Reuters
18/10/2002 - 19h30

Posição do Vaticano irrita vítimas de abuso sexual nos EUA

da Reuters, em Boston (EUA)

Vítimas de abuso sexual praticado por sacerdotes da Igreja católica nos Estados Unidos reagiram hoje com irritação à rejeição do Vaticano a normas severas para os padres responsáveis pelas irregularidades.

No entanto, líderes da Igreja disseram estar confiantes de que as objeções de Roma podem ser contornadas sem que as crianças deixassem de receber proteção.

Em um revés para os esforços dos líderes da Igreja católica dos Estados Unidos para combater a crise gerada pelos abusos sexuais praticados por padres contra menores de idade, o Vaticano se recusou a endossar a Carta de Proteção à Criança e ao Jovem, afirmando que o documento é confuso, ambíguo e difícil de reconciliar com as leis canônicas.

Em carta divulgada em Roma, o Vaticano disse que "maiores reflexões sobre e revisão" da norma seriam necessárias antes que ela pudesse ser aprovada. A carta cria uma comissão de funcionários do Vaticano e da Igreja católica norte-americana para executar a revisão.

Os regulamentos que vítimas norte-americanas queriam impor determinavam que um bispo deveria remover um religioso de "qualquer função ou ministério eclesiástico" se houvesse acusação "confiável" de que ele praticara abusos sexuais contra um menor de idade.

"É simplesmente trágico", disse David Clohessy, que dirige a "Survivors Network of those Abused by Priests" (Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres), uma organização de defesa das vítimas do abuso. Clohessy se descreveu como "surpreso e devastado" pela decisão do Vaticano, e disse que a carta causaria mais sofrimento às vítimas.

"Sabemos que, historicamente, qualquer espaço de manobra, qualquer espaço para interpretação vaga dado aos bispos faz com que se alinhem aos padres, e agora, francamente, a pressão para que o façam é ainda maior", disse ele.

"Tememos que isso represente um estímulo aos praticantes de abusos, para que retornem aos seus deveres religiosos ou mantenham seus postos", acrescentou.

Embora a carta não tenha definido quais eram as objeções do Vaticano à proposta, advogados da Igreja dizem desde que a norma foi promulgada, em junho, que seria difícil reconciliar muitos de seus termos com as leis canônicas.

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