Reuters
24/10/2002 - 15h19

Cerco a teatro em Moscou mancha imagem do presidente russo

da Reuters, em Moscou

Enfrentando o teste mais severo de sua curta administração, o presidente russo, Vladimir Putin, assumiu ar de pesar ao dizer à nação hoje que sua mais alta prioridade era salvar os reféns retidos em um teatro de Moscou por guerrilheiros tchetchenos.

"O objetivo principal de nossos organismos de segurança e serviços especiais deve ser o de assegurar a libertação dos reféns, ao mesmo tempo em que deve garantir máxima segurança", disse Putin na TV, em sua primeira declaração a respeito da crise.

Os rebeldes tchetchenos que mantêm 700 pessoas dentro do teatro, em circunstâncias cada vez mais difíceis, deram um golpe no prestígio de Putin, que subiu ao poder com promessas de acabar com o terrorismo e a ilegalidade.

Doze horas depois de os separatistas tchetchenos invadirem o teatro, ontem à noite, nenhum oficial russo havia feito qualquer declaração à nação sobre o assunto.

Para Putin, o ataque é obra dos "mesmos criminosos que semearam a morte e a destruição" na Tchetchênia.

O golpe audacioso, a apenas 4 km do Kremlin, demonstrou que é possível passar pela segurança com enormes quantidades de explosivos.

No passado, Putin já havia mencionado um eixo terrorista que se estende da Ásia até o Oriente Médio, incluindo ligações com a Al Qaeda, o grupo acusado pelos ataques aos Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001. Ele declarou que, na Tchetchênia, a Rússia está lutando contra o mesmo tipo de terrorismo por trás desses ataques.

A ligação que ele faz entre os líderes da guerrilha tchetchena com a Al Qaeda e seu vigoroso apoio à "guerra contra o terrorismo" liderada pelos Estados Unidos silenciaram as críticas do Ocidente em relação à guerra na Tchetchênia. Mas muitos diplomatas ocidentais reduzem a importância da Al Qaeda na Tchetchênia.

O cerco ao teatro de Moscou também ressalta um aumento da violência e do sentimento de insegurança pública por toda a Rússia e faz com que se preste mais atenção ao fato de que até hoje não se conseguiu chegar a uma solução política para estabelecer a paz na Tchetchênia.

Um dos críticos mais severos do ataque militar contra os separatistas da Tchetchênia, o ex-general soviético Ruslan Aushev, disse que a determinação dos militantes não deveria ser subestimada. "Não há dúvida de que eles vão explodir o prédio no caso de uma invasão. Nada fará com que eles parem", declarou Aushev à agência de notícias Interfax.

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