situação interna ao invés de colocar a culpa nos outros"'.

Ele declarou ainda que a Índia pode estar por trás do ataque na instituição de caridade cristã em Karachi, embora possa haver outros culpados. "Estamos investigando. Eu não entendo quem está fazendo isso no Paquistão. Se um muçulmano pensa que o modo de promover o Islã é matando cristãos, então é fanatismo", falou.

Grupos militantes baseados no Paquistão, muitos dos quais agora oficialmente proibidos, ficaram irritados com a decisão de Musharraf de apoiar a campanha militar liderada pelos EUA contra o regime afegão do Taleban (grupo islâmico que controlava 90% do território do Afeganistão antes dos ataques dos EUA ao país - em 7 de outubro) e contra a Al Qaeda (a rede terrorista patrocinada pelo terrorista Osama Bin Laden).

Ao ser perguntado se a Al Qaeda poderia estar por trás de uma série de ataques fatais contra alvos ocidentais e cristãos no país nos últimos meses, Musharraf disse: "Pode ser. Poderiam ser nossos próprios elementos sectários ou a Al Qaeda ou elementos estrangeiros ou RAW (a inteligência indiana). Estamos examinando isso".

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